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Tinta antimicrobiana

Resistência a múltiplas drogas predizem falha a antibioticoterapia profilática de PBE

Colunistas, Hepatologia
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Peritonite bacteriana espontânea (PBE) é uma complicação em pacientes cirróticos associada à alta mortalidade. Profilaxia primária é recomendada em pacientes de alto risco e profilaxia secundária, em todos os pacientes cirróticos com ascite que já apresentaram um episódio de PBE, sendo as quinolonas os fármacos de escolha para tal.

Entretanto, a maioria dos estudos que avaliaram a eficácia da profilaxia antibiótica para PBE foram realizados há 1 ou 2 décadas, em um contexto em que a prevalência de germes multirresistentes não era tão grande quanto atualmente. Além disso, profilaxia com quinolonas já foi associada a supercrescimento de bactérias Gram-positivas e à seleção de enterobactérias resistentes a essa classe.

Pesquisadores do Hospital Universitário de Frankurt realizaram um estudo para avaliar a eficácia de profilaxia para PBE com quinolona em pacientes cirróticos com ascite, com especial atenção para a presença de microrganismos resistentes. Foram recrutados 77 pacientes com indicação de realizar profilaxia primária ou secundária para PBE, a qual foi feita com norfloxacino ou ciprofloxacino.

Antes do início da profilaxia, metade dos pacientes estudados era colonizada por germes multirresistentes: 49,4% por enterococo resistente à vancomicina (VRE) ou enterococo resistente a vancomicina e tigeciclina (VRE-TLD) e 11,7% por enterobactérias resistentes a carbapenêmicos (ERC) ou por bactérias Gram-negativas resistentes a quinolona e com produção de ESBL (MRGN). Durante o curso de profilaxia, 35,1% dos pacientes passaram a apresentar colonização por um novo germe com padrão de multirresistência (22,1% com VRE, 13% com MRGN e 6,5% com ERC).

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Tinta antimicrobiana

A proporção de pacientes que desenvolveram infecção em vigência de profilaxia foi alta (45,5%), com 20,8% dos indivíduos no estudo apresentando mais de uma infecção bacteriana. Os autores destacam que 14 pacientes (18,2%) tiveram, pelo menos, uma infecção com germe multirresistente. A proporção de pacientes com bactérias Gram-negativas com resistência a quinolona detectadas por screening com swab ou isoladas em cultura durante um episódio infeccioso aumentou de 11,7% para 33,8% durante o período de estudo.

Dos pacientes que desenvolveram peritonite bacteriana durante a profilaxia (16,9%), em todos as bactérias isoladas apresentavam resistência a quinolonas. Ao mesmo tempo, nenhum dos pacientes que não possuíam germes resistentes no início do estudo ou durante a profilaxia desenvolveu PBE. A análise multifatorial mostrou a presença de bactérias Gram-negativas resistentes a quinolonas como fator de risco independente para falha a profilaxia. Interessante notar que o único fator de risco encontrado para o desenvolvimento de resistência a antimicrobianos foi o uso de carbapenêmicos durante a hospitalização. O tipo de profilaxia (norfloxacino ou ciprofloxacino), uso concomitante de rifaximina e o número de dias de hospitalização não foram associados à emergência de germes resistentes.

Apesar de ser um estudo único, não controlado, os resultados sugerem que profilaxia com quinolonas pode não ser efetiva em uma proporção dos pacientes cirróticos que a recebem, notadamente os colonizados por microrganismos multirresistentes. Entretanto, os autores destacam que outros estudos, com populações em que possivelmente há menor prevalência de organismos resistentes, mostram eficácia e segurança de profilaxia com quinolonas e sugerem o rastreio sistemático de pacientes para bactérias resistentes com indicação de receber profilaxia para PBE, com o objetivo de orientar antibioticoterapia futura ou mesmo rever o uso de quinolonas caso a emergência de resistência seja detectada.

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Referências:

  • Mucke, MM, Mayer, A, Kessel, J, et al. Quinolone and multidrug-resistance preditc failure of antibiotic prophylaxis of spontaneous bacterial peritonitis. Clin Infect Dis. 2019 Jun 20. pii: ciz540. doi: 10.1093/cid/ciz540.

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