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médica atendendo uma criança internada

Risco operatório em pediatria: quem, quando e como?

Tempo de leitura: 3 minutos.

Avaliações precedentes às intervenções cirúrgicas de pequeno porte, como postectomias e herniorrafias ou sedação para exames diagnósticos, são comuns no dia-a-dia da pediatria, além daquelas para cirurgias de médio e grande portes (quadro 1). Não é incomum nos depararmos com a dúvida de como realizar o pré-operatório mais adequado nos pacientes pediátricos.

A Academia Americana de Pediatria (APP) em sua publicação The Pediatrician’s Role in the Evaluation and Preparation of Pediatric Patients Undergoing Anesthesia preconiza a sistematização do atendimento proporcionando adequada avaliação desses pacientes em nível primário, seguindo o princípio de avaliação clínica do estado físico e comorbidades preconizado pela American Society of Anesthesiology (ASA), também conhecido como risco ASA (quadro 2).

Quadro 1: Reprodução – www.amrigs.org.br/revista/54-02/23-pratica_medica.pdf
Quadro 2: Reprodução – www.amrigs.org.br/revista/54-02/23-pratica_medica.pdf

O principal objetivo desta sistematização é descrever para o pediatra os tópicos de interesse na avaliação pré-operatória e apresentar as informações pertinentes que facilite a abordagem do paciente e a comunicação entre cirurgiões, anestesistas, especialistas e pediatras.

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De forma simplificada, um questionário com as perguntas abaixo poderá orientar a anamnese para avaliação de risco:

  • O seu filho apresentou resfriado ou outra infecção respiratória nas últimas quatro semanas?
  • O seu filho apresenta um adequado crescimento, desenvolvimento e capacidade para realização do exercício físico?
  • Alguma vez o seu filho apresentou falta de ar durante o exercício ou ficou com os lábios azulados? Tem conhecimento de que é possuidor de sopro inocente?
  • O seu filho apresenta chiado no peito?
  • Algumas vezes seu filho foi entubado (usou um tubo para auxiliá-lo a respirar)? Se sim, por quanto tempo?
  • O seu filho ronca?
  • O seu filho ou outra pessoa da família apresenta problemas neurológicos?
  • O seu filho ou outra pessoa da família tem sangramento grave ou apresenta hematomas com facilidade (roxos na pele)?
  • O seu filho fez uso de ibuprofeno ou outro anti-inflamatório, aspirina/AAS ou medicação similar nas últimas duas semanas?
  • O seu filho tem problemas de anemia ou faz uso de medicação contendo ferro/sulfato ferroso?
  • O seu filho ou outro membro da família tem problema com anestesia?
  • A sua filha já menstruou? Se sim, quando foi a última menstruação? Há possibilidade de ela estar grávida?
  • O seu filho tem alergia? Quais?
  • Que medicamentos são de uso regular?

Ainda segundo a AAP, não há regras para a coleta de exames laboratoriais em crianças hígidas que serão submetidas a procedimentos de mínimo risco para a perda sanguínea ou baixo comprometimento cardiovascular, neurológico ou pulmonar. Alguns centros pedem a dosagem de hemoglobina para lactentes e para pacientes em que a perda de sangue é esperada. Em crianças saudáveis, laboratório e exames radiológicos devem ser limitados às situações onde a história e o exame físico sinalizam uma possibilidade de risco específico.

Mais da autora: ‘Atividade física na infância: a importância do exercício para os cardiopatas’

A consulta ao especialista deve ser realizada sempre que a avaliação inicial sugerir a presença de alterações cardiovasculares, pulmonares, neurológicas, doenças hematológicas ou cardiovasculares, erro inato do metabolismo, diabetes, hipertensão, pacientes transplantados, nefropatia, insuficiência renal e obesidade mórbida.

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