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despertador em uma cama em preto e branco

Saiba a importância do tema de estudo dos ganhadores do Nobel de Medicina 2017

Tempo de leitura: 3 minutos.

Os ganhadores do Prêmio Nobel em Medicina / Fisiologia deste ano, Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young, foram cientistas que se dedicaram ao estudo do RITMO CIRCADIANO, um dos capítulos da Cronobiologia que faz interseção com a Medicina do Sono.

Tanto a globalização, que fez crescer vertiginosamente a quantidade de viagens intercontinentais, quanto o avanço da tecnologia, que aumentou o tempo de exposição da retina humana à luz, fizeram com que os distúrbios do ritmo circadiano se tornassem mais frequentes. É importante que o médico conheça seus sintomas para adequado diagnóstico e tratamento.

– “Jet lag”

Série de alterações que acontecem no organismo quando se viaja para um local com fuso horário muito diferente. Incluem insônia , despertar precoce, sonolência excessiva diurna, fadiga, dificuldade de concentração, alterações de humor, alteração do hábito intestinal e sensação de mal estar inespecífica. Ocorre geralmente dentro de um a dois dias de uma viagem longa (pelo menos dois fusos horários). Quanto mais longa e na direção leste for a viagem, maior a chance de sofrer com os sintomas de jet lag. Normalmente o quadro se resolve sozinho dentro de alguns dias. Algumas medicações podem ser usadas neste período como os indutores do sono, por exemplo as drogas Z, que ajudam o indivíduo a dormir na hora planejada ao invés do horário comandado pelo relógio biológico. A melatonina, apesar de ainda não ter sido liberada no Brasil pela Anvisa, é bem estudada e segura no tratamento dos sintomas.

– Atraso de fase

Quando há uma tendência a dormir mais tarde e acordar mais tarde, acontece fisiologicamente nos adolescentes. É atualmente agravado pelo uso abusivo de smartphones e tablets. Pode ser confundido com insônia de início do sono ou sonolência excessiva diurna (por privação de sono). Devido ao fato de boa parte das escolas brasileiras apresentarem o turno da manhã como preferencial para os ensinos fundamental e médio, o atraso de fase pode estar relacionado ao baixo rendimento escolar. Orientações de higiene do sono, troca do horário de estudo para o turno da tarde podem ser alternativas não medicamentosas para contornar o problema.

Mais da autora: ‘Apneia obstrutiva do sono: o que todo médico deve saber’

– Avanço de fase

Quando há uma tendência a dormir mais cedo e acordar mais cedo, acontece fisiologicamente no idoso e frequentemente levam a erros diagnósticos de insônia com ” despertar precoce”. Com isso, inicia-se equivocadamente uma medicação indutora do sono, na maioria das vezes benzodiazepínica, que leva a uma série de prejuízos especialmente na população idosa como dependência, piora cognitiva e aumento do risco de queda.

– Síndrome do trabalhador de turno (shift work syndrome)

Cada vez mais comum tendo em vista o aumento dos serviços “24 horas”. Atualmente a legislação brasileira diz que cada hora do trabalho diurno equivale a 52 minutos e 30 segundos do trabalho noturno, ou seja, a cada 7 horas trabalhadas neste período são computadas 8 horas de trabalho. Oficialmente o período noturno de trabalho vai das 22 às 5 horas, devendo o trabalhador receber hora extra se ultrapassar este período. Para plantonistas, a cada 12 horas trabalhadas, deveria haver um descanso de 36 horas ininterruptas. Existe ainda o adicional noturno (20% por hora trabalhada). Apesar das aparentes vantagens, o trabalho noturno é anti-fisiológico, principalmente se não for respeitado o período diurno de descanso. Causa sintomas como irritabilidade, sonolência, fadiga, além de aumentar o número de acidentes de trabalho e ser fator de risco para o uso de drogas estimulantes e dependência química. Vários estudos têm mostrado que trabalhadores noturnos também têm maior risco de câncer, doença cardíaca, problemas digestivos e irregularidades menstruais.

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Referências:

  • Darien, IL. International classification of sleep disorders, 3rd ed. American Academy of Sleep Medicine, 2014.
  • http://blog.seguridade.com.br/como-funciona-o-adicional-noturno-de-funcionarios/
  • Liira, Juha; Verbeek, Jos H.; Costa, Giovanni; Driscoll, Tim R.; Sallinen, Mikael; Isotalo, Leena K.; Ruotsalainen, Jani H. (2014). “Pharmacological interventions for sleepiness and sleep disturbances caused by shift work”. The Cochrane Database of Systematic Reviews.
  • Kurt, Straif (December 2007). “IARC Monographs Programme finds cancer hazards associated with shiftwork, painting and firefighting” (Press release). International Agency for Research on Cancer. Retrieved 2010-06-08.
  • Nicholson PJ, D’Auria DA (April 1999). “Shift work, health, the working time regulations and health assessments”. Occup Med (Lond). 49 (3): 127–37. PMID 10451593. doi:10.1093/occmed/49.3.127

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