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CBMI 2018

Saiba quais são os antimicrobianos mais prescritos incorretamente

Tempo de leitura: 2 minutos.

O tema “uso racional de antimicrobianos” tem sido tradicionalmente considerado uma iniciativa em ambiente hospitalar, embora a maioria das prescrições de antimicrobianos ocorra fora desse cenário. Apesar de se reconhecer a necessidade de expansão do uso racional para além das paredes hospitalares, é difícil elaborar as estratégias devido à heterogeneidade dos cuidados com a saúde na comunidade. Dois estudos publicados recentemente avaliaram a problemática das prescrições de antimicrobianos no ambiente comunitário.

Shively et al. (2018) avaliaram 3880 prescrição de antibióticos elaboradas por 74 médicos da atenção primária distribuídos em sete clínicas nos Estados Unidos. Foram também avaliadas 5% das prescrições por médicos para determinar a concordância com os consensos nacionais. Os antibióticos prescritos em sua maioria consistiam de azitromicina (25,8%), amoxicilina-clavulanato (13,3%), doxiciclina (12,4%), amoxicilina (11%), fluoroquinolonas (11%) e sulfametoxazol-trimetoprim (10,6%).

Leia mais: Uso de antimicrobianos: balanceando os riscos e benefícios

As indicações mais comuns foram para infecção do trato respiratório (28,3%) e infecção do trato urinário (23%). Dentre as inadequações, foram verificadas:

  • Antibióticos não prescritos em 49,7% dos casos;
  • Antibióticos incorretamente prescritos em 12,3% dos casos, especialmente azitromicina e ciprofloxacino;
  • Terapia antimicrobiana com duração incorreta em 14% dos casos;
  • Antibióticos prescritos sem a visita do paciente em 34% dos casos.

Palms et al. (2018) analisaram o banco de dados de uma organização comercial (Truven Health MarketScan Commercial Claims and Encounters Database) para a avaliação de prescrição de antibióticos para pacientes abaixo de 65 anos com seguro de saúde e no ambiente comunitário. Foram também analisadas as prescrições não indicadas para tratamento das patologias apresentadas de acordo com os consensos locais, com taxas de 5 a 17%, especialmente em prontos-socorros.
Os estudos ressaltam a importância da expansão do alcance do uso racional de antimicrobianos para unidades de atenção primária e prontos-socorros, e sugerem como passo inicial a intensa divulgação e exploração dos consensos e atualizações nacionais.

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Autor:

Rafael Duarte

M.D., PhD. ⦁ Médico ⦁ Microbiólogo ⦁ Professor Associado / Lab. Micobactérias, Depto. Microbiologia Médica, Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, Centro de Ciências da Saúde – Universidade Federal do Rio de Janeiro

Referências:

  • Shively NR, Buehrle DJ, Clancy CJ, Decker BK. Prevalence of inappropriate antibiotic prescribing in primary care clinics within a Veterans Affairs Health Care System. Antimicrob Agents Chemother. 2018;62: pii: e00337-18.
  • Palms DL, Hicks LA, Bartoces M, et al. Comparison of antibiotic prescribing in retail clinics, urgent care centers, emergency departments, and traditional ambulatory care settings in the United States (Research Letter). JAMA Intern Med. 2018;178:1267-1269.

2 Comentários

  1. CELSO KAZUHIKO SATO KATO

    Bom.

  2. Renaldi Bertoldo

    Muito bom.

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