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Sarcopenia e fatores de risco: como minimizar os prejuízos durante a quarentena?

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Talvez o fato que mais te chame a atenção sobre a sarcopenia é de que a prevalência pode chegar a 30% dos idosos e até 10% dos pacientes internados por doenças agudas e mesmo assim não ser um possível diagnóstico levantado nas consultas de rotina.

Sarcopenia na quarentena

Múltiplos fatores se associam com o surgimento da sarcopenia e, devido a quarentena, vários deles se intensificaram.
Com diagnóstico relativamente simples, acessível e com baixo custo, a sarcopenia é definida como perda da massa e função muscular. Podendo estar presente tanto em indivíduos com o IMC baixo, quanto alto. Esta é denominada como obesidade sarcopênica, onde, ao mesmo tempo, existe excesso de tecido adiposo com baixa massa e/ou função muscular.

Sabemos que o momento atual exige atenção máxima e que o distanciamento social, o menor deslocamento diário e “ficar em casa” são medidas sensatas e que colaboram para o combate da pandemia do coronavírus. Contudo, não podemos nos esquecer das demais variáveis de saúde.

A sarcopenia pode se desenvolver de maneira aguda, devido a internações hospitalares prolongadas, imobilizações ou outras condições clínicas que cursem com imobilidade, déficits energéticos e uso de medicações que impactam negativamente a massa e função muscular.

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Contudo, a maioria dos pacientes com sarcopenia se encaixam no padrão de desenvolvimento crônico da doença, que por sua vez é multifatorial. Nível de atividade física, hábitos e preferências alimentares, uso de medicações, doenças consuptivas e uso de prótese dentária dificultando a mastigação são alguns exemplos.

Diversos estudos relacionam o tempo sob comportamento sedentário e o menor massa e função muscular. Em quarentena, simples ações preventivas como atividades físicas não programadas (caminhada até o trabalho, subir escadas, esperar em pé em uma fila) diminuíram significativamente para a maioria da população.

Veja mais: Coronavírus: qual a relação entre vitamina D e infecções respiratórias?

Outro fato que agrava ainda mais o prognóstico de saúde muscular a médio e longo prazo é o fechamento das academias, estúdios e centros esportivos. Sabemos que muito tem buscado se exercitar em casa, via internet ou com os conhecimentos que já possui, mas a grande parcela da população, talvez os que mais necessitem, podem não ter conseguido se adaptar e reduziram minutos de exercício físicos semanais drasticamente.

As consequências da diminuição da atividade física não programada e dos exercícios físicos ainda não podem ser medidas ou estimadas, mas devem estar no radar de atenção imediata dos profissionais de saúde, uma vez que são fatores de risco para diversas doenças crônicas com alta morbimortalidade.

Outro fato que deve ser levado em consideração é a consequente redução do gasto energético diário. Mais horas sentados ou deitados e menos horas em pé, caminhando ou se exercitando. Muito provavelmente a população está aumentando sua massa gorda diariamente durante essa quarentena.

Um ponto importante no desenvolvimento da sarcopenia é o padrão alimentar. Baixa ingesta proteica e excesso de carboidratos totais, levando ao quadro de resistência insulínica, são dois erros comuns e graves nesse processo.

Com mais tempo em casa, surge uma boa oportunidade: melhor escolhas alimentares e cozinhar seu próprio alimento. Sabemos que o consumo de refeições fora de casa, em sua maioria, colabora para o ganho de peso, não possuem quantidades satisfatórias de proteínas e ainda expõe o paciente ao risco exagerar nos carboidratos.

Dar preferências a proteínas de fonte animal, laticínios, verduras, legumes,frutas com baixa carga glicêmica e evitar o excesso de cereais, tubérculos e grãos, desde que respeitando a o limite de calorias diário, é uma estratégia útil, custo efetiva, comprovada cientificamente e que ataca múltiplas causas do desenvolvimento de sarcopenia (padrão low-carb).

Leia também: Sarcopenia: um elo entre a nutrologia e a geriatria

Orientações

Para que tenhamos consequências mais brandas nos próximos meses, devemos orientar nossos pacientes sobre a importância de se fazer o dever de casa, especialmente em tempos de pandemia.

O objetivo maior agora não é ganhar massa ou função muscular. Poucos conseguirão tais resultados. O foco agora é na manutenção e na desaceleração das perdas de massa muscular e função muscular.

Em suma, seguem abaixo orientações ao paciente que podem minimizar as perdas durantes a quarentena.

  • Manter boa ingesta proteica, para pacientes sem contraindicações formais, o consumo de 1.2 g/kg de proteína por dia é o mínimo relacionado com desfechos positivos;
  • O uso de suplementos alimentares, preferencialmente Whey Protein, é uma excelente e segura opção para pacientes que não atingem esse níveis de proteína/kg/dia, especialmente idosos. Uma dose média de whey protein possui em 22-28 g de proteína, o suficiente para aumentar em 0,4 g/kg/dia a ingesta de proteína de um idoso de 60 kg, sendo talvez uma ação suficiente para corrigir a dieta hipoproteica;
  • Em pacientes com baixo IMC o aumento de 400 kcal dia se mostrou positivo na prevenção do surgimento de sarcopenia;
  • Reduzir a ingesta de alimentos com altas quantidades de carboidratos refinados, tais como, sucos de frutas, cereais e grãos refinados refrigerantes e cerveja. Além disso, industrializados densos em calorias provenientes da combinação de açúcares adicionados e gorduras;
  • Blocos de 10 minutos diários de movimentação já são efetivos para a redução da perda de massa e função muscular. Caminhar no corredor de casa, ficar mais tempo em pé, subir e descer as escadas do prédio são ações válidas;
  • Exercícios de calistenia são úteis e seguros. Especialmente para idosos, simples movimentos como o agachamento com uma cadeira atrás podem ser suficientes para minimizarmos a perda de massa e função muscular. O número de repetições e séries dependerá muito do status atual do paciente, mas até para indivíduos frágeis, série de 2 a 3 repetições são possíveis e seguras, podendo ser o pontapé inicial do processo.

Simples ações como as acima podem minimizar a acúmulos e agravamento dos fatores de risco para doenças crônicas, incluindo as cardiovasculares que são a número um em mortes anuais.

Assim como estamos todos unidos para achatar a curva de progressão do coronavírus, não podemos nos esquecer de prevenir um pico de complicações advindas da piora do status de saúde da população devido aos maus hábitos durante a quarentena.

Cuidem-se.

Autor:

Referências bibliográficas:

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Um comentário

  1. Avatar

    Excelente. Muito instrutivo e didádico.

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