Mastologia

SBM orienta quando realizar mamografia de rotina diante da vacinação contra a Covid-19

Tempo de leitura: 3 min.

Mulheres devem realizar mamografia de rotina antes de tomar a vacina contra a Covid-19 ou quatro semanas após a segunda dose, segundo orientação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Em casos em que a paciente não puder esperar o tempo recomendado para realizar o exame, deve informar ao radiologista e ao médico que a acompanha que recebeu a dose do imunizante.

A recomendação veio após o aumento dos relatos de gânglios linfáticos inchados e de aparência anormal na axila do mesmo lado onde as vacinas da Covid-19 foram administradas.

Leia também: Câncer de mama: diretrizes de mamografia em pacientes idosas

Os gânglios linfáticos inchados sob o braço, também conhecidos como adenopatia axilar, não são um efeito colateral incomum de receber uma vacina. Eles são temporários e significam um bom sinal no que diz respeito à imunidade.

As recomendações visam alertar às pacientes para possíveis confusões entre uma reação comum da vacina e sintomas de câncer de mama.

Entenda melhor

Uma das reações do corpo a qualquer imunizante é o aumento dos linfonodos na axila, que pode ser detectado em exames de mamografia e causar preocupação desnecessária às pacientes.

“Quando a pessoa recebe uma vacina, faz uma reação local no braço, como dor e inchaço, e regional nos linfonodos, que vão aumentar de volume. Se a mulher fizer a mamografia logo depois de ser vacinada, o linfonodo aumentado vai aparecer na mamografia e o radiologista vai ter que relatar isso no laudo. Neste caso, a orientação, neste caso, é repetir o exame em curto período de tempo”, explicou Vilmar Marques, presidente da SBM, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo (Estadão).

Nos Estados Unidos, os médicos já aprenderam que vacinas contra a Covid-19 aplicadas por lá podem fazer com que os gânglios linfáticos fiquem inchados do mesmo lado onde a pessoa recebeu a injeção.

“Essa é uma ocorrência normal, que significa que o seu corpo está construindo uma resposta imunológica para combater o vírus. O inchaço pode ser um sinal de que o corpo está produzindo anticorpos em resposta à vacina conforme o pretendido”, explicou a chefe da divisão de exames de imagem da mama do UH Cleveland Medical Center, Holly Marshall, em entrevista ao portal da University Hospitals.  

Estudo de casos

De acordo com informações fornecidas pela SBM, a adenopatia axilar foi relatada por 11,6% das pessoas que receberam a vacina contra a Covid-19 da Moderna. Outros imunizantes que provocam uma resposta imune forte como a do sarampo e a da influenza podem gerar a mesma reação.

Já na vacina Pfizer-BioNTech, o problema não constava na lista de efeitos adversos, porém foi citada de forma espontânea em 64 casos no grupo que recebeu o imunizante, até mesmo em dois relatos no grupo de placebo, cerca de dois a quatro dias após a vacinação, durando em média dez dias.

Um artigo publicado na revista Clinical Imaging no início deste ano descreveu quatro estudos de caso em que quatro mulheres sem histórico de câncer de mama tinham nódulos linfáticos inchados. Alguns dos gânglios linfáticos inchados podiam ser sentidos, outros eram visíveis apenas por imagens que seus médicos pediram.

Todos os quatro haviam recebido recentemente sua primeira dose da vacina contra a Covid-19 na parte superior do braço, uma a duas semanas antes. Três receberam a vacina Pfizer-BioTech, e o quarto havia recebido a vacina Moderna.

Orientações médicas

A orientação é que seja incluído na coleta de informações das pacientes o status da vacinação, com data e lado do braço em que foi aplicada, além do tipo da vacina recebida.

Saiba mais: Covid-19: Gestantes só devem tomar CoronaVac ou Pfizer, orienta Ministério da Saúde

Quando a alteração no linfonodo for detectada no exame da mulher que tiver recebido o imunizante, e ela não apresentar lesão mamária suspeita concomitante, a orientação é classificar como provavelmente benigno (BI-RADS 3) e recomendar controle após quatro a 12 semanas da segunda dose da vacina.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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