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Segurança e imunogenicidade da coadministração de vacinas contra Covid-19 e Influenza

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A vacinação contra Covid-19 é considerada um dos pilares do controle da doença ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, a prevenção de outras doenças não pode ser negligenciada e baixas taxas de adesão a outras vacinas preocupam. A vacinação contra Influenza é associada a redução na hospitalização, mortalidade e ocorrência de eventos cardiovasculares. Como ambos os vírus possuem transmissão respiratória, circulação concomitante de Influenza e SARS-CoV-2 é uma possibilidade e a imunização contra as duas condições é importante.

A coadministração de vacinas é uma estratégia que favorece maior adesão a diferentes imunizantes e a otimização de recursos. As recomendações internacionais ainda sugerem um intervalo de 14 dias entre as vacinas de Covid-19 e Influenza, principalmente para diminuir a possibilidade de eventos adversos serem erroneamente atribuídos aos imunizantes contra Covid-19 – tornando mais preciso o processo de farmacovigilância – e por falta de dados em relação à administração conjunta das duas vacinas.

Um estudo britânico denominado ComFluCOV procurou avaliar a administração concomitante de vacinas contra Covid-19 das plataformas de adenovírus não replicante e de RNAm com vacinas inativadas de Influenza, buscando avaliar a segurança e a imunogenicidade dessa prática.

Leia também: Influenza: Ministério da Saúde amplia vacinação para toda a população brasileira

Segurança e imunogenicidade da coadministração de vacinas contra Covid-19 e Influenza

Materiais e métodos

O ComFluCOV é um estudo multicêntrico, randomizado e controlado, conduzido em 12 centros no Reino Unido. O estudo foi desenhado para investigar a administração da segunda dose de duas vacinas contra Covid-19 – Astrazeneca/Oxford ou Pfizer – com três vacinas contra Influenza – trivalente com adjuvante, tetravalente celular ou tetravalente recombinante.

Os participantes incluídos foram randomizados para receber um dos tipos de vacina contra Influenza ou placebo junto com a segunda dose da vacina contra Covid-19. Participantes, médicos e laboratoristas eram cegos para o braço em que cada indivíduo foi alocado. Na segunda visita dos estudos, realizada entre 21 e 28 dias após a visita inicial do estudo, os voluntários receberam uma segunda injeção de acordo com o braço do estudo em que estavam: os que receberam a vacina na primeira visita receberam placebo na segunda e vice-versa.

O desfecho primário foi a ocorrência de um ou mais sintomas sistêmicos (febre aferida ou não, calafrios, artralgia, mialgia, fadiga, cefaleia, astenia, náuseas, vômitos e diarreia) nos 7 dias seguintes à vacinação na visita de entrada do estudo. Desfechos secundários incluíram segurança e reatogenicidade, avaliados pela ocorrência de reações locais, eventos adversos sistêmicos nos 7 dias seguintes à vacinação no dia 21 e eventos adversos durante todo o período do estudo.

Outros desfechos avaliados foram a concentração sérica de imunoglobulina contra proteína S do SARS-CoV-2 nos dias 0 e 21 e inibição sérica de vírus de Influenza por anticorpos nos dias 0, 21 e 42.

Resultados

Foram incluídos 679 participantes no estudo, sendo 340 alocados no grupo que recebeu ambas as vacinas de forma concomitante e 339, no grupo que as recebeu de forma separada. Dados do desfecho primário puderam ser determinados para 96% dos participantes: dos 330 participantes que haviam sido alocados para vacinação concomitante, 77% reportaram pelo menos uma das reações sistêmicas solicitadas em comparação com 75% dos 321 participantes que estavam no outro braço do estudo. Em todas as coortes, isto é, em todas as combinações de vacinas, as reações sistêmicas foram, em sua maioria, leves ou moderadas. A frequência de participantes que reportaram reações locais foi similar em todas as coortes.

Saiba mais: Instituto Butantan inicia testes clínicos de vacina tetravalente contra a Influenza

Com isso, a coadministração de vacinas contra Covid-19 e Influenza foi considerada não-inferior à administração da vacina contra Covid-19 de forma isolada em relação à ocorrência de reações sistêmicas nos primeiros 7 dias após vacinação.

Os valores médios de imunoglobulina contra proteína S, medidos no dia 21, foram semelhantes entre os participantes que receberam vacina contra Influenza junto com a vacina contra Covid-19 e os que receberam placebo. Também não houve diferença entre os grupos nos ensaios que avaliaram a neutralização de vírus Influenza.

Mensagens práticas

Os resultados desse estudo mostram um perfil aceitável de eventos adversos com a administração conjunta de vacinas contra Covid-19 e Influenza, sendo considerada uma estratégia segura. As respostas vacinais contra SARS-CoV-2, mensuradas com dosagem de anticorpos após 21 dias, foram preservadas com a administração de vacina contra Influenza.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Lazarus, R, Baos, S, Cappel-Porter, et al. Safety and immunogenicity of concomitant administration of COVID-19 vaccines (ChAdOx1 or BNT162b2) with seasonal influenza vaccines in adults in the UK (ComFluCOV): a multicentre, randomised, controlled, phase 4 trial. The Lancet. DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(21)02329-1
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