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Síncope na sala de emergência: como avaliar o risco?

Tempo de leitura: 3 minutos.

A síncope é um sintoma relativamente frequente na sala de emergência. Nos Estados Unidos, cerca de 1-2% das causas de internação apresentam como sintoma principal a síncope. O fenômeno é definido como uma perda súbita de consciência associada à incapacidade de manutenção do tônus postural. 

Embora a maioria dos desfechos sejam positivos, uma quantidade significativa de casos evolui com complicações. Conhecer preditores e classificação de risco para pacientes que se apresentam com síncope é uma ferramenta eficaz para auxiliar na tomada de decisão clínica.

Saint Francis Syncope Rule

Vários estudos se propuseram a tentar delimitar isso. O maior deles foi Saint Francis Syncope Rule (SFSR), que foi validado externamente sete vezes: US (3 prospectivamente, 1 retrospectiva) e uma no Canadá (retrospectiva), Austrália (prospectiva) e Itália (prospectiva) com um pool combinado de 4250 pacientes. Houve 434 (10%) desfechos graves nesses pacientes, incluindo 17 mortes (0,4%) ocorridas nos sete dias após a apresentação inicial do serviço de emergência. Desses casos, 60 não teriam sido previstos pela regra (1,4%). A sensibilidade combinada dessa regra é de 86%.

O SFSR significa avaliar paciente com o seguintes critérios para determinar seu risco de mortalidade ao longo dos próximos 7 dias:

  • História de Insuficiência Cardíaca Congestiva;
  • Hematócrito < 30%;
  • ECG alterado;
  • História de dispneia;
  • Pressão sistólica < 90 mmHg na triagem.

Se qualquer um dos critérios acima estiverem presentes diante de um paciente com síncope:

  • O risco de uma complicação grave em 7 dias é de 1 em 10,
  • O risco de morte em  7 dias é de 1 em 250.

Leia mais:  Monitorização de síncope na emergência: qual tempo de observação?

As arritmias são as principais etiologias das síncopes, cerca de 40% dos desfechos graves estão relacionados a elas, bem como 60% dos erros da SFRS. Algumas das arritmias são diagnósticos relevantes como taquicardias ventriculares. No entanto, esse grupo diagnóstico também engloba patologias benignas como pausas sinusais, extrassístoles isoladas, bradicardias sinusais. Por haver essa ampla variedade de possibilidades é que os erros da regra atribuídas a essa classe diagnóstica ocorrem.

Embora seja uma regra útil, com alta sensibilidade, os estudos que a avaliam deve ser compreendidos no âmbito de suas limitações. Como alguns dados são oriundos de estudos retrospectivos, seu poder de generalização acaba diminuindo sua validade externa. Além disso, a chance de erro (considerar um caso grave como baixo risco) também não é desprezível.

Considerações Finais

Na prática, essa é uma boa ferramenta para organizar seu pensamento clínico em casos de síncope com causas não óbvias pela história inicial, sendo boa para você estruturar o que deve ou não relevar ao se abordar um caso de síncope. E o principal: uma vez que algum critério tenha sido preenchido, proceder a investigação específica para guiar o tratamento o quanto antes. 

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Referências:

  • Serrano LA, Hess EP, Bellolio MF, et al. Accuracy and quality of clinical decision rules for syncope in the emergency department: a systematic review and meta-analysis. Ann Emerg Med. 2010 Oct;56(4):362-373.e1. Review. PubMed PMID: 20868906; PubMed Central PMCID: PMC2946941.
  • Quinn J, McDermott D, Stiell I, et al. Prospective validation of the San Francisco Syncope Rule to predict patients with serious outcomes. Ann Emerg Med. 2006;47:448-454.
  • Quinn JV, Stiell IG, McDermott DA, et al. Derivation of the San Francisco Syncope Rule to predict patients with short-term serious outcomes. Ann Emerg Med. 2004;43:224-232.
  • Schladenhaufen R, Feilinger S, Pollack M, et al. Application of San Francisco Syncope Rule in elderly ED patients. Am J Emerg Med. 2008;26:773-778.
  • Sun BC, Mangione CM, Merchant G, et al. External validation of the San Francisco Syncope Rule. Ann Emerg Med. 2007;49:420-427, e424.
  • Dipaola FCG, Perego F, Borella M, et al. San Francisco Syncope Rule, Osservatorio Epidemiologico sulla Sincope nel Lazio risk score, and clinical judgment in the assessment of short-term outcome of syncope. Am J Emerg Med. 2010;28:432-439.

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