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Surto de conjuntivite: o que saber?

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A conjuntiva é uma membrana mucosa transparente que recobre a superfície interna das pálpebras e a superfície do globo até o limbo. É ricamente vascularizada, suprida pelas artérias ciliar anterior e palpebral. Tem papel-chave de proteção, mediando tanto a imunidade ativa quanto a passiva. O epitélio é não queratinizado e apresenta uma profundidade de cerca de cinco camadas de células.

Entende-se por conjuntivite qualquer inflamação da conjuntiva. Tem como característica o olho vermelho. A conjuntivite aguda é classificada em infecciosa (viral e bacteriana) e não infecciosa (alérgica e não alérgica). Os sintomas não específicos incluem lacrimejamento, sensação de areia, pontada e queimação. Prurido é a marca característica da doença alérgica. Dor significativa, fotofobia ou uma sensação acentuada de corpo estranho sugerem envolvimento da córnea. Nesse texto, iremos abordar a conjuntivite viral.

Conjuntivite viral

A conjuntivite viral é o tipo de conjuntivite mais comum. É mais frequentemente causada pelo adenovírus (um vírus de DNA com dezenove subtipos que podem causar conjuntivite). A infecção pode ser esporádica ou pode ocorrer em epidemias (como a atual) em locais de trabalho, escolas e piscinas. É altamente contagiosa, uma vez que as partículas virais podem sobreviver em superfícies secas por semanas e pelo fato de que a dispersão viral pode ocorrer por muitos dias antes dos achados clínicos estarem presentes. A transmissão é geralmente pelo contato com as secreções respiratórias e oculares, incluindo via fomites, como toalhas e objetos contaminados.

Os principais sintomas que podem estar presentes são: olho vermelho (hiperemia conjuntival) com folículos, secreção aquosa composta de exsudato seroso e lágrimas, aderência ou formação de crostas entre as pálpebras (sendo pior pela manhã), edema palpebral, linfadenopatia pré-auricular dolorosa e sensação de corpo estranho. Pode haver pseudomembranas, que consiste em exsudato coagulado aderente ao epitélio conjuntival inflamado ou membranas verdadeiras. Com frequência, inicia em um olho e afeta o outro dentro de poucos dias, sendo típica a piora durante os primeiros quatro a sete dias.

É uma condição autolimitada com a resolução espontânea usualmente ocorrendo no período de 2 a 3 semanas. Investigações (cultura, swab, PCR, etc) são geralmente desnecessárias, sendo apenas consideradas quando houver dúvida diagnostica ou se houver falha na resolução da condição. Deve-se estimular a redução do risco de transmissão pela higienização meticulosa das mãos, evitando esfregar o olho afetado e compartilhar toalhas.

O tratamento deve ser realizado com compressas frias para alívio dos sintomas e com lágrimas artificiais sem conservantes 4-8 vezes ao dia, por 1 a 3 semanas. Se possível, utilizar flaconetes de uso único para limitar a contaminação e a disseminação da patologia. Se o prurido for intenso, podem ser usados colírios anti-histamínicos. Esteroides tópicos, 4 vezes ao dia, podem ser necessários em conjuntivite por adenovírus com membrana ou pseudomembrana grave. O uso rotineiro de antibióticos tópicos para conjuntivite viral é desaconselhado, exceto se existirem erosões, suspeita de infecção bacteriana ou em casos graves. Lentes de contatos devem ser suspensas até resolução total dos sintomas.

No texto do mês que vem, falaremos sobre os outros tipos de conjuntivite. Fiquem ligados!

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