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Tabagismo como um fator determinante na rinossinusite crônica

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A Rinossinusite Crônica (RSC) é uma afecção de fisiopatologia heterogênea que ocasiona uma sobrecarga econômica significativa ao sistema de saúde (estima-se um custo de US$ 10.000/paciente/ano). É causada por uma combinação de fatores inflamatórios, ambientais e de hospedeiro. No entanto, o mecanismo preciso de como cada fator leva à RSC, continua incerto.

Um estudo realizado por um grupo da Filadélfia, em 2016, discutiu as publicações mais recentes sobre os fatores de risco e comorbidades da RSC. Neste, fatores como o tabagismo, alergia, asma, bronquiectasia, alterações anatômicas, disfunção mucociliar e sensibilidade à aspirina foram avaliadas.

Mantiveram-se ainda conflitantes, os resultados da associação da RSC com alergia e asma, muito embora estas patologias compartilhem uma etiologia comum envolvendo uma resposta inflamatória hiperreativa a um estímulo. Entretanto, há evidências de que tais condições sejam comórbidas.

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A disfunção ciliar e a inflamação também aparecem simultaneamente nas vias aéreas superiores e inferiores, como se observa em pacientes que têm RSC concomitantemente com bronquiectasia, asma ou sensibilidade à aspirina

Entretanto, diversos estudos concordam na relação entre o tabagismo e o aumento do risco de desenvolver RSC, assim como certas alterações anatômicas nasossinusais.

O tabagismo induz um aumento da resistência das vias aéreas, irritação, congestão nasal e rinorreia. O tabaco demonstrou efeitos adversos no clearance mucociliar nasossinusal, na função imune e na geração de metaplasia da mucosa olfatória. O tabagismo ativo tem sido associado ao aumento dos marcadores de inflamação sistêmica, ao mesmo tempo que provoca uma redução relativa de eosinófilos circulantes.

Um recente estudo publicado na Laryngoscope, em Jan/2017, de um grupo de Harvard, demonstrou que o tabagismo atua como fator de risco independente na diminuição da produtividade em pacientes com RSC.

Mais da autora: ‘Melatonina: uso correto e potencial efeito terapêutico’

A diminuição da qualidade de vida associado à RSC é comparável ou pior do que outras doenças crônicas como a asma e a doença cardíaca.

Outras condições comórbidas associadas são depressão, diminuição da função cognitiva, ansiedade e distúrbio do sono.

Recentemente, o efeito do tabagismo ativo sobre as taxas de absenteísmo anual foi estimado em 2,2 dias a mais do que os não fumantes

Os pesquisadores neste estudo, levantaram a hipótese de que fumar estaria associado a um maior número de dias perdidos de trabalho/ escola em pacientes com RSC.

Uma vez que a cessação do tabagismo pode ser implementada no manejo da RSC, é de grande importância entender se o cigarro contribui para as perdas de produtividade observadas em pacientes com esta patologia.

Veja também: ‘Update no manejo da Rinossinusite Bacteriana em adultos’

Os resultados sugerem que o tabagismo ativo é o principal fator da associação entre o tabagismo e a perda de produtividade relacionada à RSC. Além disso, foi verificado que a associação entre o tabagismo e a diminuição da produtividade na RSC é independente tanto da gravidade dos sintomas sinonasais quanto das comorbidades cardiovasculares ou pulmonares apresentadas pelo paciente.

O tabagismo, principalmente o ativo, está associado independentemente ao aumento nos dias de absenteísmo nos pacientes com RSC.

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Referências:

  • Campbell et al.: Smoking Decreases Productivity in CRS. Laryngoscope. 2017 Mar 14
  • Tint D et al. Risk Factors and Comorbidities in Chronic Rhinosinusitis. Curr Allergy Asthma Rep (2016) 16:16
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