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Terapia com água corrente fria para queimaduras pediátricas

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As diretrizes atuais de primeiros socorros nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália exigem a irrigação de queimaduras agudas com água corrente fria. Em contraste com tratamentos alternativos, como gelo, aloe vera e até mesmo pasta de dente, um sólido corpo de evidências se desenvolveu em torno dos efeitos favoráveis dos primeiros socorros à água.

Pesquisas anteriores relataram possíveis associações com diminuição da mortalidade, infecção, consultas clínicas, dor e cicatrização. Mais recentemente, uma série de estudos com modelos animais observou as maiores melhorias nos resultados de reepitelização com a aplicação de água corrente fria por 20 minutos imediatamente após a queimadura, embora os benefícios ainda fossem observados após um atraso de até três horas.

Apesar desta pesquisa, ainda há um debate em torno da duração ideal dos primeiros socorros, com recomendações que variam de 20 minutos completos na Austrália, Reino Unido e Europa a apenas cinco minutos nos Estados Unidos. Poucas pesquisas exploraram o efeito da água corrente fria sobre os resultados clínicos em populações humanas, e os poucos estudos existentes carecem de consistência em seus resultados.

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Evidências sobre queimaduras em crianças

De longe, a evidência mais abrangente até o momento foi fornecida por um par de estudos australianos recentes envolvendo grandes coortes de adultos. Ambos identificaram vários benefícios clínicos associados ao fornecimento de primeiros socorros com água corrente fria, incluindo diminuição das necessidades cirúrgicas, tempo para reepitelização, profundidade da queimadura, internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e tempo de permanência no hospital. Juntos, eles foram os primeiros estudos a demonstrar de forma convincente a eficácia da água corrente fria como uma intervenção de primeiros socorros para queimaduras de adultos.

Embora as crianças apresentem um risco particularmente alto de lesões por queimadura, há uma escassez de literatura abordando a relação entre os primeiros socorros à queimadura e os resultados clínicos em populações pediátricas. Devido a diferenças de volume, área de superfície e espessura da pele, é desconhecido se os benefícios para adultos se aplicam às crianças.

Dessa forma, Griffin e colaboradores (2019) realizaram o estudo Cool Running Water First Aid Decreases Skin Grafting Requirements in Pediatric Burns: A Cohort Study of Two Thousand Four Hundred Ninety-five Children, publicado no Annals of Emergency Medicine. O objetivo desse estudo foi analisar as associações entre primeiros socorros e requisitos de enxerto de pele em crianças com queimaduras.

Metodologia

Griffin e colaboradores (2019) conduziram um estudo de coorte utilizando um registro coletado prospectivamente de pacientes tratados em um hospital infantil terciário. Evidências recentes sugerem que queimaduras em adultos curam melhor quando tratadas com água corrente fria.

Para avaliar o efeito desse tratamento para queimaduras pediátricas, os pesquisadores consultaram um banco de dados do centro de queimaduras australiano que incluía entrevistas estruturadas com pacientes e pais sobre primeiros socorros prestados dentro de três horas da lesão, antes da avaliação do centro de queimaduras. A terapia com água corrente foi classificada como ≥20 minutos ou <20 minutos (incluindo nenhum). Foram excluídos pacientes com fricção, queimaduras elétricas e químicas, bem como aqueles com dados ausentes.

Modelos de regressão logística multivariada foram utilizados para avaliar a relação entre primeiros socorros e a necessidade de enxerto de pele. Os desfechos secundários incluíram tempo para reepitelização, profundidade da ferida, internação e sua duração, e intervenções na sala de cirurgia. Primeiros socorros adequados foram definidos como 20 minutos de água corrente fria nas três horas seguintes à lesão.

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Resultados

Em uma coorte de 2.495 crianças de 0 a 16 anos (mediana de idade = 2 anos) dos quais 90% sofreram queimaduras em menos de 5% da superfície corporal:

  • 2.259 crianças (90,6%) receberam primeiros socorros com água corrente;
  • Apenas 1.780 crianças (71,3%) receberam a duração adequada (igual ou superior a 20 minutos);
  • 236 crianças (9,5%) necessitaram de enxerto;
  • As chances de enxerto foram reduzidas no grupo que recebeu adequadamente os primeiros socorro [odds ratio (OR) 0,6; intervalo de confiança de 95% (IC) 0,4 a 0,8];
  • O fornecimento de água corrente adequada foi associado a reduções na profundidade da espessura total (OR 0,4; IC95% 0,2 a 0,6), internação (OR 0,7; IC95% 0,3 a 0,9) e intervenções na sala de cirurgias (OR 0,7; IC95% 0,5 a 0,9), mas não ao tempo de permanência no hospital (hazard ratio ¼ 0,9; IC95% 0,7 a 1,2).

Conclusão

Nesse estudo, Griffin e colaboradores (2019) concluíram que a gravidade da queimadura e os resultados clínicos melhoraram com a administração de água corrente fria. Os pesquisadores observaram que durações superiores a 20 minutos não demonstraram fornecer benefícios aditivos e podem, inclusive, ser prejudiciais (embora isso não tenha sido testado neste estudo).

Ademais, os pesquisadores destacam que os primeiros socorros adequados devem ser priorizados pelos serviços médicos extra-hospitalares e de emergência no tratamento preliminar de queimaduras pediátricas.

Autor:

Referência bibliográfica:

  • GRIFFIN, B. R. et al. Cool Running Water First Aid Decreases Skin Grafting Requirements in Pediatric Burns: A Cohort Study of Two Thousand Four Hundred Ninety-five Children. Annals of Emergency Medicine, Aug. 2019.

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