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Terapia com dolutegravir e lamivudina em pacientes com disfunção renal

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O avanço no tratamento de antirretrovirais permitiu a mudança na história natural da infecção pelo HIV. Antes uma sentença de morte, atualmente discutem-se estratégias que permitam simplificação dos esquemas, diminuição dos efeitos colaterais e melhora na qualidade de vida dos indivíduos que convivem com o vírus.

O uso de terapia dupla, composta por duas drogas ativas contra o vírus, como manutenção vem sendo cada vez mais estudado, com diversas combinações já aprovadas e recomendadas por guidelines internacionais. Uma das opções mais atraentes é a dupla dolutegravir (DTG) e lamivudina (3TC), já que são medicamentos bem tolerados, com poucos efeitos colaterais a longo prazo e poucas interações medicamentosas.

Um fator limitante dessa terapia é o fato de que a lamivudina necessita de ajuste de dose em pacientes com disfunção renal e clearance de creatinina < 50 mL/min, uma das populações que mais se beneficiaria com seu uso, já que outros antirretrovirais podem causar piora de função renal, dislipidemia e aumento do risco cardiovascular. Contudo, os estudos que levaram à aprovação da terapia com DTG + 3TC foram conduzidos somente com dose plena de 3TC.

Leia também: HIV: viremia baixa e persistente é preditor de falha terapêutica?

Terapia na disfunção renal

Recentemente, um estudo avaliou a eficácia de DTG + 3TC como tratamento de manutenção em pacientes infectados pelo HIV com carga viral indetectável em que a troca de esquema foi realizada por toxicidade, interação medicamentosa ou presença de comorbidade. Na coorte analisada, 3TC teve sua dose ajustada nos pacientes com disfunção renal.

Foram identificados 56 pacientes em que a troca para DTG + 3TC foi realizada. Desses pacientes, 4 interromperam a terapia por efeitos adversos, todos associados ao DTG. Os outros 52 pacientes foram incluídos na análise, com dados de seguimento de > 1 ano, dos quais 25 utilizaram dose de 3TC ajustada pela função renal. Não houve registro de falha virológica em nenhum paciente da coorte, incluindo aqueles com dose ajustada de 3TC, após uma média de tratamento de 2,29 anos. O uso de terapia dupla também não foi associado à piora de função renal, tanto nos casos de dose plena quanto de dose ajustada.

Conclusões

O estudo possui limitações importantes, como sua característica retrospectiva e a amostra pequena, mas é uma evidência da eficácia da dupla DTG + 3TC como terapia de manutenção em uma população que frequentemente é subrepresentada em ensaios clínicos, aproximando-se do cenário que é encontrado na prática médica diária.

Mais da autora: Preditores de risco para falha terapêutica em infecções de prótese articular

Mais investigações são necessárias para ampla recomendação do uso de DTG + 3TC com dose ajustada em pacientes com disfunção renal, mas os resultados somam evidências que favorecem esse esquema como opção na simplificação do tratamento de indivíduos com supressão virológica em contextos em que outras drogas não estão disponíveis ou não são atraentes.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Tan, M, Johnston, S, Nicholls, J, Gompels, M. Dual therapy with adjusted lamivudine and dolutegravir: a switch strategy to manage comorbidity and toxicity in older, suppressed patients? HIV Medicine (2019), 20, 634—637 doi: 10.1111/hiv.12781

Um comentário

  1. Avatar

    Muito esclarecedor, gostei muito.

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