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médico com enfermeira mostrando prótese articular

Preditores de risco para falha terapêutica em infecções de prótese articular

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Infecções de prótese articular são complicações temidas devido à alta morbidade que agregam, estando relacionadas a necessidade de reoperações, diminuição de mobilidade e qualidade de vida, e uso prolongado de antibióticos.

Estudos prévios já identificaram alguns fatores de risco associados à falha terapêutica, tais como maior duração de sintomas antes de realização de cirurgia, infecção por Staphylococcus aureus, revisão anterior da artroplastia, integridade da pele e tecidos adjacentes e uso de vancomicina. Contudo, essas conclusões foram decorrentes de trabalhos com amostras pequenas e muito homogêneas, o que dificulta sua generalização.

Infecções em prótese articular

Um estudo conduzido em cinco hospitais japoneses com adultos submetidos a cirurgia para tratamento de infecção de próteses de quadril e joelho buscou avaliar características potencialmente associadas à falha terapêutica. Esta foi definida como recorrência de infecção, prescrição de uso crônico de antibiótico com objetivo supressivo, artroplastia excisional, amputação durante o tempo de seguimento ou morte em 30 dias depois do procedimento. Os participantes foram acompanhados por no mínimo 30 dias, com alvo de seguimento de cinco anos.

Dos 533 casos incluídos na análise, 67% consistiam de infecções monomicrobianas, 9% eram polimicrobianas e em 24% as culturas foram negativas. Os organismos mais frequentes foram estafilococos coagulase-negativos, S. aureus, bacilos Gram-negativos e enterococos, respectivamente.

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No geral, a proporção de falha terapêutica foi de 13,1% nos primeiros seis meses após o procedimento de implante de prótese (IC 95% 10,2 – 16%), 24,8% em dois anos (IC 95% 20,8 – 28,6%) e 33% em quatro anos (IC 95% 28,1 – 37,5%). Estratificando por estratégia de cirurgia, as proporções de falha foram maiores nos casos em que a cirurgia foi em tempo único do que nas realizadas em dois tempos. Infecções em próteses de quadril e de joelho tiveram taxas semelhantes de falha terapêutica.

Conclusões

Na análise multivariada, hepatopatia, presença de fístula, falha prévia de desbridamento com retenção de prótese, procedimento em tempo único e infecção por bacilo Gram-negativo foram fatores associados à falha terapêutica. De forma interessante, não houve maior risco em infecção por S. aureus, espécie bacteriana capaz de formar biofilme.

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Os autores acreditam que o fato de todos os participantes terem sido submetidos à retirada da prótese pode explicar esse achado e que a retirada da prótese pode ser uma estratégia mais adequada em infecções por S. aureus quando existem fatores adicionais para falha.

Os resultados mostram possíveis fatores de risco, mas outro ponto de destaque é a alta proporção de falha terapêutica mesmo com remoção completa da prótese (25%), o que reflete a natureza de difícil erradicação dessas infecções.

Autor:

Referência bibliográfica:

Kandel CE,  et al. Predictors of Treatment Failure for Hip and Knee Prosthetic Joint Infections in the Setting of 1- and 2-Stage Exchange Arthroplasty: A Multicenter Retrospective Cohort. Open Forum Infect Dis. 2019 Oct 21;6(11):ofz452. doi: 10.1093/ofid/ofz452

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