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bactérias que causam infecções ortopédicas

Daptomicina é uma opção para infecções ortopédicas?

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Infecções por Staphylococcus aureus resistentes à oxacilina (MRSA) são um problema mundial cada vez mais frequente e, em algumas situações, podem significar um desafio terapêutico, principalmente no contexto de infecções ortopédicas (articulares, ósseas ou de próteses), que exigem tratamento prolongado.

Classicamente, vancomicina e teicoplanina constituem os antibióticos de escolha, mas, nas últimas décadas, outras opções surgiram, como linezolida, tigeciclina e daptomicina. Destes, por seu efeito bactericida e posologia em dose única diária, a daptomicina mostra-se um fármaco atraente, sendo uma possibilidade para terapia parenteral ambulatorial.

Em infecções ortopédicas estafilocócicas, é comum a formação de biofilme, o que dificulta sua erradicação. Embora daptomicina seja capaz de penetrar em biofilmes, não é capaz de reduzir sua formação. Além disso, a real penetração óssea e a indefinição da melhor posologia são preocupações que impedem alguns especialistas de recomendar seu uso rotineiro. Uma revisão sistemática realizada por um grupo brasileiro procurou avaliar a eficácia clínica da daptomicina nesse contexto.

Uso da daptomicina nas infeções ortopédicas

Após busca na literatura, foram encontrados 12 artigos nas bases de dados que versavam sobre pacientes com infecções articulares ou ósseas ou infecções de prótese articular tratados com daptomicina, o que compreendeu 233 pacientes.

Na análise, a taxa de cura clínica – definida como resolução total de todos os sinais e sintomas ou melhora significativa dos mesmos que justificasse interromper o tratamento com antibiótico – foi de 70% em pacientes com dispositivos ortopédicos infectados. Ao separar o tipo de dispositivo, a taxa de cura foi de 68% nos casos de artroplastia total de joelho e de 73% nos casos de artroplastia de quadril. Somente um paciente apresentou infecção relacionada à artroplastia de ombro, com desfecho desfavorável com uso de daptomicina.

Mais da autora: Doença renal crônica e o risco de infecções

Em relação aos procedimentos cirúrgicos realizados, houve grande variabilidade. Os pacientes submetidos a cirurgia em dois tempos tiveram uma taxa de cura clínica de 73%. Nos que foram submetidos a desbridamento com retenção de prótese e antibioticoterapia a taxa foi de 63%. Revisão em um único tempo foi descrita em dois estudos, com taxas de cura variando de 33 a 100%. Para casos de osteomielite e artrite séptica de articulação nativa, a taxa de cura entre os pacientes foi de 78%.

A posologia utilizada também apresentou heterogeneidade importante nos artigos. Entre os pacientes que receberam 4-6 mg/kg, a taxa de cura foi de 67%, em comparação com 74% nos que receberam 6-8 mg/kg e 70% nos que receberam 10 mg/kg.

Analisando os resultados globais dos estudos, as taxas médias de cura foram de 85%, 85% e 71% para 10 mg/kg, 6-8 mg/kg e 4-6 mg/kg, respectivamente. Nem todos os pacientes utilizaram daptomicina como monoterapia ou durante todo o período de tratamento.

Importante ressaltar que a prevalência de MRSA variou entre 10 a 90% entre os estudos. Analisando somente os 83 pacientes infectados por MRSA, a taxa de cura clínica foi de 61,5%. A taxa de cura média entre os estudos foi de 43%.

O uso é seguro, afinal?

Pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, a daptomicina não está aprovada para uso em osteomielite sem bacteremia. Diferentes estudos vêm mostrando a segurança e a eficácia em infecções ósseas, geralmente com taxas de cura moderadas a altas, por vezes superiores a 70%. Os autores destacam a grande variabilidade nos resultados dos estudos, o que pode ser parcialmente explicado pelas diferentes estratégias cirúrgicas associadas.

Outro ponto importante a ser destacado é que o pequeno número de pacientes avaliados e a heterogeneidade na duração e doses de tratamento dificultam a generalização dos resultados e a recomendação para o uso de daptomicina baseada somente nessa revisão sistemática.

Contudo, trata-se de mais uma evidência que apoia esse antibiótico como alternativa no tratamento de infecções ortopédicas estafilocócicas.

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Autor:

Referência bibliográfica:

  • Telles, JP, Cieslinski, J, Tuon, FF. Daptomycin to bone and joint infections and prosthesis joint infections: a systematic review. Braz J Infect Dis. 2019 May – Jun;23(3):191-196. doi: 10.1016/j.bjid.2019.05.006

One comment

  1. Avatar
    Maria Aparecida Corrêa Sinquini

    Excelente artigo

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