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Quando se fala em transplantes de órgãos sólidos, ainda existe uma grande diferença entre a disponibilidade de órgãos e a demanda de pessoas na lista de espera. Devido ao risco de transmissão associado ao procedimento, potenciais doadores são descartados por apresentarem alguns tipos de infecção, como a pelo HCV.

A introdução dos antivirais de ação direta (DAAs) no mercado mudou o paradigma do tratamento de infecções agudas e crônicas por HCV, alcançando altas taxas de cura. Por sua ação potente, especula-se que poderiam ser usados como forma de viabilizar o transplante de doadores HCV positivos para receptores HCV negativos.

Experiências positivas já foram relatadas em transplantes cardíacos e pulmonares. Mais recentemente, foram descritos casos bem sucedidos de transplante de rim.

pessoa segurando um modelo de rim humano nas costas, simbolizando o transplante de rim

Transplante de rim por HCV positivo

Um centro de transplante alemão reportou o caso de sete pacientes submetidos a transplante renal de doadores falecidos com viremia por HCV. Todos os receptores eram comprovadamente HCV negativos e foram monitorados para detecção de RNA viral imediatamente após o transplante e diariamente nos dias seguintes. Quando viremia era detectada, tratamento com DAAs era iniciado de acordo com o genótipo envolvido, disponibilidade de informações sobre resistência e a disponibilidade de medicamentos no país na época.

Todos os receptores desenvolveram viremia detectável na primeira semana após o transplante e foram tratados com um esquema de DAA baseado em sofosbuvir – associado a ledispavir ou velpatasvir – por oito ou 12 semanas. A maior parte dos participantes recebeu tratamento antiviral nos primeiros dez dias de transplante. O RNA de HCV tornou-se indetectável em uma mediana de 35 dias após o início do tratamento (14-51 dias).

Dos sete pacientes, quatro não possuíam evidência de RNA HCV após um mês do início dos DAAs, enquanto os três demais alcançaram clearance viral após oito semanas de tratamento. Ao final de 12 semanas após o término do tratamento, todos os receptores exibiram resposta virológica sustentada.

Nenhum dos participantes apresentou função tardia do enxerto e não houve episódios de rejeição durante o tratamento com antivirais e nem durante o seguimento de até um ano após o transplante. Um aumento nas transaminases foi observado durante a viremia inicial, normalizando rapidamente com o tratamento.

Mais da autora: Estrongiloidíase: tratamento com dose única ou 4 dias de ivermectina?

Conclusões

Esse é o primeiro relato de tratamento precoce com DAAs baseado em sofosbuvir em infecção por HCV relacionada a transplante de rim. Enquanto todos os receptores desenvolveram infecção por HCV, todos alcançaram resposta virológica sustentada com o tratamento, sem ocorrência de eventos adversos graves ou disfunção de enxerto no período de observação.

Os resultados ainda são prematuros, mas, a exemplo de outros tipos de transplante de órgãos sólidos, é mais uma evidência de uma possível estratégia para aumentar a disponibilidade de órgãos para transplante.

Experiências positivas já foram relatadas em transplantes cardíacos e pulmonares. Agora, foram descritos casos bem sucedidos de transplante de rim.

Autor:

Referência bibliográfica:

  • Friebus-Kardash, J, Gackler, A, Kribben, A, Witzke, O, Wedemeyer, H, Teeckmann, J, Herzer, K, Eisenberger, U. Successful early sofosbuvir-based antiviral treatment after transplantation of kidneys from HCV-viremic donors into HCV-negative recipients. Transpl Infect Dis. 2019;21:e13146. doi: https://doi.org/10.1111/tid.13146
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