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médico e enfermeiros levando maca com paciente com sepse para a internação

Tratamento biotecnológico pode ajudar no combate à sepse

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Pesquisadores brasileiros desenvolveram um novo tratamento biotecnológico que causa uma melhora significativa no combate à sepse. A descoberta, depois de cinco anos de pesquisas, foi publicada recentemente no The Journal of Immunology.

O método combina nove antígenos que, ao serem associados à ação de antibióticos, mostraram resultados extremamente promissores em roedores com sepse induzida, elevando em 500% a sobrevida desses animais.

Algumas dezenas de camundongos com sepse polimicrobiana foram divididos em quatro grupos e receberam diferentes tratamentos: placebo, tratamento com antibiótico em monoterapia, o novo produto IRSh e IRSh associado a antibiótico.

Os resultados confirmaram a eficácia da imunização com IRSh e antibióticos combinados, que aumentou  a sobrevida dos camundongos em um modelo experimental de sepse polimicrobiana em cinco vezes, quando comparado com o uso tradicional isolado de antibióticos: de 9,7% com uso de antibióticos para 51,7% com a associação IRSh e antibióticos.

Segundo Alexandre Nowill, mestre em imunologia pela Universidade de Paris XI, que conduziu a pesquisa na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os antimicrobianos agem bloqueando e inibindo a viabilidade, proliferação e ação dos germes, favorecendo a sua eliminação pelo sistema imunológico, deslocam o equilíbrio da relação de “briga” do patógeno versus hospedeiro de forma positiva a favor do organismo. Este deslocamento acontece quando a resposta do sistema imunológico se torna eficiente no combate ao invasor.

“Como a resposta inadequada e exagerada do sistema imunológico é o ponto chave deste processo, ficou claro para nós que uma possível solução para a sepse é trocar ou substituir ou ainda modular, de forma mais sutil, a resposta imunológica inadequada e patológica, por uma mais eficiente e com características curadoras, em conjunto com o uso combinado de antimicrobianos eficientes”, avaliou Alexandre Nowill.

sepse revista

 A resposta imunológica

Como sabemos, inicialmente, o organismo reage com uma resposta imune primária, gerando uma resposta hiper inflamatória local, induzindo a produção de anticorpos e desenvolvendo células denominadas de memória e, posteriormente, à resposta secundária.

Assim, a produção de anticorpos será muito mais rápida e eficiente, sem hiper inflamação, sendo que as células irão reconhecer o agente agressor e produzir anticorpos para combatê-los.

Quando todo o processo ocorre simultaneamente, a resposta secundária é a dominante, com a célula reprogramando o sistema imunológico para ser menos inflamatório e mais eficiente, inibindo a resposta primária.

Mas, como substituir ou modular uma resposta primária por uma secundária durante o tempo real de doença para evitar a sepse?

Para descobrir essa resposta, os pesquisadores desenvolveram um novo medicamento biotecnológico com múltiplas partículas de vários antígenos de outros microrganismos já conhecidos, criando e modulando uma nova imagem molecular do agente invasor e sobrepondo-se a ele, durante a enfermidade.

 “Agora com uma nova identidade ou roupagem, o invasor induz imediatamente no sistema imunológico uma resposta correta secundária (memória do organismo), capaz de eliminar o invasor, sem alterar as principais funções orgânicas, retirando, do agente patogênico (agressor), o papel de comandante da resposta do corpo, explica o especialista. 

Ao invés do organismo se adaptar ao invasor, o agente biotecnológico adapta o agressor ao que o corpo já conhece e  tem imunidade para a nova imagem formada. 

Nesse cenário, em vez de apenas um ou alguns germes, a proposta faz com que o organismo reconheça múltiplos agressores já conhecidos para ele para controlar e modular a atividade do sistema imunológico, tornando-o mais eficiente contra uma infecção generalizada, agindo em conjunto com os antibióticos tradicionais.

Os próximos passos dos pesquisadores incluem o estudo em porcos e, posteriormente, a aprovação dos órgãos regulatórios para utilização em estudos clínicos com humanos.

Leia também: Manejo da sepse no paciente cirrótico: quais são as particularidades?

A sepse no país e no mundo

A prevalência da doença em UTIs brasileiras é de 30%, atingindo 30 milhões de pessoas anualmente ao redor do mundo, com 600 mil casos somente no Brasil. Os dados são do Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS).

Além da alta mortalidade de 50 a 60% dos casos, outro ponto preocupante para os especialistas é o alto custo hospitalar,  estimando gastos de cerca de R$ 17,34 bilhões no tratamento.

“Nas últimas décadas, tivemos inúmeras terapias promissoras para a sepse que, infelizmente, não confirmaram esse benefício em estudos clínicos de grande porte. Nesse sentido, essa nova proposta terapêutica já deu o primeiro passo e sugere amplas possibilidades futuras”, diz o médico Luciano Azevedo, presidente do ILAS.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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