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Tuberculose latente: novo medicamento no SUS reduz tempo de tratamento

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Foi divulgada pelo Ministério da Saúde uma mudança importante no tratamento da tuberculose (TB) latente. O esquema atualmente dura de seis a nove meses, porém será ofertado no Sistema Único de Saúde (SUS), a partir de 2020, um novo medicamento (rifapentina), que reduz este tempo para três meses. Muitas pessoas se beneficiarão desta novidade, tendo em vista que estima-se que haja 30 mil pessoas com TB latente no país.

A oferta do tratamento será possível porque a instituição internacional Unitaid, parceira da Organização Mundial da Saúde (OMS), conseguiu negociar uma redução de 70% no preço do tratamento, passando de US$ 45 para US$ 15.

A incorporação do medicamento ainda precisa ser analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que assessora o Ministério da Saúde na decisão de incorporar novas tecnologias no SUS. Felizmente, financeiramente a viabilidade está assegurada para a oferta do medicamento às pessoas com tuberculose latente.

Tratamento da tuberculose latente

Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), um quarto da população mundial tem TB latente. A expansão do tratamento para tuberculose latente faz parte da estratégia da OMS para reduzir a doença para menos de 10 casos por 100 mil habitantes.

Por muito tempo, o tratamento indicado para TB latente era isoniazida por 180 a 270 doses diariamente (seis a nove meses), porém havia problemas decorrentes da baixa adesão e efeitos adversos do medicamento. Por isso, é importante alterar esse esquema de tratamento para períodos inferiores, minimizando as intercorrências. Já discutimos no portal alguns estudos a respeito deste tema.

O tratamento com rifapentina deve durar três meses com a administração de 12 doses, ou seja, um comprimido por semana. Deste modo, o tempo de tratamento cairá pela metade, passando de seis ou nove meses para apenas três meses. A terapia preventiva impede que a tuberculose latente se torne ativa.

Dados da tuberculose

Globalmente, 1,8 milhões de pessoas morreram de tuberculose apenas em 2017. No Brasil, no ano passado, foram diagnosticados 75.717 novos casos de tuberculose ativa. Alguns grupos estão mais suscetíveis a desenvolverem a doença, como quem é portador de HIV, que têm 25 vezes mais riscos de desenvolverem tuberculose ativa quando comparado a pessoas que não têm o vírus. Isso acontece por causa da fragilidade do sistema imunológico e, por isso, pode acometer também indivíduos em uso de terapias imunossupressoras, utilizadas por pacientes transplantados.

Leia também: Tuberculose latente: tratamento de curta duração é boa alternativa?

O Brasil tem conseguido avanços significativos no cuidado e tratamento da tuberculose, conseguindo, por exemplo, atingir as Metas dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM) de enfrentamento à tuberculose até 2015.

Projeto IMPAACT 4TB

O projeto IMPAACT 4TB, financiado pela Unitaid (2017-2021), tem trabalhado em 12 países altamente afetados, incluindo o Brasil, para estabelecer o tratamento com rifapentina, chamado de 3HP, como uma terapia acessível, de qualidade garantida e menos tóxica para a prevenção da tuberculose. Liderado pelo Aurum Institute, o IMPAACT 4TB já está fornecendo o novo tratamento a 6.700 pacientes brasileiros.

Autores:

Em parceria com a jornalista Úrsula Neves.

Referências bibliográficas:

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