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Uma nova classe de antidepressivos: os moduladores serotoninérgicos

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Os estudos de novos antidepressivos vêm se multiplicando graças ao interesse econômico dos laboratórios farmacêuticos, ao crescente número de diagnósticos de transtornos afetivos, à demora nos efeitos benéficos e à baixa tolerância aos medicamentos atuais, por conta de efeitos colaterais comuns. As conhecidas classes de antidepressivos, como os tricíclicos e os inibidores seletivos da recaptação da serotonina estão abrindo espaço para novas, como os inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina, inibidores seletivos da recaptação de noradrenalina, melatoninérgicos, e, mais recentemente, os moduladores serotoninérgicos.

Os moduladores serotoninérgicos são ao mesmo tempo antagonistas e agonistas de múltiplos receptores 5HT, também inibindo a recaptação da serotonina. São representados atualmente por uma única medicação, a vortioxetina, com o nome comercial de Brintellix® (Trintellix® nos EUA). Chegou ao mercado com a promessa de maior tolerabilidade e eficácia semelhante aos já disponíveis, com o diferencial de reduzir os sintomas cognitivos da depressão. Foi introduzido no Brasil em 2015, autorizado pela ANVISA. Sua faixa terapêutica vai de 5 a 20 miligramas ao dia. Os efeitos colaterais descritos até o momento são os mesmos que os inibidores seletivos de recaptação de serotonina, porém com menor impacto na função sexual.

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Conforme o tempo disponível no mercado, novos estudos avaliaram a eficácia e a tolerabilidade da vortioxetina, entre eles 3 meta-análises . Uma avaliando a eficácia frente a placebo, uma comparando a eficácia frente a duloxetina e outra avaliando seus efeitos na cognição dos pacientes.

A primeira meta-análise mostrou que a vortioxetina é mais eficaz que placebo, com maior tamanho de efeito na dose de 20 miligramas ao dia. Essa revisão incluiu apenas estudos randomizados controlados por placebo, usando a escala MADRS e CGI para avaliar sintomas. Vale lembrar que como conflito de interesses, este estudo foi patrocinado pelo laboratório que comercializa a medicação.

Outra meta-análise, conduzida para avaliar a eficácia da vortioxetina com a duloxetina, teve resultados positivos com a medicação. No entanto, ela foi menos eficaz que a duloxetina em várias escalas utilizadas. A vortioxetina teve menos efeitos adversos ao longo do tratamento, contudo. Apesar do número alto de pacientes envolvidos na meta-análise, apenas 5 estudos foram incluídos na revisão.

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Por fim, uma terceira meta-análise avaliou os efeitos cognitivos do tratamento com vortioxetina, analisando com placebo e duloxetina, comprovou melhora dos sintomas cognitivos mesmo antes da melhora dos escores de depressão, superando os dois outros grupos. A revisão, no entanto, era pequena.

A vortioxetina apresenta um perfil farmacológico diferente e sua aparente atuação nos sintomas cognitivos da depressão se mostram promissores. Pelo pouco tempo no mercado, ainda faltam mais estudos para conclusões mais assertivas. No entanto, já lança novos horizontes no tratamento do transtorno depressivo.

Autor:

Referências:

  • Li G, Wang X, Ma D. Vortioxetine versus Duloxetine in the Treatment of Patients with Major Depressive Disorder: A Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials Clin Drug Investig. 2016 Jul;36(7):509-17. doi:
    10.1007/s40261-016-0396-9.
  • McIntyre RS, Harrison J, Loft H, Jacobson W, Olsen CK. The Effects of Vortioxetine on Cognitive Function in Patients with Major Depressive Disorder: A Meta-Analysis of Three Randomized Controlled Trials Int J Neuropsychopharmacol. 2016 Aug 24. pii: pyw055. doi: 10.1093/ijnp/pyw055. [Epub ahead of print]
  • Pae CU, Wang SM, Han C, Lee SJ, Patkar AA, Masand PS, Serretti A.J. Vortioxetine: a meta-analysis of 12 short-term, randomized, placebo-controlled clinical trials for the treatment of major depressive disorder. Psychiatry Neurosci. 2015 May;40(3):174-86. PMID:25350320
  • Thase ME, Mahableshwarkar AR, Dragheim M, Loft H, Vieta E. A meta-analysis of randomized, placebo-controlled trials of vortioxetine for the treatment of major depressive disorder in adults. Eur Neuropsychopharmacol. 2016 Jun;26(6):979-93. doi: 10.1016/j.euroneuro.2016.03.007.
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