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Uma reportagem pode condenar os genéricos?

No último domingo, 29 de janeiro, uma reportagem falou sobre a qualidade dos genéricos. Foram testados 3 princípios ativos (Dipirona sódica, Citrato de Sildenafila e Losartana Potássica) em relação ao perfil de dissolução e à equivalência farmacêutica, porém não foi realizado o teste de bioequivalência, considerado o mais importante por utilizar seres humanos para a realização do teste.

Como farmacêutica, considero a matéria tendenciosa e cabem aqui algumas observações:

1) O farmacêutico é o profissional mais qualificado para falar sobre medicamentos e, na reportagem, nenhum farmacêutico identificado participou da discussão, apenas médicos.

2) Quando ausente na Farmacopeia Brasileira, o método analítico pode ser validado pela própria empresa fabricante e o mesmo deve ser avaliado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para ser aprovado e isso está respaldado pela RE 899/2003. Esse assunto gera bastante polêmica e perguntas como: “Seria uma troca de interesses entre a ANVISA e as indústrias farmacêuticas?”. Porém, a matéria não detalhou como é feito o desenvolvimento analítico. Os laboratórios devem realizar uma série de testes complexos e alguns parâmetros devem ser avaliados, de acordo com a mesma RE. Caberia então aprofundar mais o assunto para não deixar dúvidas quanto à confiança em métodos validados.

3) Tanto as matérias-primas utilizadas para a fabricação de medicamentos genéricos quanto as utilizadas na fabricação de medicamentos de referência, podem vir da China, da Índia, entre outros. As indústrias devem qualificar seus fornecedores, avaliando a qualidade dessas matérias-primas. Não deveria haver desconfiança, pois não há diferença para o genérico nessa questão. Qualquer alteração de fornecedor de matéria-prima deve aguardar pela aprovação da ANVISA, seja para fabricação de genérico, seja para fabricação do medicamento de referência.

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4) Os medicamentos genéricos são seguros e passam pelos mesmos testes de controle de qualidade que os medicamentos de referência. Não cabe ao médico indicar ao paciente qual medicamento tem qualidade, pois esse profissional não dispõe de meios para fazer tal afirmação.

Por fim, todas as indústrias devem ser inspecionadas e terem o Certificado de Boas Práticas de Fabricação, de acordo com a RDC 17/2010, para colocar um medicamento no mercado. Além disso, todo desvio de qualidade é avaliado e qualquer pessoa pode relatar alguma alteração do medicamento e do seu efeito para que esse seja testado, podendo o mesmo ser retirado do mercado, caso seja comprovado algum desvio.

O mercado de medicamentos genéricos ainda é muito pequeno no Brasil. E, infelizmente, há muito preconceito e falta de informação. A reportagem em questão deixou a população ainda mais confusa em relação à qualidade desses medicamentos, mas, ao mesmo tempo, serviu para levantar discussões e consequentes esclarecimentos. Ainda há muito o que melhorar!

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