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A monoterapia com corticosteroides é uma razoável opção de tratamento para um subconjunto de pacientes com síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (multisystem inflammatory syndrome in children – MIS-C), particularmente com doença leve. Essa é a conclusão de um recente artigo publicado no jornal JAMA Pediatrics. O objetivo do estudo foi comparar os desfechos de pacientes em curto prazo com base no tratamento inicial com corticosteroides, imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou ambos, pois agentes ideais e a duração do tratamento primário para MIS-C permanecem obscuros.

MIS-C

Metodologia

Pesquisadores de Atlanta, Estados Unidos, conduziram um estudo de coorte retrospectivo em um sistema hospitalar pediátrico de atendimento terciário. Foram incluídos pacientes com diagnóstico de MIS-C de acordo com a definição de caso dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC), durante o período de março de 2020 a fevereiro de 2021.

A exposição consistiu em terapia imunomoduladora dentro das primeiras 24 horas em pacientes na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) ou 48 horas em pacientes fora da UTIP: corticosteroides isolados, IVIG isolada e IVIG associada a corticosteroides.

O desfecho primário foi falha da terapia inicial, definida como escalonamento da terapia devido a febre ou piora ou falta de melhora de fatores clínicos laboratoriais, cardíacos ou não cardíacos após 24 horas (pacientes da UTIP) ou 48 horas (pacientes fora da UTIP), a partir do momento do início da terapia, por avaliação médica. Os desfechos secundários incluíram presença de complicações, desfechos cardiovasculares, duração da febre, tempo de internação hospitalar e na UTIP, duração do uso de corticoide e necessidade de readmissão.

Resultados

Dos 228 pacientes elegíveis, 215 foram incluídos na análise univariada. A mediana de idade foi de oito anos e 135 (62,8%) eram meninos.

No grupo “corticosteroides”, havia 69 pacientes, 31 no grupo “IVIG” e 115 pacientes no “grupo IVIG mais corticosteroides”. Imunomoduladores adjuvantes usados para pacientes cuja terapia inicial falhou em todos os grupos: a miscelânea inclui hidroxicloroquina (n = 1), dose aumentada de corticosteroide (sem dosagem de pulso) (n = 12), reinício da terapia com corticosteroide para recorrência dos sintomas após a descontinuação (n = 4) e troca de dexametasona para metilprednisolona (n = 2).

Os pacientes do grupo “corticosteroides” apresentaram doença mais leve na apresentação e foram menos frequentes na UTIP no momento do início da terapia, além de apresentarem menores taxas de envolvimento renal. Os pacientes do grupo “IVIG mais corticosteroides” tiveram envolvimento de órgãos mais extenso e, especificamente, apresentaram maior frequência de envolvimento respiratório, ocular e cardiovascular em comparação com o grupo “corticosteroides” e mais manifestações neurológicas em comparação com o grupo “IVIG”. Sete pacientes necessitaram de ventilação mecânica (seis pacientes no grupo “IGIV mais corticosteroides” [5%], um paciente no grupo “IGIV” [3%] e nenhum no grupo de “corticosteroides”). O tempo médio desde o início da febre e dos sintomas até o início da terapia foi mais longo no grupo “IVIG”.

As características cardiovasculares foram menos proeminentes no grupo “corticosteroides”, que apresentou maior fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE) inicial mediana, menor frequência de derrame pericárdico e menor uso de vasoativos em comparação com os grupos “IVIG” e “IVIG mais corticosteroides”. Da mesma forma, o grupo “corticosteroides” apresentou taxas mais baixas de FEVE de admissão inferior a 55% em comparação com o grupo “IVIG mais corticosteroides”. Os pacientes do grupo “corticosteroides” apresentaram níveis medianos mais elevados de hemoglobina, albumina e ferritina; níveis medianos mais baixos de nível de D-dímero e peptídeo natriurético cerebral; e positividade mais frequente da reação em cadeia da polimerase para o vírus SARS-CoV-2 em comparação com o grupo “IVIG”. O grupo “IVIG mais corticosteroides” apresentou contagem mediana de plaquetas mais baixa e níveis medianos mais altos de D-dímero, ferritina e peptídeo natriurético cerebral em comparação com o grupo “corticosteroides”.

Após a ponderação do escore de propensão, incluindo 179 pacientes (68 no grupo “corticosteroides” e 111 no grupo “IVIG mais corticosteroides”), as taxas de falha do tratamento inicial foram semelhantes entre os grupos. Entre os pacientes cujo tratamento inicial falhou, a falha do tratamento no grupo “IVIG mais corticosteroides” foi mais provável de ser baseada em parâmetros laboratoriais (odds ratio [OR], 1,96; intervalo de confiança de 95% [IC 95%] 1,07-3,60) e menos provável de ser baseada em marcadores cardiovasculares (OR, 0,39; IC 95%, 0,2-0,76), por avaliação clínica.

Os pacientes do grupo “IGIV mais corticosteroides” tiveram uma internação mediana mais longa (6 versus 5 dias; P = 0,001) e duração mediana do curso de corticosteroide (10 versus 5 dias; P = 0,04) em comparação com o grupo “corticosteroides”. No grupo “corticosteroides”, 49/69 (71%) se recuperaram após receberem monoterapia com corticosteroides por 10 dias ou menos.

Febre durante a infusão de IVIG e hiperglicemia foram os eventos adversos mais comuns. A hiperglicemia foi mais comum no grupo “IVIG mais corticosteroides” em comparação com o grupo “corticosteroides”; entre 40 pacientes com hiperglicemia, quatro pacientes (10%) necessitaram de insulina hospitalar, que foi continuada após a alta em um paciente.

Leia também: Uso combinado de imunoglobulina intravenosa e infliximabe em crianças com MIS-C

Conclusões

O estudo mostra que a monoterapia inicial com corticosteroides foi associada a taxas semelhantes de falha do tratamento, menor duração do curso de corticosteroides e menor tempo médio de internação em comparação com a terapia inicial com IGIV mais corticosteroides, após contabilizar as características basais e a gravidade da doença. A falha inicial da terapia foi menos provável devido a parâmetros laboratoriais anormais e mais provavelmente devido a parâmetros cardíacos anormais em pacientes que receberam monoterapia com corticosteroides versus IVIG mais corticosteroides.

Os pesquisadores ressaltam que a interpretação desses achados é desafiadora, porque eles se basearam na interpretação e documentação do médico assistente. De forma tranquilizadora, os resultados cardíacos objetivos foram semelhantes entre os grupos. Portanto, esse estudo concluiu que um subconjunto de pacientes com MIS-C leve foi tratado com sucesso com dez dias ou menos de monoterapia com corticosteroides, deixando a necessidade de uso universal de IVIG em consideração.

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# Villacis-Nunez DS, Jones K, Jabbar A, Fan L, Moore W, Peter AS, Henderson M, Xiang Y, Kelleman MS, Sherry W, Chandrakasan S, Oster ME, Jaggi P, Prahalad S. Short-term Outcomes of Corticosteroid Monotherapy in Multisystem Inflammatory Syndrome in Children. JAMA Pediatr. 2022 Mar 28:e220292. doi: 10.1001/jamapediatrics.2022.0292. Epub ahead of print. PMID: 35344042; PMCID: PMC8961405.
Referências bibliográficas:

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