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Vasa prévia: conheça as atualizações diagnósticas e terapêuticas

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Vasa prévia é uma condição rara em que vasos fetais correm desprotegidos pelas membranas ovulares, interpostos entre o orifício interno do colo e a apresentação fetal. Dentre os fatores de risco, destacam-se a inserção velamentosa de cordão, implantação baixa de placenta, placentas bilobadas ou sucenturiadas e gestações concebidas por fertilização in vitro.

Em situações como trabalho de parto ativo, rotura espontânea de membranas ovulares ou amniotomia, esses vasos podem se romper e causar hemorragia fetal aguda grave, muitas vezes fatal.

O diagnóstico pode ser suspeitado no intraparto, por meio da palpação de vasos pulsáteis na membrana amniótica ao toque vaginal ou pela presença de sangramento ativo vermelho escuro indolor (hemorragia de Benckiser), especialmente após a rotura espontânea ou artificial das membranas, em geral seguido de comprometimento da vitalidade fetal.

Em função da velocidade da perda sanguínea e da alta mortalidade perinatal, o nascimento por via alta não deve ser postergado na tentativa de confirmação diagnóstica, sobretudo se houver qualquer evidência de alteração do bem estar fetal.

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Nessas situações, mesmo sendo realizada cesariana de emergência, a mortalidade chega a 60%. É importante que a placenta seja enviada para exame anatomo-patológico para confirmação diagnóstica, sobretudo em casos de sofrimento fetal agudo e/ou natimorto.

O diagnóstico antenatal é possível, por meio da identificação dos vasos fetais ao ultrassom com Doppler realizado pelas vias transabdominal e transvaginal, que tem alta acurácia e pequena taxa de falsos-positivos. A maioria dos casos de vasa prévia identificada em USG morfológica de rotina no segundo trimestre da gestação se resolve espontaneamente, motivo pelo qual é recomendada a confirmação com USG de terceiro trimestre, por volta de 32 semanas, evitando assim ansiedade e intervenções desnecessárias.

Uma vez confirmado o diagnóstico, o objetivo principal é o nascimento antes da instalação do trabalho de parto/rotura de membranas, minimizando o impacto da prematuridade iatrogênica. Em gestantes assintomáticas, é razoável programar a interrupção da gestação por cesariana eletiva entre 34-36 semanas.

A recomendação de hospitalização profilática entre 30-32 semanas deve ser individualizada, considerando fatores como gestação múltipla, antecedentes de sangramento ou ameaça de parto prematuro. A corticoterapia para acelerar maturação pulmonar fetal deve ser administrada a partir da 32ª semana.

Por mais que o diagnóstico antenatal possa reduzir a mortalidade perinatal, não há evidências até o momento que sustentem qualquer recomendação para rastreio ultrassonográfico da população geral, ou mesmo das gestantes que apresentam fator de risco para vasa prévia. São necessários mais estudos para avaliar a relação entre os potenciais riscos e benefícios dessa prática.

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Autor:

Julianna Vasconcelos Gomes

Graduação em Medicina pela Universidade Federal Fluminense ⦁ Médica Residente em Ginecologia e Obstetrícia no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira – IFF/Fiocruz

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