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Veja novas recomendações para vacinação contra influenza em crianças

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A Academia Americana de Pediatria (AAP) atualizou recentemente as recomendações para uso rotineiro de vacinação contra influenza em crianças. Os destaques para 2018–2019, segundo a AAP, englobam as seguintes estratégias:

1. A vacinação continua a ser a melhor medida preventiva disponível para prevenir influenza. A imunização anual contra influenza é recomendada para todos os pacientes com seis meses de idade ou mais, incluindo crianças e adolescentes, em especial os seguintes grupos:

  • Todas as crianças, incluindo lactentes nascidos prematuros, com seis meses ou mais de idade, com condições clínicas crônicas que aumentem os riscos de complicações por influenza, como, por exemplo, doenças pulmonares (como asma), doenças metabólicas (como diabetes mellitus), hemoglobinopatias (como anemia falciforme), cardiopatias significativas, imunossupressão, distúrbios hepáticos ou renais, e distúrbios neurológicos ou de neurodesenvolvimento;
  • Todos os contatos domiciliares e prestadores de cuidados de crianças com condições de alto risco ou menores de cinco anos, especialmente crianças com menos de seis meses;
  • Crianças e adolescentes (seis meses a 18 anos de idade) em uso de ácido acetilsalicílico ou medicamentos contendo salicilato, devido ao risco de Síndrome de Reye após infecção pelo vírus da gripe;
  • Crianças indígenas (no caso dos Estados Unidos, são incluídas também crianças nativas do Alasca).
  • Prestadores de cuidados infantis;
  • No Brasil, são considerados de risco, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os seguintes grupos: crianças de seis meses a menores de cinco anos, gestantes, parturiente (até 45 dias após o parto), trabalhadores da saúde, idosos a partir de 60 anos, professores das redes pública e privada, povos indígenas, pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional. Policiais, bombeiros, atletas profissionais, profissionais que lidam com dejetos ou águas contaminadas, coletores de lixo, entre outros, também fazem parte da lista.

2. A AAP recomenda o uso de vacina com vírus inativado, tri (3V) ou tetravalente (4V), como a primeira opção para a vacinação contra influenza em crianças, porque a eficácia da vacina viva atenuada contra a gripe tetravalente (LAIV 4) contra influenza A (H1N1) foi inferior durante a última temporada e é desconhecida para esta próxima;

3. O Comitê Consultivo em Práticas de Imunizações reintroduziu a LAIV 4 como uma opção para 2018-2019. A LAIV 4 pode ser usada em crianças que não receberam uma vacina contra influenza (por exemplo, recusa da vacina inativada) e em crianças saudáveis, sem quaisquer doenças crônicas subjacentes, com idade igual ou superior a dois anos;

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4. As crianças devem receber a vacina contra influenza o mais rápido possível depois que ela estiver disponível em sua comunidade;

5. O número de doses recomendadas de uma vacina contra influenza depende da idade da criança no momento da primeira dose administrada e de sua história vacinal. O número de doses de vacina contra a gripe sazonal para crianças de seis meses a oito anos de idade sugerido para 2018-2019 é:

  • Se a criança recebeu duas ou mais doses de 3V OU 4V, antes de 1 de julho de 2018, deve receber uma dose;
  • Se a criança não recebeu duas ou mais doses de 3V ou 4V, antes de 1 de julho de 2018, ou não se sabe se esta criança recebeu estas doses, duas doses novas devem ser administradas com um intervalo de quatro semanas;
  • Estas duas doses antes de 1 de julho de 2018 não precisam ter sido recebidas durante a mesma temporada ou temporadas consecutivas;
  • O recebimento de LAIV4 no passado deve ter preparado o sistema imunológico de uma criança, apesar de recentes evidências de má eficácia. Atualmente, não há dados que sugiram o contrário.

6. Todas as crianças com alergia ao ovo de qualquer gravidade podem receber vacina com vírus inativado ou LAIV sem quaisquer precauções adicionais além daquelas recomendadas para qualquer outra vacina;

7. Profissionais de saúde: todos os profissionais de saúde devem receber anualmente a vacina contra a gripe. Isto é um passo crucial na prevenção de influenza e na redução dos cuidados de saúde de infecções associadas a influenza. Segundo o Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), médicos, enfermeiros, técnicos, maqueiros e demais trabalhadores da área fazem parte do grupo de risco prioritário à vacinação contra influenza por atuarem diretamente com pacientes contaminados;

8. Gestantes ou mulheres que desejam engravidar: mulheres grávidas podem receber vacinas de vírus inativados em qualquer momento durante a gestação;

9. Mulheres em período pós-parto: puérperas que não receberam vacinação durante a gravidez devem ser encorajadas a receber a vacina antes da alta hospitalar;

10. Mulheres que estejam amamentando durante o período de influenza: a vacinação é segura durante a amamentação, tanto para as mães quanto para os bebês;

11. Como sempre, as famílias devem receber aconselhamento sobre estas recomendações revisadas para a temporada 2018–2019.

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) recomenda o seguinte calendário de influenza de acordo com a faixa etária (Quadro 1):

 

Faixa etária Esquema e recomendações Comentários Vacina gratuita nas UBS ou CRIE Vacina disponível em clínicas particulares de vacinação
Prematuros Vacinar na idade cronológica, iniciando a partir dos 6 meses de vida, de acordo com a sazonalidade do vírus e com o calendário de vacinação da criança. A vacina 4V é preferível 3V, por conferir maior cobertura das cepas circulantes. Na impossibilidade de uso da 4V, utilizar a 3V. 3V 3V e 4V
Crianças0 a 10 anos Dose anual. Iniciar aos 6 meses de vida. Duas doses na primo vacinação antes dos 9 anos de idade. 3V para menores de 5 anos e grupos de risco 3V e 4V
Adolescentes11 a 19 anos Dose única anual. A vacina 4V é preferível 3V, por conferir maior cobertura das cepas circulantes. Na impossibilidade de uso da 4V, utilizar a 3V. Para gestantes: ver item “gestantes”. 3V para grupos de risco 3V e 4V
Gestantes Dose única anual. A gestante é grupo de risco para as complicações da infecção pelo vírus influenza. A vacina está recomendada nos meses da sazonalidade do vírus, mesmo no primeiro trimestre de gestação. A vacina 4V é preferível 3V, por conferir maior cobertura das cepas circulantes. Na impossibilidade de uso da 4V, utilizar a 3V. 3V 3V e 4V
Adultos20 a 59 anos Dose única anual. A vacina 4V é preferível 3V, por conferir maior cobertura das cepas circulantes. Na impossibilidade de uso da 4V, utilizar a 3V. Para gestantes: ver item “gestantes”. 3V para grupos de risco 3V e 4V
Idosos>60 anos Dose única anual – rotina. Os maiores de 60 anos fazem parte do grupo de risco aumentado para as complicações e óbitos por influenza. A vacina 4V é preferível 3V, por conferir maior cobertura das cepas circulantes. Na impossibilidade de uso da 4V, utilizar a 3V. 3V para maiores de 60 anos 3V e 4V
Ocupacional Dose única anual. A vacina 4V é preferível 3V, por conferir maior cobertura das cepas circulantes. Na impossibilidade de uso da 4V, utilizar a 3V.

Quadro 1: Calendário para uso da vacina contra influenza de acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações.

Legenda: 3V – vacina trivalente; 4V – vacina tetravalente; CRIE – Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais; UBS – Unidade Básica de Saúde. Fonte: adaptado de Sociedade Brasileira de Imunizações (2018).

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Autor:

Referências:

  • AAP Committee on Infectious Diseases. Recommendations for Prevention and Control of Influenza in Children, 2018–2019. Pediatrics, v. 142, n.4, p. 201823, 2018.
  • Campanha contra gripe: grupos de risco, inclusive médicos, devem buscar tomar a dose da vacina nos postos de saúde, alerta SBP. Sociedade Brasileira de Pediatria. 2018. Disponível em: http://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/campanha-contra-gripe-grupos-de-risco-inclusive-medicos-devem-buscar-tomar-a-dose-da-vacina-nos-postos-de-saude-alerta-sbp/. Acesso em: 30 jan. 2019.
  • Calendários de Vacinação. Sociedade Brasileira de Imunizações. 2018. Disponível em: https://sbim.org.br/calendarios-de-vacinacao. Acesso em: 30 jan. 2019.

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