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Vigilância Sanitária identifica surtos de toxoplasmose em restaurantes de São Paulo

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A Vigilância Sanitária identificou três surtos, com um total de 45 casos de toxoplasmose na cidade de São Paulo desde março. De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, os casos foram causados pela transmissão de alimentos contaminados em restaurantes e buffets, em bairros de diferentes regiões da cidade.

Surto de toxoplasmose em São Paulo

Os surtos foram detectados após a identificação de casos individuais de toxoplasmose e denúncias à Ouvidoria do Sistema Único de Saúde (SUS). As pessoas que contraíram toxoplasmose chegaram a ficar até 16 dias internadas.
Boa parte das pessoas foi diagnosticada com dengue e somente após a realização de uma série de exames foi diagnosticada a presença do protozoário responsável pela toxoplasmose.

Uma paciente chegou a fazer um exame de coleta de medula após a suspeita de meningite e precisou de uma microcirurgia para cicatrizar o local do procedimento antes de ser corretamente diagnosticada.

Os casos de toxoplasmose na capital paulista passaram a ser monitorados em depois que a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) recomendou a notificação de casos agudos. Por isso, não é possível comparar os números da doença registrados neste ano com períodos anteriores.

Como diagnosticar corretamente a toxoplasmose?

A doença é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, encontrado nas fezes de gatos, que pode se hospedar em humanos e outros animais. O período de incubação ocorre de 10 a 23 dias, caso a fonte causadora tenha sido a ingestão de alimentos; e de cinco a 20 dias, após ingestão de oocistos de fezes de gatos.

“As pessoas podem ser contaminadas pela ingestão de água ou alimentos mal lavados, mal cozidos ou ingeridos crus, geralmente carnes”, diz o clínico geral e infectologista Paulo Olzon, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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Uma informação importante é que nem todas as pessoas que contraem a enfermidade apresentam sintomas. E, quando eles aparecem, em geral é na forma de síndrome de mononucleose, fazendo diagnóstico diferencial com os de outras doenças, como a dengue, a gripe, a mononucleose infecciosa, o citomegalovírus e até a AIDS na fase aguda.

“Normalmente, a toxoplasmose é uma doença que costuma ocorrer de forma isolada, não é comum encontramos surtos com várias pessoas contaminadas porque a maior parte entre em contato com o agente infeccioso e não apresenta nenhum ou poucos sintomas. Apenas uma pequena porcentagem apresenta quadro de febre e adenomegalia”, explica Paulo Olzon.

Em estágio mais avançado, como a toxoplasmose ocular, a doença pode causar redução da acuidade visual, visão turva, hiperemia ocular e, às vezes, lacrimejamento. De modo geral, esse último sintoma não é grave. Mas pode causar complicações sérias em pacientes com sistema imunológico enfraquecido, como aqueles que têm AIDS, câncer, pacientes transplantados ou que fazem uso de medicamentos imunossupressores, além de mulheres grávidas e bebês recém-nascidos.

O diagnóstico baseia-se na associação das manifestações clínicas com a confirmação por meio de estudos sorológicos. Se confirmado o diagnóstico após a realização dos exames, o médico deve avaliar se o tratamento específico para a doença é necessário. Confira no Whitebook como manejar o paciente.

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