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mulher em preto e branco com a mão no rosto

Violência contra a criança e o adolescente: como manejar?

Tempo de leitura: 2 minutos.

A violência contra a criança e o adolescente é um assunto extremamente complexo e o seu combate deve ser enfrentado, através da participação de toda a sociedade. Entretanto, muitas vezes, serão os pediatras que estarão na linha de frente e terão que resolver questões imediatas.

Com isso, o adequado conhecimento sobre o assunto é vital para que o profissional saiba tomar as medidas preconizadas e contribuir para a diminuição do sofrimento, quando este se deparar com crianças ou adolescentes vítimas de violência.

Vamos relembrar que a violência não se restringe apenas à agressão física. Por definição, é a ação ou omissão, consciente ou não, que promove dor à criança e ao adolescente, física ou emocional. Podemos classificar os atos de violência das seguintes formas:

Doméstica

Extrafamiliar

Autoagressão

Violência entre iguais (bullying)

Física

Institucional

Atividades de risco

De acordo com o papel da criança ou adolescente:
autor
alvo
testemunha

Sexual

Social

Provocar lesões em si mesmo

De acordo com a forma:
direta
indireta
cyberbullying

Psicológica

Urbana

Suicídio

Negligência

Macroviolência

Formas peculiares:

-> síndrome de Munchausen por transferência
cultos ritualísticos

A violência doméstica é a mais comum nesta faixa etária. Como se pode perceber, são muitas as formas de violência contra a criança e o adolescente e cada uma delas tem a sua particularidade e terá seus manejos específicos. Entretanto, existem alguns aspectos do atendimento médico inicial que deverão estar presentes em qualquer um dos tipos e formas de violência.

Diante da suspeita de um caso de violência, o médico deverá realizar anamnese e exame físico minucioso, garantindo um ambiente reservado e acolhedor. Deve-se escutar mais do que falar, sem tentar influenciar a criança ou o adolescente com interpretações do que aconteceu e procurando evitar que a mesma tenha que repetir a narrativa várias vezes. Se necessário, prestar o atendimento emergencial (clínico e/ou cirúrgico), independentemente da situação da investigação policial, sempre orientando sobre os procedimentos que serão adotados.

Deve-se garantir a ética no atendimento e acompanhar o caso em todas as suas interfaces, responsabilizando-se por prestar seguimento ambulatorial.

Nos casos de violência sexual, deve-se administrar contracepção de emergência; fornecer profilaxia para doenças sexualmente transmissíveis; propor o encaminhamento para serviço de abortamento legal, se necessário; providenciar encaminhamento para providências policiais e judiciais e colher material para provas forenses no atendimento emergencial, se não houver tempo para ser colhido pelo IML. Por último é importantíssimo NOTIFICAR mesmo a simples suspeita de maus-tratos aos órgãos de proteção legal.

Nos casos graves ou que ofereçam risco à paciente, deve-se internar a criança ou adolescente e a alta hospitalar dependerá não só de critérios clínicos, como também da decisão judicial.

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