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Terapia Cognitivo-Comportamental

Você conhece a Terapia Cognitivo-Comportamental?

Colunistas, Psicologia Médica
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Tempo de leitura: 12 minutos.

A terapia cognitivo-Comportamental é um modelo de psicoterapia fundado por Aaron Beck, Psiquiatra americano e professor da Universidade da Pensilvânia, na década de 60. Remanescente de estudos profundos da Psicanálise, estabeleceu um método de trabalho inicialmente construído para depressão, mas que se ampliou consideravelmente nos dias de hoje e está baseado no empirismo colaborativo, concentrada no aqui e agora, com atuação centrada nas cognições do paciente, através de sessões estruturadas, focadas em metas e soluções de problemas, compreendendo em média entre oito a 20 sessões para os principais problemas aos quais está indicada, mas podendo ser estendida mediante as necessidades do paciente.

Ela compreende a ideia de que cada um de nós, desde o nascimento, mediante sua interação com o meio ambiente (desde o primeiro contato com as figuras significativas de vida) desenvolve um sistema muito particular de percepção dos eventos que nos rodeiam e daqueles dos quais participamos diretamente à medida que os órgãos sensoriais os detectam. Nós processamos internamente esses eventos de vida e os organizamos em forma de blocos mnêmicos denominados esquemas.

Que são Esquemas? São estruturas mentais que organizam o significado das suas experiências. É a reunião de informações e concepções a respeito de uma situação ou experiência e essas concepções são agrupadas como crenças básicas e pressupostos característicos a cada evento ou grupo de eventos.

Toda vez que esses eventos são percebidos pelos nossos sentidos, os esquemas são ativados, as crenças eclodem e geram pensamentos e atribuições imediatas consoantes a elas. São esses componentes cognitivos que alteram o nosso humor, deflagram as sensações que atingem o organismo (mudam a fisiologia) e determinam o comportamento que adotamos referentes a cada estímulo situacional.

Vamos a um exemplo prático para a assimilação dessa teoria. Digamos que Adriano tenha ido à praia com a família nas férias do ano anterior e seu filho, certo dia, ficou desaparecido por duas horas enquanto estavam acampados no local tomando sol. É claro que a experiência não foi agradável. Suscitou ansiedade, preocupação considerável. A experiência foi processada no seu inconsciente e produziu esquemas de avaliação dessa ocorrência sob a forma de crenças e pressupostos específicos.

Hoje, um ano depois, alguém lhe pergunta: “Você voltará à praia este ano para o descanso das férias?”. Adriano fica repentinamente ansioso e seu humor assume uma característica de irritação. Instantaneamente, sente um frio na barriga, um mal-estar indefinido; seu corpo transpira levemente e ele percebe seu coração batendo mais rápido. Por que ocorreu essa mudança de humor e novas sensações desagradáveis invadiram seu corpo?

Porque o esquema cognitivo centrado no perigo e construído na vivência passada ativou automaticamente suas crenças; desse modo, surgiram à beira da consciência pensamentos do tipo “Praia é um lugar perigoso. É onde crianças desaparecem”; “Meu filho desapareceu na praia quando estivemos em férias e a culpa foi minha por ter sido tão desatento”; “Se eu for à praia novamente, serei um pai irresponsável”; “Não posso permitir que ele desapareça de novo”. Então, Adriano responde ao seu interlocutor: “Nem pensar. Não vou mais inventar esse passeio. Da última vez ele foi um desastre”.

Esse diálogo o levou a se sentir ansioso e sensações físicas incômodas (mudança da fisiologia corporal) apareceram porque houve um retorno de interpretações muito pessoais sobre o que vivenciou antes. Seu comportamento final foi de prevenção, o de negar-se a ir à praia novamente. Ora, a praia é um local de diversão. É quase unânime essa assertiva. Quase todos gostam de praia. Além do mais, crianças fazem estripulias, podem sumir em qualquer lugar até mesmo nos mais seguros; voltar à praia não tem qualquer relação com irresponsabilidade ou má conduta moral. Ao contrário, pode proporcionar maior cota de lazer. Porém, conforme descrito no exemplo imaginário acima, Adriano processou a informação construindo esquemas destrutivos e geradores de temor e apreensão e o resultado final foi a evitação desse estilo de divertimento.

Aprofundando mais o tema, a terapia cognitiva aponta que todo ser humano exerce três funções básicas para que se efetive a vida de relação: ele pensa, sente e age. Esses três elementos são as bases da sua interação consigo mesmo e com o mundo a sua volta. Sem eles essa relação é impossível. O modelo cognitivo-comportamental parte do pressuposto de que os nossos pensamentos influenciam intensamente as emoções e as reações de comportamento que venhamos a ter. Emoções e comportamentos, portanto, são influenciados pelo modo como uma pessoa enxerga os eventos que lhe acontecem no dia a dia.

Não é uma situação por si só que tem importância na modificação do humor; na verdade, a interpretação que fazemos dela ou o modo como nós a entendemos é bem mais significativo e é a causa das repercussões emocionais e comportamentais resultantes.

Vejamos o exemplo abaixo: 

Ao chegar a uma empresa para entrevista, Janete teve o seguinte pensamento: “isso não vai dar certo. Essa entrevista será um fracasso”. Em seguida, sua ansiedade aumenta e ela penetra em um estado de derrota absoluta. Consequência: abandona a oportunidade que havia alcançado, saindo do local antes de ser chamada pelo entrevistador.

Janete teve o que chamamos de pensamento automático ou disfuncional, pela crença de que não conseguiria ser satisfatória na entrevista. Seu medo exacerbou e ela desistiu do emprego. Temos aí uma sequência nítida do modelo cognitivo-comportamental. Pensamentos automáticos são aqueles que não passam peio crivo da razão, pela análise consciente; não são decorrentes de deliberação ou raciocínio; adentram o nosso campo mental e influenciam consideravelmente nossas emoções e condutas, causando mudança negativa no humor e fazendo com que adotemos comportamentos também disfuncionais. Não são facilmente percebidos. Habitualmente, somos capazes de notar multo mais nossas emoções do que os pensamentos que as produziram. Isso significa que é necessário certo treino para aprendermos a identificá-los, avaliá-los e corrigi-los satisfatoriamente.

A terapia cognitiva procura detectar, analisar e modificar esses pensamentos automáticos e crenças, oferecendo uma forma mais adaptativa de pensar e ver as coisas, as ocorrências cotidianas. Quando o paciente aprende a identificar e corrigir seus pensamentos disfuncionais, normalmente o seu humor melhora e as suas atitudes perante a vida ficam mais adequadas e otimistas.

Normalmente, os pensamentos automáticos desadaptativos situam-se relacionados a três áreas que Aaron Beck chamou de tríade cognitiva:

  • A própria pessoa (o self): “eu não sou capaz”, “eu não mereço ser amado(a)”.
  • O mundo e os outros: “O mundo é um lugar perigoso”, “as pessoas não são confiáveis”
  • O futuro: “as coisas nunca darão certo”, “não vejo saída para mim”

Mas você pode estar se perguntando agora: como surgem esses pensamentos automáticos? Por que, às vezes, pensamos, sentimos e nos comportamos de maneira inadequada, experimentando sofrimento?
Normalmente, a maioria de nós leva uma vida razoavelmente operacional, com certa dose de otimismo, esperança, realizando tarefas e cumprindo deveres. Entretanto, diante de certas situações ameaçadoras, de uma frustração, de uma perda, de uma decepção, podemos mudar o nosso humor e reagir a essas situações de modo negativo.

Cada ser humano, em função da sua predisposição pessoal, desenvolve um sistema próprio ou particular de ideias essenciais acerca de si, do mundo, do futuro, das pessoas, da vida. Essas ideias essenciais são chamadas de crenças centrais ou nucleares e se originam desde a infância e a partir da interação com o ambiente. Se o indivíduo as alimenta e mantém, pelo processo de repetição das experiências nas quais elas surgiram, tornam-se ideias rígidas, inflexíveis, globais, generalizadas, difíceis de serem modificadas e que repercutem com maior ou menor intensidade no nível do pensamento, na emoção e no comportamento. Podem ser de três tipos:

1. Crenças de desamor

  • “Não mereço ser amado(a)”
  • “Não sou atraente”
  • “As pessoas não gostam de mim”
  • “Nunca serei feliz ao lado de alguém”

2. Crenças de Desvalor

  • “Sou incompetente”
  • “Sou incapaz”
  • “Sou inútil”
  • “As pessoas se saem sempre melhor do que eu”
  • “Não faço nada certo”

3. Crenças de desamparo

  • “Sozinho não consigo dar conta de mim”
  • “Necessito que os outros me aprovem para que eu seja feliz”
  • “Sou desajeitado(a)”
  • “Melhor concordar sempre com as pessoas, assim elas não me abandonarão”

Essas crenças essenciais geralmente ficam ocultas em nosso inconsciente, operando em silêncio e produzindo uma maneira muito própria de vivermos, de concebermos a nós mesmos, o mundo, o futuro e as pessoas ao nosso redor. Essa maneira própria de vivermos, que se constitui a partir das crenças centrais, determina um padrão específico de comportamento que adotamos para tentar “funcionar” no ambiente.

Existe também outro padrão de crenças, consideradas mais superficiais e acessíveis à consciência chamadas de intermediárias ou periféricas e que podem se apresentar como:

Regras

  • “Devo ser perfeito em tudo que faço”
  • “Tenho que fazer tudo certo sempre, senão eu não suporto”
  • “Não aceito críticas em hipótese alguma”

Atitudes ou posturas mentais

  • “É horrível ser incompetente”
  • “Como é triste ser inadequado”
  • “Para evitar confusão, sempre é bom ficar calado”

Suposições

  • “Se eu der duro, poderei alcançar um bom nível na escola”
  • “Se eu tirar boas notas, meus pais me amarão mais”
  • “Se eu me afastar dos outros, eles não vão perceber as minhas fraquezas”

Agora observe o esquema a seguir:

Amanda vai para casa desanimada porque não se saiu bem nos testes de gramática. Alcançou uma média abaixo do esperado.

Situação

Tirou uma nota baixa em gramática
Precisa melhorar o desempenho

Pensamentos automáticos

  • “Essa nota baixa indica o meu fracasso”
  • “Isso não é para mim”
  • “Essa matéria nunca entrará na minha cabeça”
  • “Como é difícil aprender gramática. Não vou conseguir”

Emoções

  • Tristeza, frustração

Comportamento final

  • Fecha o livro e desiste de estudar

Esse modo distorcido de ver as coisas ocorreu porque o terapeuta identificou que Amanda possui como crenças subjacentes e centrais:

Crença central

  • “Eu sou incompetente”

Crenças intermediárias(Atitudes, regras, suposições)

  • “Se não entendo algo perfeitamente, então eu sou burra”
  • “Devo acertar sempre na vida”
  • “Gramática é o meu grande inimigo”

Esse é o esquema do modelo cognitivo. Observe que os pensamentos que Amanda elaborou em sua mente foram os controladores e propulsores da perturbação emocional e do comportamento final inadequado, já que ela abandonou, pelo menos momentaneamente, os estudos de gramática, perdendo a oportunidade de se dedicar um pouco mais e, dispensando atenção e confiança em si mesma, absorver o conteúdo da matéria com segurança.

Façamos uma avaliação breve do contexto de certas crenças e sua influência sobre os sentimentos e comportamentos. Acompanhe conosco a avaliação de um caso individual:

Penélope tem a crença (que nem sempre é consciente, mas a faz sofrer): “Sou um fracasso em tudo a que me proponho fazer”. Pelo fato de possuir essa crença central muito rígida, ela assume algumas regras de vida: “Devo me esforçar ao máximo para conseguir alguma coisa na vida” ou, ao contrário, “o melhor que faço é não esperar muito de mim”; ela também toma algumas atitudes ou posturas mentais como verdadeiras: “como é terrível ser um fracasso” ou “quem tentar estudar comigo se dará mal. Eu atrapalho todo mundo”; por fim, supõe: “se eu me afastar das pessoas, ninguém notará o quanto sou fraca” ou “se me matar de trabalhar, atingirei meu objetivo”.

Assim, ela pode enfrentar essas crenças negativas afastando-se das pessoas ou dependendo delas, trabalhando arduamente ou evitando desafios e tarefas, cobrando-se um alto nível de desempenho ou desistindo de si mesma.

Em outro exemplo, Polyana tem a crença: “nunca terei a chance de ser amada por alguém”. Essa crença generalizada, de que ela não tem a menor certeza, mas que acredita como um dogma, também padroniza nela algumas regras de vida: “devo ser aprovada por todas as pessoas” ou “todos deveriam gostar de mim”; da mesma maneira, toma algumas atitudes como reais: “como é terrível não ser amada. Acho que não suportaria passar por isso” ou “é muito difícil não ser aceita pelos outros”, então, supõe: “só posso ser feliz se todos me aceitarem” ou “não poderei me realizar como pessoa a não ser que eu seja reconhecida e amada pelos outros”.

Mais uma vez, ela pode enfrentar essas crenças de várias maneiras: agradando demais os outros ou os desprezando, fazendo tudo para chamar a atenção das pessoas ou as evitando para não se magoar, cobrando afeto a todo instante ou ferindo os sentimentos das pessoas, etc.

A terapia cognitiva pode ajudar as pessoas a resgatarem essas crenças ou concepções arraigadas, examiná-las cuidadosamente e modificá-las para concepções mais adaptativas e reais.

Nem todos os pensamentos ou ideias que fazemos a nosso ou a respeito dos outros é verdadeiro. Pelo fato de pensarmos sobre algo como verídico e irrefutável, não significa propriamente que ele o seja. E quando, realmente, constatamos que alguma coisa saiu errada, de certo, podemos alterá-la para melhor, para uma condição mais favorável. Usando os recursos do tempo, da paciência e da perseverança, atingiremos qualquer objetivo que desejarmos.

Vamos analisar novamente o caso que citamos acima aplicando os conhecimentos adquiridos:

Janete desejava alcançar a oportunidade de um emprego novo. Estava em vias de consegui-lo, pois, havia sido chamada para uma entrevista. Entretanto, pensou: “isso não vai dar certo. Essa entrevista será um desastre”. Ficando muito ansiosa, deixou passar a tal oportunidade.

Mas se no momento no qual Janete tivesse esse pensamento negativo, ela respondesse ao pensamento, refletindo: “espere um minuto. Não preciso pensar assim de modo tão destrutivo. Não me conduzirá ao que eu desejo. Eu me preparei para essa entrevista, meu currículo é competitivo e eu preencho os critérios para o emprego. Não estou aqui por uma aventura sem medidas. Por que estou preocupada? O que me demonstra que me sairei mal? Que evidências eu tenho que essa entrevista será vergonhosa? Na verdade, tenho tudo para me sair bem.

O que há de ruim em tentar uma colocação? Será que não tenho o mesmo direito que os outros candidatos? Além disso, o que de pior poderia acontecer? E se eu não me sair bem? Onde está o problema? Posso perfeitamente buscar novas oportunidades em outros lugares. Este emprego é importante, eu gostaria de alcançá-lo, seria muito bom entrar nessa empresa, mas posso superar uma resposta negativa, se ela acontecer. Pior é não tentar de algum modo. Aí é que eu nunca saberei do resultado”.

Essa visão mais adaptativa e serena da situação permitiria que Janete enfrentasse de maneira efetiva a entrevista, embora, naturalmente, não desaparecesse de todo a ansiedade.

Podemos citar outro exemplo para contribuir com sua assimilação:
Seu chefe o chama em sua sala e declara que você está demitido. É claro que essa não é uma situação agradável. Sua reação natural será de tristeza, apreensão e desgosto.

Digamos, porém, que você pense

  • “Isso não deveria ter acontecido”
  • “As pessoas são sempre cruéis com os outros”
  • “Eles não deveriam ter feito isso comigo”
  • “Sou um fracasso naquilo que procuro fazer”
  • “Nunca mais conseguirei um emprego na vida”

Em seguida, seu humor piora e você fica angustiado, tenso, deprimido e decide:

  • “Vou para casa e não tentarei mais nenhuma nova colocação”

Perder o emprego é uma situação-problema, não há dúvida. Desistir de tudo, no entanto, é uma conduta contraproducente, inibidora de soluções sadias e também derivada, fundamentalmente, de ideias irracionais que foram construídas pessoalmente.

Essas ideias ou crenças ligadas ao problema específico, provavelmente, seriam:

  • “As coisas devem sempre sair do meu jeito”
  • “Não posso perder o controle das coisas”
  • “Se alguém me fizer sofrer, será o meu fim”
  • “Não posso ser desrespeitado por ninguém. Se isso acontecer, não aguentarei”

O elevado grau de sofrimento e a desistência de lutar por uma condição melhor não foram motivados pela perda do emprego, mas pela filosofia disfuncional que você nutre intimamente. Ao modificar essa maneira nociva de pensar e interpretar a si mesmo, sua vida, seu cotidiano, suas relações, buscando considerar tudo isso com mais cuidado, sendo mais maleável consigo e com as pessoas, certamente, seria mais feliz e teria muito mais sucesso.

Nosso comportamento é motivado sempre pelo conceito que formulamos sobre os eventos e as emoções dele resultantes. Erros cognitivos, isto é, maneiras distorcidas (dogmáticas, inflexíveis) de pensar sobre os fatos nos levam a numerosos comportamentos disfuncionais.

Os principais erros cognitivos que encontramos na prática são:

  • Leitura Mental: Imaginamos ter a capacidade de ler a mente das pessoas. Olhamos para elas ou nos lembramos delas e ficamos a imaginar sem base comprobatória qualquer: “Ele acha que sou um fracasso”; “Na certa, ela está pensando: Como ele é bobo”.
  • Adivinhação: Costumamos também prever o futuro com incrível facilidade, mesmo que nada de concreto seja incrementado às nossas suposições. Achamos que tudo será um desastre, que nada vai dar certo, que as coisas vão “se perder pelo ralo”. Pensamos: “Vou ser reprovado no exame” ou “Não conseguirei o emprego”ou ainda “Isto não dará certo”.
  • Catastrofização: Outras vezes, ampliamos o significado de uma situação a ponto de colocá-la em regime de catástrofe. Cremos que o que nos aconteceu o vai acontecer será “o fim da picada” e não aguentaremos “o baque”, como, por exemplo, “Seria horrível se eu fracassasse”, “Não vou suportar ficar sem ele”, “Minha performance foi horrível”.
  • Rotulação: Atribuímos rótulos com forte inflexibilidade em nossa direção ou na dos outros, dizendo “Sou indesejável”, “Sou um lixo”, “Ele é uma pessoa imprestável”.
  • Desqualificação do Positivo: É comum desvalorizarmos pontos fortes e aspectos positivos existentes em nós e nos outros, atribuindo a tudo uma conotação desqualificada: “Isso aí qualquer um faz”; “Não é mais que a sua obrigação tirar boas notas”; “Esse benefício que consegui foi porque tiveram pena de mim”. Ou ainda quando uma pessoa o elogia: “Você está muito bem vestido” e você responde: “Que nada! Esta roupa é tão velha”.
  • Abstração Seletiva: Diante de uma situação plenamente favorável, focalizamos somente o pequeno percalço no seu decorrer. Por exemplo, após uma apresentação valiosa em seu contexto total, você lembra: “Foi horrível a luz ter apagado por alguns instantes. Estou envergonhado”; após o término de um aniversário bem-sucedido, você recorda: “Viu só? Aquela criança deixou o prato cair na festa. Todos repararam”.
  • Hipergeneralização: Não é raro generalizarmos situações que acontecem endemicamente, por exemplo, “Tinha que acontecer justamente comigo. É sempre assim”; “Ninguém é confiável”, “Nesse mundo só tem fofoqueiro”; “Homem não presta”; “O mundo é dos espertos”.
  • Pensamento Dicotômico: Quando estamos irritados, gostamos de levar as coisas para os extremos, do tipo “Se não for para fazer bem alguma coisa, melhor nem começar”; “Comigo é oito ou oitenta”; “Não aceito meio termo”; “Ou é desse jeito ou é nada”.
  • O dogma dos “Deveria”: Achamos que certas coisas “deveriam” ser de tal modo ou “tem que” se concretizar conforme idealizamos. Por exemplo, dizemos “Eu tinha que ser melhor pai do que sou”; “Isso não deveria ter acontecido”; “Ela deveria ter me contado antes”; “Você deveria ser mais responsável”.
  • Personificação: Tornamo-nos responsáveis por tudo que acontece a nossa volta, como se pudéssemos ser autores dos sentimentos e comportamentos das pessoas. “Ele me olhou estranho hoje. Que será que eu fiz pra ele?”; “Parece que a conversa à mesa esfriou um pouco. Isso é mau pra mim”; “Quando as pessoas estão tristes ou zangadas, fico com receio de as estar perturbando de algum modo”
  • Culpabilizações: Projetamos nos outros responsabilidades que são nossas: “Se eu fiquei assim, foi por causa dela”; “As coisas deram errado porque faltou a contribuição de fulano”; “Se você tivesse me apoiado mais, nossa relação não teria sido esse desastre”.
  • Comparações: Prejudicamo-nos quando nos comparamos às demais pessoas. Comparações são vias de angústia. Exemplo: “Ele sempre foi melhor do que eu em tudo”; “Onde chego para trabalhar, sempre tem alguém fazendo melhor do que eu”; “Vão acabar chamando outro candidato para ocupar o cargo. Eu sou o mais desastrado de todos”.
  • Crítica Retrospectiva: Insistimos em “olhar para trás” sempre que algo não saiu como gostaríamos e nos recriminamos demoradamente: “Se eu tivesse me lembrado de dar a informação, ele teria sido menos grosseiro”; “Não era para eu estar nessa situação vexatória…”; “Deveria ter sido menos exigente. Agora é tarde”.
  • Desculpismo: Há momentos em que persistimos nas ideias “do contra”. Rejeitamos toda proposta que contraria o modo negativo de vermos nós mesmos, os outros, o mundo. “Não acho que seja isso. Tem outros fatores envolvidos”; “Você diz isso porque não o conhece. Ele ‘fez a sua cabeça’ totalmente”; “Você está errado. Deixou escapar o quanto ela é cruel com todos”.
  • Autodepreciação: Encontramos características de personalidade que elegem a autodepreciação como rotina. “Pobre de mim. Acho que não vou conseguir”; “Ela se sai tão bem. Queria ser como ela”; “Vivo me dando mal nos estudos”.

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