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leptospirose

Whitebook: saiba como é a abordagem da leptospirose

Essa semana no Portal da PEBMED falamos sobre os perigos da leptospirose, comuns em tempos chuvosos. Por isso, em nossa publicação semanal de conteúdos compartilhados do Whitebook Clinical Decision, separamos os critérios sobre diagnóstico e apresentação clínica da leptospirose.

Definição: Zoonose causada por espiroquetas da espécie Leptospira interrogans.

Fisiopatologia: As leptospiras podem infectar muitas espécies de animais domésticos e selvagens, mas a maioria dos casos ocorre a partir do contato ocupacional com água ou solo contaminado com urina de rato. As leptospiras podem entrar no organismo humano através de abrasões ou cortes na pele ou através de mucosas. Após penetração, elas circulam na corrente sanguí­nea para todos os órgãos, causando dano endotelial de pequenos vasos sanguí­neos com lesão isquêmica secundária.

Leptospirose anictérica:

  • Fase septicêmica: quadro abrupto de febre, calafrios, letargia, cefaleia intensa, mal estar, náuseas, vômitos, sufusão conjuntival com fotofobia e dor orbitária, linfadenopatia generalizada, hepatoesplenomegalia, mialgia importante e incapacitante, mais proeminente em extremidades inferiores, coluna lombosacra e abdome.
  • Fase imune: Ocorre após um breve perí­odo de melhora, manifestando-se com recorrência da febre e meningite asséptica, com sinais e sintomas mení­ngeos ocorrendo em cerca de 50% das crianças infectadas, embora cerca de 80% tenha alterações no lí­quor.Em uma quantidade menor de pacientes, pode haver exantema e uveí­te.

Leptospirose ictérica (Sí­ndrome de Weil):

  • Mais comum em adultos do que em crianças.
  • Fase septicêmica: semelhante í  fase septicêmica da leptospirose anictérica.
  • Fase imune: Icterí­cia rubí­nica (tom amarelo-avermelhado), dor em hipocôndrio direito, hepatomegalia, oligúria ou anúria, manifestações hemorrágicas (incluindo epistaxe, hemoptise, hemorragia pulmonar, gastrointestinal e adrenal), miocardite, choque cardiovascular.

Exames para confirmação do diagnóstico:

  • Sorologia: Por Teste de aglutinação microscópica, tem diagnóstico positivo para leptospirose quando ocorre um aumento nos tí­tulos 4 vezes ou mais ao se parear amostras de sangue colhidas de um caso suspeito. As aglutininas começam a aparecer após 12 dias de doença e chegam a uma titulação máxima em 3 semanas. Deve-se colher 2 amostras com intervalo de 7 a 21 dias.
  • Isolamento do organismo de espécies clí­nicas (tecidos infetados ou fluidos corporais): Por coloração com sais de prata de Whartin-Starry, PCR ou métodos de imunofluorescência ou imunohistoquí­mica.
  • Cultura: Mais difí­cil de realizar, mas pode ser utilizada para sangue ou lí­quor durantes os primeiros 10 dias de doença ou para urina após 2 semanas de doença.

Alterações laboratoriais na leptospirose ictérica / fase imune: Trombocitopenia, hiperbilirrubinemia direta e indireta, elevação moderada de enzimas hepáticas, hematúria, proteinúria, cilindros urinários, aumento da ureia e creatinina, manutenção do valor de potássio normal ou baixo, alterações inespecí­ficas no ECG (fibrilação atrial, flutter atrial, bloqueio atrioventicular de 1° grau).

Alterações do lí­quor na fase imune da leptospirose asséptica: Leve elevação na pressão, pleocitose (até 500 células/mm3) com predomí­nio de polimorfonucleares nos primeiros dias, seguido por predomí­nio linfo-mononuclear; proteí­norraquia normal ou levemente aumentada; glicorraquia normal.

  • Dengue;
  • Malária;
  • Influenza;
  • Meningoencefalites;
  • Pielonefrite;
  • Sí­ndrome de conversão do HIV;
  • Hepatites virais agudas;
  • Colecistite aguda;
  • Febre tifoide;
  • Febre amarela;
  • Ricketsioses;
  • Sepse.
Internação hospitalar: Pacientes com quadro suspeito de leptospirose devem ser internados para realização de tratamento e monitoramento de complicações.

Internação em unidade de terapia intensiva: Pacientes que evoluem com sí­ndrome de Weil devem ser internados em ambiente de terapia intensiva, pelo risco de hemorragias ameaçadoras í  vida e choque.

Iniciar o tratamento o mais precocemente possível a fim de encurtar a duração da doença.Antibiótico de escolha: Penicilina G cristalina 6-8 milhões U/m2/dia IV a cada 4horas por 7 dias.

Tratamento alternativo: Amoxicilina 50 mg/kg/dia VO 8/8h (< 9 anos) ou tetraciclina 10-20 mg/kg/dia IV ou VO 6/6h por 7 dias (>9 anos).

Reposição volêmica: Manter hidratação venosa com 100% das necessidades hí­dricas diárias para reposição volêmica, sempre avaliando a diurese e o balanço hí­drico. Se necessário, realizar etapa de expansão com cristaloide (20 ml/kg).

Diurético: Está indicado o uso de furosemida (0,5 mg/kg/dose IV até 4/4h) em casos onde não ocorre diurese espontânea. Avaliar precocemente a necessidade de diálise.

Instituir medidas de controle de roedores e evitar água e solo contaminados.Uso de roupas protetoras por pessoas em risco ocupacional.

Quimioprofilaxia pré-exposição: Uso de doxiciclina 200 mg VO 1x/semana para viajantes que vão para áreas endêmicas por curtos perí­odos de tempo.

Quimioprofilaxia pós-exposição: Doxiciclina 100 mg VO 12/12h de 5-7 dias.

Este conteúdo foi desenvolvido por médicos, com objetivo de orientar médicos, estudantes de medicina e profissionais de saúde em seu dia-a-dia profissional. Ele não deve ser utilizado por pessoas que não estejam nestes grupos citados, bem como suas condutas servem como orientações para tomadas de decisão por escolha médica. Para saber mais, recomendamos a leitura dos termos de uso dos nossos produtos.

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