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A exposição intraútero ao vírus sincicial respiratório pode ter consequências negativas no recém-nascido?

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O vírus sincicial respiratório (VSR) é o principal causador de bronquiolite em menores de dois anos, sendo responsável por grande morbimortalidade nesta faixa etária. A resposta imunológica ao vírus é limitada e pouco duradoura, permitindo múltiplas reinfecções, inclusive na vida adulta. Apesar de casos de exposição intraútero ao VSR já terem sido descritos, a frequência e as consequências desta exposição ainda são pouco conhecidas.

mulher grávida com vírus sincicial respiratório

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Transmissão intraútero do vírus sincicial respiratório

No estudo “Respiratory Syncytial Virus Seropositivity at Birth is Associated with Adverse Neonatal Respiratory Outcomes”, publicado em agosto na Pediatric Pulmonology, os pesquisadores Manti e colabordores buscaram avaliar a taxa de infecção intraútero por VSR e os efeitos desta transmissão nos recém-nascidos (RN).

Entre setembro de 2016 e abril de 2017 foram recrutadas gestantes de duas maternidades italianas que tivessem relato de doença respiratória no terceiro trimestre de gestação, definida pela presença de ao menos dois critérios dentre febre, tosse e odinofagia. Um grupo controle de gestantes sem infecção foi recrutado nas mesmas unidades entre setembro de 2018 e março de 2019.

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Foram excluídas gestantes com diagnósticos de outras infecções (hepatite B, hepatite C, HIV e Streptococcos agalactiae) e com imunossupressão. Após o parto, sangue do cordão umbilical foi coletado e realizado nele sorologia para VSR (IgA, IgM e IgG) por imunofluorescência. Títulos foram considerados positivos quando ≥ 1/20, de forma semelhante ao utilizado para diagnóstico de outras infecções congênitas.

Resultados

Foram recrutadas 22 mulheres com histórico de infecção respiratória e 40 controles. Todos os RN do primeiro grupo apresentaram anticorpos anti-VSR IgG ≥1:20. Dezesseis RN também apresentaram títulos elevados de IgA ou IgM, o que é altamente sugestivo de exposição intraútero, uma vez que não ocorre transmissão transplacentária destes anticorpos. No grupo controle, nenhum paciente foi soropositivo para VSR.

Os RN do grupo com histórico de infecção também apresentaram pior desfecho clínico e laboratorial. Problemas respiratórios foram desenvolvidos em 50% destes pacientes, sendo oito casos de síndrome do desconforto respiratório neonatal, cinco de taquipneia transitória do RN, cinco de apneia, três de insuficiência respiratória e um de pneumonia.

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Nove destes RN necessitaram de suporte com oxigênio. Por outro lado, nenhum dos RN do grupo controle apresentou problemas respiratórios. O grupo controle também apresentou níveis significativamente menores de leucócitos e de proteína C-reativa.

Conclusões

O estudo reforça a possibilidade de transmissão intraútero de VSR quando ocorre a infecção da gestante no terceiro trimestre. Além disso, sugere que quando esta infecção ocorre, o RN tem maior risco de complicações respiratórias pós parto.

Mais estudos são necessários a fim de definir os efeitos diretos e indiretos da infecção intrauterina por VSR, mas estes achados reforçam que a imunização das gestantes pode ter um papel importante na proteção de RN e lactentes contra este patógeno.

Autora:

Referência bibliográfica:

  • Manti S, Esper F, Alejandro-Rodriguez M, et al. Respiratory Syncytial Virus Seropositivity at Birth is Associated with Adverse Neonatal Respiratory Outcomes [published online ahead of print, 2020 Aug 2]. Pediatr Pulmonol. 2020;10.1002/ppul.25001.
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