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A importância do controle do foco infeccioso (Source Control) como parte do manejo da sepse grave

O impacto do Source Control, ou controle do foco infeccioso, em pacientes sépticos ainda não é totalmente compreendido. Um novo artigo avaliou a epidemiologia da necessidade do controle do foco infeccioso e seu papel no manejo da sepse grave.

Para o artigo, pesquisadores fizeram uma análise observacional prospectiva dos dados de um grande estudo espanhol para melhorar a antibioticoterapia na sepse. Foram registrados 3.663 pacientes com sepse grave ou choque séptico durante três períodos de 4 meses entre 2011 e 2013.

Veja também: ‘SIRS x qSOFA: qual o melhor escore para identificar pacientes com sepse grave?’

Um total de 1.173 pacientes (32%) foram submetidos ao Source Control, predominantemente para infecções abdominais, urinárias e de tecidos moles. Comparados aos que não necessitaram do controle do foco infeccioso, pacientes submetidos ao Source Control eram mais velhos, com maior prevalência de choque, disfunção orgânica maior, bacteremia, marcadores inflamatórios e acidose láctica.

Em pacientes submetidos ao Source Control, a mortalidade na UTI foi menor (21,2% vs 25,1%; p = 0,010). Após ajuste para fatores de confusão, a mortalidade hospitalar também foi menor (OR = 0,809 [IC 95%, 0,658 – 0,994], p = 0,044). O controle do foco infeccioso após 12 horas não foi associado com maior mortalidade (27,6% vs 26,8%, p = 0,789).

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Dr. Ronaldo Gismondi, doutor em Medicina e professor de Clínica Médica na Universidade Federal Fluminense, fala mais sobre o Surviving Sepsis Campaign e o artigo em questão:

“O controle do foco infeccioso, ou “Source Control”, é uma das “pedras fundamentais” do Surviving Sepsis Campaign e pode ser definido como “todas as medidas físicas necessárias para eliminar o foco de uma infecção, controlar a contaminação e restabelecer os marcos anatômicos e funcionais normais”. Inclui, entre outros, ações como drenagem de coleções ou abscessos, desbridamento de tecidos infectados e/ou necrosados, retirada de corpo estranho (seja externo ou uma prótese infectada) e/ou correções de lesões anatômicas que estejam contaminando o organismo, como cólon perfurado por exemplo. E, claro, retirar/trocar um acesso venoso profundo!!!

E mais: ‘Sepse e novas definições: o que muda na prática?’

No texto do Surviving Sepsis o nível de evidência está marcado como “BPS”, isto é, “best practice statement”. O texto define BPS como uma forte recomendação, mesmo que não haja evidências suficiente para classificar como nível IA ou IIA, por exemplo. Seria, metaforicamente, como recomendar um paraquedista a levar um paraquedas reserva: não precisa de ensaio clínico para testar a eficácia do método! A diretriz recomenda ainda que o Source Control ocorra em até 6 a 12 horas, apesar de reconhecer que a evidência científica para embasar essa recomendação é pequena. Se houver necessidade de estabilização clínica do doente, o ideal seria realizar o máximo possível em até 12 horas e realizar logo a intervenção cirúrgica.

O artigo que saiu recentemente na Critical Care Medicine reforça a importância do Source Control. Os autores realizaram uma análise secundária de dados do estudo espanhol “Antibiotic Intervention in Severe Sepsis Study” e observaram que os pacientes submetidos ao Source Control apresentaram menor tempo de internação e um risco 21% menor na mortalidade hospitalar! Contudo, não houve diferença estatisticamente significativa no tempo até o Source Control, de modo que não provaram se de fato o procedimento deva ocorrer em até 12h”, conclui Dr. Ronaldo.

Take-home message: o controle do foco infeccioso (source control) é fundamental como parte do manejo da sepse e deve ser realizado, preferencialmente, em até 12 horas do início do quadro.

Referências:

  • Impact of Source Control in Patients With Severe Sepsis and Septic Shock. Critical Care Medicine: January 2017 – Volume 45 – Issue 1 – p 11–19. DOI: 10.1097/CCM.0000000000002011

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