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A importância do glaucoma no cenário de saúde atual

Tempo de leitura: 2 minutos.

O glaucoma é uma doença neurodegenerativa de etiologia multifatorial compreendendo inúmeras afecções oculares que possuem como característica comum a lesão progressiva do nervo óptico, com perda de campo visual. O principal sítio de lesão no glaucoma são as fibras nervosas, que correspondem aos axônios das células ganglionares. No glaucoma ocorre uma aceleração do processo de apoptose dessas células comparada à perda natural decorrente do envelhecimento. A elevação da pressão intraocular é um fator de risco primário.

Pode ser classificado, de forma principal, de acordo com a etiologia (primário ou secundário), o aspecto anatômico do seio camerular (aberto ou fechado) ou a evolução clínica (agudo ou crônico). Quando os mecanismos fisiopatológicos que levaram ao desenvolvimento do glaucoma são conhecidos e resultam em elevação da pressão intraocular e lesão do disco óptico é denominado secundário, enquanto o termo primário se restringe aos glaucomas cujo mecanismo responsável pela lesão glaucomatosa e elevação da pressão intraocular não está estabelecido. Já o seio camerular corresponde a uma série de estruturas que incluem desde a íris periférica até a linha de Schwalbe. A observação dessas estruturas pela gonioscopia permite classificar o ângulo em aberto ou fechado.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é a segunda causa de cegueira no mundo (12,3%), superado apenas pela catarata (47,8 %), e a primeira causa de cegueira irreversível. Apesar das causas de cegueira no mundo variarem de acordo com as condições socioeconômicas e geográficas de cada população, o glaucoma mantém-se como uma das principais causas, independente da população avaliada. Aproximadamente 55% dos casos são de glaucoma primário de ângulo aberto.

Glaucoma

Prevê-se a ocorrência de 79,6 milhões de pessoas com glaucomas de angulo aberto e fechado em 2020. Além disso, uma estimativa prevê que 5,9 milhões e 5,3 milhões de indivíduos com glaucomas de ângulo aberto e fechado, respectivamente, apresentarão cegueira bilateral em 2020. No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma, a doença atinge 2% dos brasileiros acima de 40 anos.

O principal fator de risco é a elevação da pressão intraocular. Idade e ancestralidade são fatores de risco estabelecido para os glaucoma de ângulo aberto e fechado. No glaucoma de ângulo aberto a prevalência entre negros é maior em todas as faixas etárias. Já a frequência de glaucoma de ângulo fechado é maior entre esquimós e asiáticos. História familiar de glaucoma inclui-se também como um dos fatores de risco para o desenvolvimento da doença.

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Estudos sugerem que alterações vasculares como vasoespasmo, enxaqueca, anormalidades no fluxo sanguíneo ocular e distúrbios na autorregulação da circulação sanguínea sistêmica e/ou ocular estão associados a maior susceptibilidade para o desenvolvimento do glaucoma. Diabetes, miopia e uso de corticoides, principalmente tópicos, são outros fatores de risco relacionados.

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Em geral, no início, o glaucoma é uma doença assintomática. A perda visual só ocorre em fases avançadas e compromete primeiro a visão periférica. Progressivamente, ocorre um estreitamento do campo de visão até esse transformar-se em visão tubular evoluindo para cegueira. Dessa forma, é de extrema relevância consultas regulares com o oftalmologista, sobretudo a partir dos 35 anos. O diagnóstico precoce é fundamental para o controle da doença. Além disso, a adesão ao tratamento é fundamental, e pode trazer graves consequências, quando não realizado de forma adequada.

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Referências:

  • Kanski, Jack J. e Brad Bowlimg- Oftalmologia clínica: uma abordagem sistêmica- 7 edição- pág 312 e 313.
  • Glaucoma/ Conselho Brasileiro de Oftalmologia: coordenador Milton Ruiz Alves- 4 ediç~çao- pag 19 a 27.

Um comentário

  1. Avatar
    Fernando Márcio Capanema Pereira

    Qual o principal sintoma do Glaucoma?

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