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Mialgia e febre: veja o passo a passo de como tratar esse paciente

Tempo de leitura: 3 minutos.

No ensino médico, sempre aprendemos que um paciente com febre e mialgia, na ausência de outros sintomas, “deve ser virose” e, como tal, não haveria tratamento específico e o paciente melhoraria espontaneamente. Infelizmente, os últimos 10 anos vieram mudar essa prática. Hoje, dengue, zika, chikungunya e até o renascimento da febre amarela desafiam o médico no cenário de emergência!

O ponto comum dessas arboviroses é a transmissão, em área urbana, pelo mosquito Aedes aegypti. Desse modo, tendem a ser mais comuns no verão, quando o calor e a alta umidade favorecem a proliferação do mosquito. Em todas, a fase inicial da doença (< 5 dias) lembra uma virose comum: febre, mialgias, prostração, mal estar. Rash é muito comum, especialmente com Zika.

Principais sintomas

Há poucas pistas nesta fase para separar qual é qual (veja a Tabela 1, da Fiocruz, com dicas sobre elas). Mas o mais importante vem a seguir: é na segunda fase da doença que as complicações e os riscos aparecem.

Tabela adaptada do site da Fiocruz

Na primeira fase, esteja atento a três dicas principais:

  1. Gravidez: o problema maior é Zika, pelo risco de malformações. Será necessário coletar material (sangue) para tentar identificar o vírus e acompanhar o desenvolvimento do feto.
  2. Comorbidades: a presença de obesidade importante, DPOC, asma, cardiopatia, entre outros, aumenta o risco de formas graves da doença, em especial a dengue. Esses pacientes deverão ser reavaliados em intervalos menores de tempo.
  3. História epidemiológica: a bola da vez é Minas Gerais e febre amarela. Colete sangue para pesquisa viral e sorologia e reavalie o paciente em curto espaço de tempo (48-72h). O objetivo é identificar precocemente quem evoluirá com formas graves da doença – icterícia e hemorragia.

Formas graves

Para os pacientes que se apresentarem com sintomas > 5 dias, a dica é rastrear formas graves. Avalie hemodinâmica/perfusão, derrame articular, neurológico (encefalite/meningite), função hepática e coagulação. Colete exames complementares para te ajudar mesmo que não haja ainda icterícia ou sangramento ativo. Se for grupo de maior risco (idoso e/ou comorbidades) ou qualquer indício de forma grave, mantenha o paciente internado para monitorização.

Dengue – Dor abdominal, vômitos, hepatomegalia

– Hipotermia

– Trombocitopenia, aumento hematócrito, hemorragias

– Alteração da consciência: irritabilidade ou sonolência

– Sinais de choque: hipotensão, taquicardia, oligúria

– Desconforto respiratório

Chikungunya – Artrite

– Meningoencefalite

– Guillain-Barré

– Uveíte

– Surdez

– Choque por aumento de permeabilidade capilar semelhante à dengue

Zika – Gravidez

– Guillain-Barré

Febre Amarela – Hepatite aguda, por vezes fulminante

– Insuficiência renal aguda

– Hemorragias / discrasias

– Miopericardite

– Encefalite

O diagnóstico se baseia na detecção do vírus na primeira semana e depois na sorologia.

 

Dengue RT-PCR ou NS1: sangue
Sorologia IgM e IgG (ELISA ou hemaglutinação)
Chikungunya RT-PCR
Sorologia IgM e IgG (ELISA ou fluorescência)
Zika RT-PCR: sangue ou urina
Sorologia IgM (ELISA) e PRNT (plaque reduction neutralization test)
Febre Amarela PCR
Sorologia IgM (ELISA)

A Fiocruz recentemente lançou o Kit NAT, o mesmo usado pelo CDC (EUA), para RT-PCR simultâneo de Dengue, Zika e Chikungunya.

A peça chave do tratamento será a hidratação. Não há agentes antivirais para arboviroses. No caso da artrite por Chikungunya, há espaço para corticoide local e sistêmico.

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Autor:

Ronaldo Gismondi

Doutorado em Medicina pela UERJ ⦁ Cardiologista do Niterói D’Or ⦁ Professor de Clínica Médica da Universidade Federal Fluminense

Referências:

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