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Abrir as portas do CTI para as famílias reduz a incidência de delirium?

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Delirum é uma complicação comum nas unidades de terapia intensiva. É rotina aconselharmos os familiares a ficar a maior parte de tempo possível com seus entes na tentativa de reduzir as taxas. Há alguma evidência científica que comprove esta prática? Recentemente, foi enviada uma carta ao editor na revista Intensive Care Medicine com um estudo avaliando os efeitos da visita estendida (24h) na incidência de delirium.

O estudo foi feito em um hospital do sul do Brasil. Os registros de todos os pacientes internados consecutivos que permaneceram na UTI por mais de 48 horas foram avaliados.

Foi feita uma divisão em fases:

Fase I (março de 2015 a fevereiro de 2016): os parentes poderiam optar por permanecer com pacientes por até 6 h em vez de o regime padrão (quatro visitas de meia hora).

Fase II (março de 2016 a fevereiro de 2017): os familiares escolheram entre um regime de visitação prolongado que permitia a presença de parentes a qualquer momento por até 24h / dia ou o regime padrão.

A adesão foi acessada pela verificação do código de barras da tag de identificação do visitante. Os pacientes foram acomodados em quartos individuais e avaliados diariamente usando a Lista de Verificação de Triagem de Delirium de Cuidados Intensivos. O desfecho primário foi a ocorrência de delirium.

Foram incluídos 248 e 268 pacientes nas fases I e II, respectivamente. A aderência ao regime de visita de 6 horas foi de 44,9% na fase I, enquanto 68,6% aderiram à política de visita de 24 horas na fase II (p <0,001).

Os resultados mostraram que a adesão dos familiares nos turnos da manhã, tarde e noite aumentou na fase II (p <0,001), enquanto a incidência de delirium diminuiu de 12,1% para 6,7% (OR 0,52; IC95% 0,28-0,96 p = 0,03). A visita prolongada foi o único fator de proteção para a ocorrência de delirium (OR 0,36; IC95% 0,17‐0,74; p = 0,005) após ajuste de regressão logística para fatores de confusão.

O estudo concluiu que a política de visitação prolongada de 24 horas foi associada a uma redução na incidência de delirium. Mais estudos são necessários para confirmar os benefícios dessa política. Porém, este artigo sugere o que, na prática, já vemos com frequência, os benefícios da presença dos familiares na UTI.

Estamos vivendo uma mudança na forma como encaramos as “unidades fechadas”, pois as famílias têm estado cada vez mais presentes. Como equipe, precisamos estar atentos para acolher os familiares e tê-los como parceiros na recuperação dos pacientes.

Abordagem farmacológica na prevenção e tratamento do delirium

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