ACC 2021: dapagliflozina seria benéfico em pacientes com Covid-19 e fatores de risco?

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A dapagliflozina já demonstrou redução de eventos e morte em pacientes com insuficiência cardíaca com e sem diabetes, além de demonstrar redução da progressão da doença renal crônica. Diante de tantos benefícios, por que não testar esse medicamento em pacientes com Covid-19 e risco de morte e falência de órgãos?

médico receitano dapagliflozina para Covid-19

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Dapagliflozina na Covid-19

O estudo DARE 19, apresentado no congresso do American College of Cardiology (ACC 2021), envolveu 1.250 pacientes em 95 locais diferentes no Brasil, Argentina, Canadá, Estados Unidos, Índia, México e Reino Unido entre abril de 2020 e janeiro de 2021.

Além da Covid-19, os pacientes possuíam comorbidades, como diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e doença aterosclerótica, sendo potenciais candidatos a complicações.

Eles foram randomizados 1:1 em um grupo que recebia placebo e em outro grupo que recebia dapaglifozina 10 mg por dia. Os comprimidos eram iniciados assim que possível e o tratamento permanecia por 30 dias mesmo que o paciente recebesse alta.

Os critérios de inclusão foram:

  • Internação por Covid-19 suspeita ou confirmada por quatro dias ou mais;
  • Saturação de O2 menor ou igual a 94% em suplementação de oxigênio 5 L/min ou mais;
  • Um ou mais fatores de risco (DM II, IC, doença aterosclerótica, doença renal crônica, hipertensão arterial).

Os critérios de exclusão foram:

  • Doença grave na admissão;
  • Filtração glomerular estimada menor que 25 mL/min/1,73 m²;
  • Diabetes tipo I;
  • Passado de cetoacidose diabética.

O desfecho primário foi dividido em duas situações:

1. Prevenção: no momento do primeiro evento:

  • Respiratório – evolução para ventilação invasiva ou não invasiva;
  • Cardiovascular – uso de vasopressores, inotrópicos, desenvolvimento ou piora de insuficiência cardíaca, fibrilação ou taquicardia ventricular sustentada;
  • Renal – dobrar o valor da creatinina basal ou hemodiálise;
  • Morte por qualquer causa.

2. Recuperação: Uma composição hierárquica para cada pacientes na seguinte ordem:

  • Morte;
  • Disfunção orgânica;
  • Estado clínico caso paciente permaneça internado após 30 dias;
  • Tempo da alta hospitalar após os 30 dias.

Características populacionais

A maioria dos pacientes estudados vieram do Brasil (762), foram randomizados 625 pacientes em cada grupo e 99% completaram o estudo. A taxa de descontinuação do medicamento e do placebo foi baixa e semelhante em ambos os grupos. A média de idade foi de 61,5 anos nos dois grupos sendo que 43% dos participantes eram mulheres.

Mais de 50% eram diabéticos e mais 80% eram hipertensos. Mais de 92% dos pacientes testaram positivo para Covi-19.

Resultados

Em relação ao desfecho primário de prevenção, ocorreram 70 eventos (11,2%) nos pacientes do grupo da dapagliflozina e 86 eventos (13,8%) no grupo placebo em um risco relativo de 0,8 (95% IC, 0,58 – 1,10); p=0,168.

Já em relação ao desfecho de recuperação também houve semelhança com um risco relativo de 1,09 (95% IC, 0,97 – 1,22); p=0,14.

Quando observados individualmente, não houve significância estatística entre os grupos em relação aos desfechos.

Conclusões

Em suma o estudo não mostrou uma melhora em relação ao desfecho primário com o uso da dapaglifozina em pacientes com Covid-19 e fatores de risco para complicações. Entretanto, numericamente, menos pacientes do grupo da dapagliflozina experimentaram disfunção orgânica, além de ter sido um medicamento bem tolerado e com menos eventos adversos que o placebo.

Essas conclusões nos levam a pensar que a dapagliflozina é uma droga segura em pacientes com Covid-19, o que fortalece o uso para pacientes com indicação e não aconselha a descontinuação do medicamento durante a infecção viral.

Estamos acompanhando o congresso do ACC 2021. Fique ligado no Portal PEBMED!

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