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Adoção de hábitos saudáveis pode evitar 27% dos casos de câncer no país

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Fatores de risco para o estilo de vida como tabagismo, consumo de álcool, sobrepeso ou obesidade, alimentação inadequada e falta de atividades físicas estão associados a um terço das mortes por 20 tipos de câncer no Brasil, segundo novo estudo epidemiológico publicado em abril na revista Cancer Epidemiology.

Os pesquisadores mostram que os fatores de risco no estilo de vida são responsáveis ​​por 114.497 casos anuais de câncer no Brasil, o que representa 27% de todos os casos de câncer e 63 mil mortes, ou 34% de mortalidade por câncer.

O estudo foi realizado por pesquisadores do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e da Harvard School of Public Health, nos Estados Unidos, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP.

A conclusão da pesquisa foi que o número de casos de câncer de laringe, pulmão, orofaringe, esôfago e colorretal poderia ser reduzido pela metade se fossem adotados hábitos mais saudáveis.

“A maior descoberta é a proporção de casos que poderiam ter sido evitados combatendo-se os fatores de risco do estilo de vida. De acordo com vários estudos anteriores nesta área, nenhuma outra medida poderia prevenir tantos casos. O estudo deveria servir de base para a formulação de política para a prevenção de câncer no Brasil”, disse Leandro Rezende, pesquisador da FM-USP e co-autor do estudo.

Câncer no Brasil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o número de casos de câncer no Brasil deve aumentar em 50% até 2025, devido principalmente ao crescimento populacional e ao envelhecimento da população. De acordo com o novo estudo, além das mudanças na estrutura populacional, a crescente prevalência de fatores de risco no estilo de vida pode representar desafios adicionais para o controle da taxa de câncer no Brasil.

“A prevenção primária do câncer por meio de mudanças no estilo de vida é uma das abordagens mais realistas para o controle do câncer no Brasil”, ressaltou Leandro Rezende.

Há um consenso na literatura científica de que os cinco fatores do estilo de vida em questão estão associados a um risco aumentado para 20 tipos de câncer. Os pesquisadores calcularam uma métrica para a prevenção dessa doença, conhecida como a fração de impacto potencial (PIF). Esta métrica baseia-se na fração atribuível da população (PAF) e estima a redução proporcional nos casos de câncer e mortes que ocorreria se a exposição aos cinco fatores de estilo de vida fosse reduzida a um nível que correspondesse a um cenário de exposição ideal.

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O cardápio da dieta foi subdividido em frutas, legumes, fibras, cálcio, carne vermelha e carne processada. Os pesquisadores usaram dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013 do IBGE para estimar a prevalência do consumo de álcool, consumo de frutas e vegetais, atividade física e tabagismo (ativo e passivo) e índice de massa corporal (IMC).

Os pesquisadores também utilizaram a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE em 2008-09 para obter dados sobre o consumo de fibra, cálcio, carne vermelha e processada. Eles estimaram a distribuição dos fatores de risco do estilo de vida por gênero e faixa etária.

Foram considerados dois cenários de exposição: um com uma exposição ao risco mínima teórica, assumindo que os fatores de risco do estilo de vida foram eliminados em toda a população; e o outro com o que foi chamado de redução plausível da exposição com base em metas políticas e recomendações de prevenção do cancro.

Este cenário plausível incluiu uma redução de 10% no consumo de álcool para menos de 50 g por dia, uma redução média do IMC de 1 kg por m² ao nível da população, consumo dietético de cálcio de pelo menos 200-399 mg por dia e um redução de 30% no consumo de cigarros.

“Reduzir os hábitos não saudáveis, em vez de eliminá-los completamente, é mais plausível no que diz respeito à política de saúde pública. Um número significativo de casos e mortes por câncer pode ser evitado apenas por incentivar hábitos mais saudáveis, de acordo com as recomendações de prevenção do câncer”, explicou Leandro Rezende

Sob o cenário plausível de redução do risco de estilo de vida, 4,5% de todos os casos de câncer (19,731 casos) e 6,1% dos óbitos da doença (11.480 óbitos) poderiam ter sido evitados.

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