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Alergia à penicilina: será mesmo?

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A alergia à penicilina é a alergia medicamentosa mais comum, sendo reportada de 5 a 20% dos pacientes. Um estudo recente realizado no Departamento de Emergência em um hospital de Winsconsin (EUA) revelou que a maioria dos sintomas relatados pelas famílias são de baixo risco para a alergia dita como verdadeira.

O processo considerado padrão-ouro para detecção da real alergia à penicilina consiste em três etapas: a primeira, com um teste percutâneo, seguido de testes intracutâneos mais sensíveis e, finalmente, um desafio de drogas por via oral que, em última instância, determina se a hipersensibilidade de drogas existe. Entretanto, este teste é demorado e pode ser doloroso, o que dificulta sua realização em um ambiente pediátrico. Portanto, pediatras e outros especialistas ficam relutantes em prescrever antibióticos à base de penicilina para crianças com alergia relatada.

Pesquisadores realizaram este processo em uma população adulta e os achados mostraram que 91,3% dos pacientes que apresentaram um relato de alergia à penicilina foram negativos no teste final.

Desta forma, um outro estudo do mesmo autor, publicado este mês pelo Pediatrics, teve como objetivo realizar o teste padrão-ouro em uma população pediátrica (4 a 18 anos) na emergência, classificada como de baixo risco para apresentar a alergia verdadeira à penicilina.

Esta estratificação de risco foi avaliada segundo um questionário com itens sobre história de alergia com relato dos pais; raça; idade da criança; quando a alergia foi diagnosticada; nome do antibiótico prescrito; indicação do antibiótico (por exemplo: otite, amigdalite…); sintomas de reação alérgica; tempo para reação alérgica da primeira dose e se um dos pais, o médico, ou ambos diagnosticaram a alergia. Os sintomas também foram classificados da seguinte maneira:

 – Sintomas de baixo risco: coceira, rash cutâneo, diarreia, vômitos, coriza, náuseas, tosse, antecedentes familiares de alergia à penicilina, cefaleia ou vertigem.
– Sintomas de alto risco incluem: anafilaxia, lesões vesiculo-bolhosas (stevens-johnson, necrólise tóxica epidérmica), dispneia, angioedema orofacial e/ou membro, sibilância, descamação da pele, bolhas em boca, eritema difuso ou hipotensão arterial.

Veja também: ‘As consequências do desabastecimento global de penicilina’

Cinquenta e um porcento (302) das crianças cujos pais preencheram o relatório (597) foram classificadas como de baixo risco. Destas, 100 realizaram o teste padrão-ouro de alergia e foram classificadas como não alérgicas à penicilina, com sua classificação de alérgica sendo removida de seu prontuário. Nos EUA, considera-se que menos de 1% da população é realmente alérgica à penicilina.

Com isso, a utilização do questionário para predição de pacientes alérgicos pode aumentar a prescrição de penicilina como sendo de primeira escolha.

Em um ambiente hospitalar, a história de alergia à penicilina está associada ao maior período de internação, readmissão e à aquisição de resistência a múltiplas drogas. Isto pode ser devido ao fato do uso de terapias alternativas menos eficazes à infecção em questão, mais tóxicas e caras.

O JAMA lembrou semana passada que a Joint Comission dos EUA determinou que todos os hospitais por lá criassem um programa de administração antibiótica com o objetivo de diminuir a resistência antimicrobiana emergente. Programas de teste para penicilina em pacientes estão sendo implementados para melhorar a prescrição e adequação antibiótica.

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Autora:

Referências:

  • Vyles D, Chiu A, Simpson P, Nimmer M, Adams J, Brousseau DC. Parentreported penicillin allergy symptoms in the pediatric emergency department. Acad Pediatr. 2017;17(3):251–255
  • Su et al. The impact of penicillin allergy labels on antibiotic and health care use in primary care: a retrospective cohort study. Clin Transl Allergy (2017) 7:18.
  • Vyles D, Adams J, Chiu A, et al. Allergy Testing in Children With Low-Risk Penicillin Allergy Symptoms. Pediatrics. 2017;140(2):e2017047
  • Trubiano JA, Adkinson NF, Phillips EJ. Penicillin Allergy Is Not Necessarily Forever. JAMA. 2017;318(1):82-83. doi:10.1001/jama.2017.6510
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