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Analgésicos e sedativos em crianças sob ventilação mecânica

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Pacientes pediátricos estão incessantemente sujeitos a uma exagerada conturbação física e psicológica em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP). Esse ambiente desfavorável, juntamente com a necessidade de suporte ventilatório invasivo, exige, frequentemente, o uso de medicamentos sedativos e analgésicos.

Todavia, a administração excessiva e incorreta desses medicamentos pode ter repercussões negativas, o que promove um prolongamento da necessidade de ventilação mecânica (VM), além de aumento do tempo de internação e aumento do risco de infecção.

Com o objetivo de descrever o uso de analgésicos e sedativos em crianças submetidas à VM em uma UTIP, visando diferenciar quais os medicamentos utilizados, suas respectivas doses e tempo de uso das mesmas, além de avaliar a incidência de síndrome de abstinência nesses pacientes, Araújo e colaboradores (2019) realizaram o estudo “Perfil do uso de sedoanalgesia em crianças sob ventilação mecânica em unidade de terapia intensiva”, publicado na revista Residência Pediátrica, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

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Analgésicos e sedativos em crianças

Foi realizado um estudo observacional, transversal, retrospectivo, descritivo, com abordagem quantitativa e análise secundária dos dados.

Foram incluídos: pacientes admitidos em uma UTIP, entre os meses de julho de 2014 e junho de 2015, que fizeram uso de medicamentos analgésicos e/ou sedativos em infusão contínua e de VM, e que permaneceram na unidade por mais de 12 horas.

Resultados

  • No período do estudo, foram admitidas 65 crianças. Vinte e quatro pacientes foram excluídos: 9 por não terem o prontuário localizado, 13 por não fazerem uso de sedoanalgesia contínua e/ou VM e 2 por terem permanecido menos de 12 horas na UTIP;
  • Foram identificados 41 pacientes elegíveis (63% dos pacientes internados);
  • A idade média dos indivíduos foi de 2,27 ± 3,16 anos;
  • Houve predomínio do gênero feminino – 23 pacientes (56%);
  • Os medicamentos usados em infusão contínua foram: midazolam, cetamina e fentanil em baixas doses de infusão por um tempo médio de 11,5±11,4 dias;
  • O principal motivo para VM e uso desses medicamentos foi disfunção pulmonar (18/43,9%), seguido por sepse (9/22%), distúrbio neurológico (8/19,5%) e disfunção cardiovascular (5/12,2%);
  • Houve associação significativa entre a escolha dos sedoanalgésicos e a recomendação de suporte ventilatório (p = 0,037);
  • A síndrome de abstinência ocorreu em 16 (39%) dos pacientes, sendo que estes fizeram uso desses medicamentos por um período médio de 19,31(±11,57) dias. Os casos de abstinência foram reconhecidos por meio de pesquisa de registro médico do respectivo diagnóstico em prontuário, considerando-se a manifestação de sinais e sintomas característicos ao longo da internação;
  • Os autores observaram uma relação entre sedoanalgesia prolongada com o desenvolvimento da síndrome de abstinência (p<0,001): 70% dos pacientes que receberam sedação e analgesia por infusão contínua por um período superior a sete dias desenvolveram abstinência.

Conclusão

Com este trabalho, os autores destacam que o uso de sedativos e analgésicos em infusão contínua configurou-se como uma prática bastante comum nessa UTIP, sujeitando os pacientes a relevantes efeitos colaterais, como a síndrome de abstinência. Esses estudo pode refletir, segundo os autores, o perfil de muitas outras unidades. Sendo assim, os autores sugerem o uso de protocolos que guiem a utilização destes medicamentos em UTIP.

Autor:

Referência bibliográfica:

  • Araújo MM, Gomes JL, Rodrigues RNV, Cruz LKLP. Perfil do uso de sedoanalgesia em crianças sob ventilação mecânica em unidade de terapia intensiva. Resid Pediatr. 2019;9(3):1-6 DOI: 10.25060/residpediatr-2019.v9n3-09

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