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Arritmias cardíacas: como manejar as taquicardias atriais?

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As arritmias cardíacas são diversas, provenientes de varias regiões do coração, sendo que hoje falaremos um pouco das taquicardias atriais.

Tarquicardias atriais

São definidas como taquicardias supraventriculares, sendo sua origem do tecido atrial ou estruturas adjacentes, onde não dependem do nó atrioventricular, feixe de His, vias acessórias ou de tecido ventricular para sua manutenção.

O padrão eletrocardiográfico típico é taquicardia com presença de linha isoelétrica entre as ondas P com frequência atrial entre 130 e 240 bpm.

As taquicardias atriais podem ocorrem em pacientes com coração estruturalmente danificado ou em pacientes com coração normal. Geralmente prognóstico benigno, porém, pode ser a causa de descompensação nos pacientes com insuficiência cardíaca.

São classificadas em três grupos: taquicardia atriais focais, multifocais e por macrorrentradas.

Leia também: O que é taquicardia ventricular polimórfica catecolaminérgica?

Tipos de taquicardias

As taquicardias atriais focais se iniciam num único ponto ou em uma pequena área, podem ser causadas por diferentes mecanismos fisiopatológicos como automatismo, atividade deflagrada ou microrreentrada.

As taquicardias atriais multifocais ocorrem três ou mais focos, com morfologias e frequências distintas, é facilmente confundido com fibrilação atrial, frequentemente associado a doença pulmonar obstrutiva crônica ou hipertensão pulmonar, doença coronariana, valvopatia, hipomagnesemia ou uso de teofilina, tendo uma resposta ruim ao tratamento com medicamentos ou à ablação por cateter.

As taquicardias atriais macrorreentrantes surgem por reentradas de porções extensas e bem definidas do tecido atrial, com característica de um padrão repetitivo de ativação atrial. São classificadas como dependente do istmo cavotricuspídeo e não dependente, também conhecido como flutter atrial típico aquele dependente do istmo cavotricuspídeo e flutter atrial atípico o não dependente.

Tratamento

O tratamento farmacológico pode ser a suspensão de medicamentos que causam as taquicardias atriais, como, por exemplo a digoxina, por correção de distúrbios hidroeletrolíticos como hipomagnesemia e hipocalemia.

O tratamento na fase aguda ainda não se tem ensaios clínicos randomizados para que seja avaliada a eficácia de fármacos, a maioria das recomendações são por pequenos trabalhos observacionais. Para pacientes estáveis na ausência de contraindicações, deve ser iniciado betabloqueador ou bloqueador de canal de cálcio não di-hidropiridínicos intravenosos.

Mais do autor: ESC 2019: o que há de novo sobre a taquicardia supraventricular

O uso de adenosina no atendimento de emergência pode ser eficaz principalmente nas taquicardias atriais focais por atividade deflagrada. Para cardioversão farmacológica podem ser utilizadas antiarrítmicos da classe Ic, em pacientes sem evidência de lesão cardíaca estrutural e infarto agudo do miocárdio prévio, ou a utilização de amiodarona.

O tratamento crônico visa manutenção do ritmo sinusal e prevenção de recorrências, sendo a primeira opção betabloqueador ou bloqueador de canal de cálcio não di-hidropiridínicos, por via oral, seguindo do uso da flecainida ou propafenona no caso de falha com primeiro tratamento, podendo até ser utilizada como primeira opção.

Os pacientes resistentes ao tratamento farmacológico podem ser encaminhados para ablação por cateter.

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Referência bibliográfica:

  • Hachul, Denise Tessariol, Tratado de arritmias cardíacas: fisiopatologia, diagnóstico e tratamento / 1ºedição / Rio de Janeiro / Atheneu, 2019.

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