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ASCO 2019: conheça novo tratamento para câncer de pâncreas

Tempo de leitura: 3 minutos.

O estudo POLO, apresentado na sessão plenária do Encontro da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizado no início do mês de junho deste ano, apontou que 1/5 (22%) dos pacientes de câncer de próstata que receberam o tratamento com o medicamento olaparibe, já tinham superado os dois anos de sobrevivência à doença sem progressão. Agora o medicamento foi avaliado para tratamento de câncer de pâncreas.

A pesquisa mostrou ainda que entre os pacientes que receberam a medicação, a doença permaneceu controlada por quase o dobro do tempo em comparação com os pacientes que receberam o placebo: 7,4 versus 3,8 meses.
Metodologia

Eficácia do olaparibe no tratamento do câncer de pâncreas

Foi realizado um estudo de fase 3 randomizado, duplo-cego, controlado por placebo para avaliar a eficácia do olaparibe como terapia de manutenção em pacientes que tinham uma mutação germinativa BRCA1 ou BRCA2, e câncer pancreático metastático.

Dos 3315 pacientes que participaram da triagem, 154 foram submetidos à randomização e foram designados para uma intervenção experimental: 92 para receber olaparibe de 300 mg duas vezes ao dia, e 62 para receber placebo.
O estudo foi conduzido em 119 instituições de 12 países, desde janeiro 2015. Em janeiro de 2019 foi realizada essa primeira análise, sendo que em breve os pesquisadores divulgarão mais atualizações.

Resultados

Uma análise interina da sobrevida global não mostrou diferença entre os grupos olaparib e placebo (mediana, 18,9 meses vs. 18,1 meses; hazard ratio para morte, 0,91; IC 95%, 0,56 a 1,46; P = 0,68). Não houve diferença significativa entre os grupos na qualidade de vida relacionada à saúde.

A incidência de eventos adversos de grau 3 ou superior foi de 40% no grupo do olaparibe e de 23% no grupo do placebo (diferença entre grupos, 16 pontos percentuais; IC95%, -0,02 a 31); 5% e 2% dos pacientes, respectivamente, interromperam a intervenção do estudo devido a um evento adverso. IC95%, -0,02 a 31); 5% e 2% dos pacientes, respectivamente, interromperam a intervenção do estudo devido a um evento adverso. IC95%, -0,02 a 31); 5% e 2% dos pacientes, respectivamente, interromperam a intervenção do estudo devido a um evento adverso.

A próxima etapa do estudo será prosseguir com a avaliação desses pacientes. As curvas de sobrevida livre de progressão e, em especial, de sobrevida global devem ser atualizadas num futuro breve, vista probabilidade evolutiva dessa patologia, explica Elge Werneck, oncologista do Grupo Oncoclinicas, em Curitiba, no Paraná.

Avanços

Para Elge Werneck, essa descoberta representa um grande avanço para pacientes com tumores metastáticos de pâncreas, e que possuem esse tipo mutação genética hereditária – a mesma responsável por alguns tipos de câncer de mama, ovário e próstata.

“Pelo fato de ser de difícil detecção, o câncer de pâncreas é considerado um dos mais graves, com alta taxa de mortalidade. Dentro deste cenário, estima-se que algo em torno de 7% dos pacientes apresentam genes BRCA mutados. Essa nova perspectiva de tratamento é animadora e promove uma mudança no cenário metastático. Infelizmente, essa estratégia não se aplica a todos os pacientes. Mesmo assim, a mutação é fundamental para que os mesmos sejam beneficiados com essa nova opção”, explica o médico.

Desafios na detecção do câncer de pâncreas

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes decorrentes pelo câncer de pâncreas. O principal problema de detectar a neoplasia é que, na maioria das vezes, costuma apresentar sintomas que podem ser confundidos com problemas do dia a dia, dificultando assim o diagnóstico precoce. Além disso, apresenta maior incidência a partir dos 60 anos.

Leia maisCâncer de pâncreas: incidência da neoplasia aumenta em todo mundo

“O câncer de pâncreas é extremamente grave. Primeiro, por sua evolução bastante agressiva, pouco responsiva aos tratamentos quimioterápicos e radioterápicos. Além disso, em sua imensa maioria, é diagnosticado em fases avançadas, impossibilitando qualquer possibilidade curativa. E por fim, é uma das doenças neoplásicas mais consumptivas, levando os pacientes a quadros extremos de caquexia, o que dificulta a adesão ao tratamento proposto”, diz Elge Werneck.

O olaparibe já é comercializado no Brasil, sendo disponível para tratamentos de câncer de ovário e de mama. Os próximos tumores beneficiados pelo medicamento serão pâncreas e próstata.

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*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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