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Avaliação neuropsicológica: o que é? (parte 1)

Tempo de leitura: 2 minutos.

A neuropsicologia cognitiva enfoca os processamentos da informação, ou seja, as diferentes operações mentais que são necessárias para a execução de determinadas tarefas. O estudo de pacientes com lesões cerebrais e seus padrões de comportamento contribuem para a compreensão de como a mente humana funciona. Para este fim, a avaliação psicológica baseada na neuropsicologia cognitiva, portanto avaliação neuropsicológica, objetiva elucidar os processos subjacentes às atividades mentais superiores do ser humano e correlacionando-os com o funcionamento neurológico.

A avaliação neuropsicológica nada mais é que um método para se examinar o encéfalo por meio do estudo de seu produto cognitivo-comportamental e é essencial, não somente para a tomada de decisões diagnósticas, mas também para o desenvolvimento de programas de reabilitação. Na prática, ela envolve o estudo intensivo do comportamento por meio de entrevistas com o paciente e/ou com seus familiares, propõe diferentes questionários para os mesmos e consolida-se através de testes normatizados que permitam obter desempenhos relativamente precisos de grupos subdividos por semelhanças e similaridades.

O dano cerebral é considerado um “fenômeno multidimensional mensurável e que requer uma abordagem de avaliação multidimensional” (Lezak, 1995). Diversas condições que podem afetar as consequências de um dano cerebral devem ser consideradas na interpretação dos resultados, tais como a natureza, extensão, localização e duração da lesão; as características físicas, de gênero e de idade do paciente; sua história psicossocial; e as individualidades neuroanatômicas e fisiológicas. Individualizando desta maneira a compreensão assim como a extensão do dano funcional de cada paciente, apesar de muitas vezes compartilharem do mesmo diagnostico.

Mais da autora: ‘Neuropsicologia e suas contribuições ao campo médico’

Na neuropsicologia, as funções cognitivas têm recebido mais atenção que nos demais campos da neurociência, e no Brasil, diferentes testes têm sido amplamente desenvolvidos e validados para este fim, abordando as principais áreas avaliadas pela neuropsicologia, especificamente atenção assim como seus subtipos (concentrada, seletiva, dividida e alternada), processamento visoespacial, linguagem oral, linguagem escrita, funções executivas, habilidades aritméticas e as funções mnêmicas, entre outras. Os participantes são tanto crianças quanto adultos, com e sem distúrbios neuropsiquiátricos, incluindo dislexia, transtorno de deficit de atenção e hiperatividade, e transtornos de humor como depressão e ansiedade.

Tais instrumentos têm contribuído para expandir a avaliação neuropsicológica no Brasil, auxiliando na compreensão dos processos cognitivos e seus correlatos neurológicos, no aprimoramento de procedimentos de avaliação, e na promoção da reabilitação de indivíduos com disfunções ou lesões neurológicas, de forma responsável e eficiente uma vez que se tem visto que raramente uma lesão cerebral afeta apenas um sistema funcional. Ao contrário, a maior parte das lesões afeta diversos sistemas, apesar dos distúrbios cognitivos tenderem a ser os mais proeminentes em termos de sintomatologia e causas diversas complicações nas atividades diárias.

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Autora:

Referências:

  • Capovilla, A. G. S. (2007). Contribuições da neuropsicologia cognitiva e da avaliação neuropsicológica à compreensão do funcionamento cognitivo humano. Cadernos de Psicopedagogia (UNISA), 11, 1-24.

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