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Bactérias multirresistentes foram encontradas em carne suína no Brasil

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A presença de bactérias resistentes a antibióticos é um fenômeno global, natural de muitas espécies com resistência intrínseca, não se limitando a contextos específicos. Porém, germes multirresistentes, carregando genes que codificam para a resistência a diferentes classes de antibióticos, tendem a emergir em nichos em que a pressão seletiva decorre do uso de antimicrobianos em maior escala, selecionando aqueles microrganismos com maiores recursos à sobrevida.

O uso de antimicrobianos em criadouros de animais destinados à produção de carne para o consumo humano é conhecido há décadas em diversas regiões do mundo, e também o reconhecimento de tal prática como grande uma contribuição para a emergência de bactérias multirresistentes. Tal problema não é unicamente brasileiro e tem sido repetidamente observado mundialmente.

No Brasil, estudos microbiológicos recentes em espécimes animais tem revelado a presença de cepas de Yersinia enterocolitica multirresistentes. Frazão et al. (2017) avaliaram cepas isoladas de fontes animais e humanas isoladas no período de 30 anos no país, e observaram resistência adquirida em 50% das cepas, codificada por beta-lactamases, como BlaB (AmpC), aos antimicrobianos piperacilina-tazobactam, cefuroxima e cefepima. Resistência a nitrofurantoína, sulfametoxazol-trimetoprim, tetraciclinas e outros foram concomitantemente observados. Genes codificantes de resistência de amplo espectro a cefalosporinas, aminoglicosídeos, fluoroquinolonas e a tetraciclinas não foram encontrados.

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Martins et al. (2018) avaliaram espécimes obtidos a partir de 870 amostras na cadeia de produção de carnes suína de consumo humanos em Minas Gerais, e caracterizaram 16 cepas de Y. enterocolitica isoladas. Verificou-se que somente os antimicrobianos ciprofloxacino e kanamicina seriam eficazes contra todas das cepas isoladas, e três perfis de multirresistência, com resistência concomitante a 9-11 classes de antibióticos. Apesar do baixo rendimento no isolamento, esses resultados demonstram possíveis rotas de transmissão de amostras bacterianas multirresistentes para seres humanos.

Recentemente, como descrito pela World Animal Protection (WAP), um estudo (ainda não disponível em base de dados de jornais científicos) realizado em 100 amostras de carne suína vendidas em diferentes mercados em São Paulo, por grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo, indicou a presença de bactérias multirresistentes, porém sem estudo do risco real de morte ou transmissão para seres humanos baseado no consumo de carne cozida.

O alerta nesses estudos ressaltam a vigilância e necessidade da implementação do uso racional de antimicrobianos também na produção de carne para o consumo humano.

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Referências:

  • Frazão MR, Andrade LN, Darini ALC, Falcão JP. Antimicrobial resistance and plasmid replicons in Yersinia enterocolitica strains isolated in Brazil in 30 years. Braz J Infect Dis. 2017, 21(4):477-480.
  • Martins BTF, Botelho CV, Silva DAL, Lanna FGPA, Grossi JL, Campos-Galvão MEM, Yamatogi RS, Falcão JP, Bersot LDS, Nero LA. Yersinia enterocolitica in a Brazilian pork production chain: Tracking of contamination routes, virulence and antimicrobial resistance. Int J Food Microbiol. 2018, 2; 276: 5-9.

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