Pediatria

Bebês hospitalizados que usam fórmulas infantis têm risco maior de desmame precoce

Tempo de leitura: 3 min.

O aleitamento materno proporciona inúmeras vantagens tanto para a saúde do bebê quanto para a da mãe. O aleitamento exclusivo está associado à redução da morbimortalidade infantil quando comparado ao aleitamento parcial, incluindo taxas mais baixas de infecções respiratórias e do trato gastrointestinal e menor ocorrência de síndrome de morte súbita do lactente. Mesmo uma breve exposição a uma fórmula infantil já altera o microbioma do bebê em longo prazo e aumenta o risco de alergia aos 2 anos de idade.

O uso de fórmulas em bebês internados está associado a uma menor duração do aleitamento, afetando a saúde do binômio mãe-bebê em longo prazo. A utilização de suplementos alimentares no hospital em bebês internados é influenciada por uma infinidade de fatores, desde as características físicas e culturais das mães às políticas hospitalares, treinamento da equipe, disponibilidade de fórmula gratuita e até mesmo no momento do parto.

A perda excessiva de peso neonatal é frequentemente citada como motivo da suplementação. No entanto, existe uma perda de peso que é fisiológica. Outras razões apresentadas para o uso de fórmulas em bebês internados incluem hipoglicemia e hiperbilirrubinemia do recém-nascido (RN). Essas condições podem ser prevenidas ou tratadas através do manejo adequado da lactação e da disponibilidade de leite humano ordenhado.

As circunstâncias raras que requerem fórmulas hospitalares incluem, por exemplo, erros inatos do metabolismo em neonatos ou quando a mãe está sendo submetida a algum tipo de tratamento que impede a lactação, como quimioterapia.

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Uso de fórmulas infantis em bebês internados

Em artigo recente publicado no jornal Pediatrics, as pesquisadoras Marcia Burton McCoy e Pamela Heggie, de Minnesota, Estados Unidos, determinaram a propensão de bebês internados a receber fórmula infantil com base em vários fatores pré-recorrentes e mediram o impacto entre aqueles que receberam fórmula e aqueles com risco igual para recebê-la, mas que foram amamentados exclusivamente.

As pesquisadoras conduziram um estudo observacional em que foram utilizados métodos de escore de propensão para comparar lactentes amamentados e que receberam fórmula com bebês em aleitamento materno exclusivo (n = 5310) durante a hospitalização pós-parto.

Foram utilizadas análises de sobrevida para comparar a duração do aleitamento materno em lactentes em aleitamento materno exclusivo no hospital e lactentes alimentados com fórmula durante a internação. Duas análises foram conduzidas: a primeira assumindo que todo o viés foi controlado através da correspondência e a segunda análise foi mais conservadora (n = 4836), fazendo correções adicionais para suplementação. Foram selecionados bebês inscritos no Minnesota Special Supplemental Nutrition Program for Women, Infants, and Children (Programa Especial de Nutrição Suplementar de Minnesota para Mulheres, Lactentes e Crianças) 2016.

Resultados da pesquisa

Nesse estudo, as razões de risco para o desmame aumentaram com o tempo. Na primeira análise, a razão de risco no primeiro ano foi de 6,1 (intervalo de confiança de 95% [IC] 4,9-7,5), aumentando com a idade (primeiro mês: 4,1[IC95% 3,5-4,7]; 1–6 meses: 8,2 [IC95% 5,6-12,1]; 6 meses: 14,6 [IC95% 8,9-24,0]). A segunda análise, mais conservadora, mostrou que os bebês expostos à fórmula tinham 2,5 vezes o risco de desmame, em comparação aos bebês que eram amamentados exclusivamente (razão de risco = 2,5; IC95% 1,9-3,4).

Embora a associação entre o uso de fórmula por bebês internados e o período que dura a amamentação esteja bem estabelecida, esse estudo evidencia que a suplementação da amamentação de bebês no hospital com o uso de fórmulas afeta negativamente a duração do aleitamento: crianças expostas a fórmulas infantis no hospital têm um risco 2,5 a 6 vezes maior de desmame precoce no primeiro ano de vida do que crianças em aleitamento materno exclusivo.

As fórmulas infantis geralmente são fornecidas em quantidades maiores do que o fisiologicamente apropriado, sendo que uma criança que recebe suplementos amamenta com menos frequência, diminuindo a secreção de prolactina na mãe. Por fim, as fórmulas no hospital também aumentam a probabilidade de suplementação após a alta hospitalar. Estratégias para diminuir o uso desses suplementos incluem educação pré-natal, aconselhamento de colegas e funcionários do hospital, educação médica e contato pele a pele da mãe com o bebê.

Autora:

Referência bibliográfica:

  • McCoy MB, Heggie P. In-Hospital Formula Feeding and Breastfeeding Duration. Pediatrics. 2020;146(1):e20192946.
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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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