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Cálcio e vitamina D devem ser prescritos para prevenir fraturas em adultos assintomáticos?

Tempo de leitura: 5 minutos.

Devido ao envelhecimento da população, as fraturas osteoporóticas são uma importante causa de morbidade e mortalidade. Alguns fatos importantes:

– Quase metade de todas as mulheres com mais de 50 anos sofrerão uma fratura osteoporótica.
– As fraturas estão associadas à dor crônica, incapacidade e diminuição da qualidade de vida.
– Durante os primeiros 3 meses após uma fratura de quadril, o risco de mortalidade é de 5 a 8 vezes maior nesses pacientes do que em indivíduos da mesma idade que vivem na comunidade sem fratura.
– No ano que se segue a uma fratura de quadril, quase 40% dos pacientes serão incapazes de andar de forma independente e 60% dependerão de auxílio para pelo menos uma atividade essencial da vida diária. Cerca de 20% a 30% dos pacientes morrerão.
– A maioria das fraturas (71%) ocorre entre as mulheres, sendo 74% delas após os 65 anos de idade. Embora as fraturas sejam mais frequentes entre as mulheres, as taxas de mortalidade após uma fratura de quadril são significativamente mais altas entre os homens.

São fatores de risco para fraturas osteoporóticas:

  • Baixa massa óssea: sexo feminino (71% das fraturas), tabagismo, uso de glicocorticoides.
  • Idade avançada.
  • História de quedas: 10 a 15% das quedas resultam em fraturas e quase todas as fraturas de quadril estão relacionadas a quedas.

A suplementação de cálcio e/ou vitamina D é útil para prevenir fraturas em indivíduos assintomáticos da comunidade?

A suplementação com vitamina D e cálcio é frequentemente recomendada para prevenir fraturas, especialmente para mulheres na pós-menopausa. Estima-se que cerca de 27% dos homens e 35% das mulheres com mais de 20 anos tomem um suplemento de vitamina D, com parcela semelhante fazendo uso de suplementos de cálcio.

Este artigo traz as novas recomendações da Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (USPSTF), formuladas após revisão das evidências sobre suplementação de vitamina D com ou sem cálcio para a prevenção de fraturas e os potenciais riscos envolvidos.

Estas recomendações aplicam-se a adultos assintomáticos da comunidade, ou seja, indivíduos que não vivem em uma casa de repouso ou outro ambiente de cuidados institucionais. Estas recomendações não são destinadas a pessoas com história de fraturas por osteoporose, aumento do risco de quedas ou com diagnóstico de osteoporose ou deficiência de vitamina D.

Veja abaixo o resumo das evidências e recomendações da USPSTF:

– As evidências atuais foram consideradas insuficientes para avaliar o equilíbrio entre benefícios e malefícios da suplementação de vitamina D e cálcio, isolada ou combinada, para a prevenção primária de fraturas em homens e em mulheres na pré-menopausa.

– A USPSTF recomenda contra a suplementação diária com 400 UI ou menos de vitamina D e 1000mg ou menos de cálcio para a prevenção primária de fraturas em mulheres da comunidade na pós-menopausa pela evidente ausência de benefícios.

– As evidências atuais foram consideradas insuficientes para estimar os benefícios e malefícios da suplementação diária com doses superiores a 400UI de vitamina D e maiores do que 1000mg de cálcio para a prevenção primária de fraturas em mulheres residentes na comunidade na pós-menopausa.

Estudos de suplementação com doses mais elevadas de vitamina D e cálcio (sozinhos ou combinados) mostraram resultados conflitantes. Alguns estudos mostram redução em certas fraturas, outros não mostram redução ou sugerem até mesmo aumento no risco.

O USPSTF concluiu que não há evidências adequadas para recomendar suplementação com doses mais elevadas de vitamina D e cálcio para prevenir fraturas.

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Quais são os potenciais riscos da suplementação de cálcio e vitamina D?

Com relação aos possíveis danos, o USPSTF encontrou evidências suficientes para afirmar que:

– A suplementação com vitamina D e cálcio aumenta o risco de cálculos renais.

Para cada 273 mulheres que receberam suplementação, uma mulher foi diagnosticada com litíase urinária num período de acompanhamento de 7 anos no estudo WHI, o que também foi mostrado em outros estudos.

– Vitamina D em altas doses pode aumentar o risco de quedas e fraturas.

A USPSTF concluiu que a suplementação com vitamina D não reduz o número de quedas ou o número de pessoas que experimentam uma queda, e um estudo recente sugeriu que uma dose alta de vitamina D (500.000 UI) pode estar associada a um maior número de quedas e fraturas.

– A USPSTF recomenda contra a suplementação de vitamina D para prevenir quedas em adultos mais velhos (acima de 65 anos) assintomáticos da comunidade.

Outras recomendações do USPSTF:

– As evidências atuais são insuficientes para avaliar o risco-benefício de triar adultos assintomáticos para deficiência de vitamina D.

– O rastreio da osteoporose deve ser realizado em mulheres com 65 anos ou mais e em mulheres mais jovens com risco aumentado.

– Como alternativa, a USPSTF recomenda a realização de intervenções para prevenir quedas em idosos da comunidade, incluindo a prática de exercícios físicos, que, além de contribuir com a redução de quedas, pode melhorar a saúde geral reduzindo os riscos de outras doenças crônicas do envelhecimento, como doença coronariana, acidente vascular cerebral, diabetes tipo 2, demência vascular e até o câncer.

– Intervenções multifatoriais com potencial de reduzir o risco de quedas podem incluir a correção de déficits de visão ou audição, terapia nutricional, gestão da medicação, modificações da moradia e do ambiente, intervenções psicossociais e treinamento cognitivo.

Recomendações de outras instituições:

A Organização Mundial da Saúde recomenda uma ingestão adequada de cálcio e vitamina D para a manutenção de uma boa saúde, porém ainda é um desafio determinar uma referência para a ingestão dietética de cálcio e vitamina D devido à sua complexa inter-relação, à inconsistência dos estudos que examinam resultados na saúde óssea e à necessidade de limitar a exposição ao sol para minimizar o risco de câncer de pele.

A Endocrine Society recomenda que adultos com 65 anos ou mais consumam 800 UI de vitamina D diariamente para a prevenção de quedas e fraturas. A American Geriatric Society recomenda que adultos com mais de 65 anos tomem diariamente suplementos com pelo menos 1000UI de vitamina D além de cálcio para reduzir o risco de fraturas e quedas.

Mais estudos são necessários para determinar se a suplementação com vitamina D, cálcio ou ambos consistentemente previne fraturas, e, se evidências futuras mostrarem benefício, a magnitude desse benefício deverá ser ponderada em relação à extensão dos danos causados ​​pela suplementação (especialmente cálculos renais).

Vitamina D tem novos valores de referência

Autora:

Referências:

  • Vitamin D,Calcium,or Combined Supplementation for the Primary Prevention of Fractures in Community-DwellingAdults. US Preventive Services Task Force. JAMA. 2018;319(15):1592-1599. doi:10.1001/jama.2018.3185.
  • Preventing Fractures and Falls. A Limited Role for Calcium and Vitamin D Supplements? Editorial Opinion. Heike A. Bischoff-Ferrari, MD, DrPH; Shalender Bhasin, MBBS; JoAnn E. Manson, MD, DrPH.

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