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Câncer anal: qual a incidência entre homens e mulheres com HIV?

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O câncer anal, em geral, é mais prevalente em pessoas entre 50 e 60 anos, em especial as mulheres. Nos últimos 25 anos, sua incidência aumentou cerca de 50% em todo o mundo.

No Brasil, não há estimativas exclusivas para esse tipo de tumor, mas um estudo publicado no PubMed, em 2019, aponta que nos Estados Unidos – onde estima-se que o número de casos seja semelhante ao do Brasil – a incidência de câncer anal é de 1,8 em cada 100 mil habitantes.

Entretanto, os autores do trabalho afirmam que a incidência é trinta vezes maior em infectados pelo HIV, em comparação com a população em geral, e 80 vezes superior em homens infectados pelo HIV, que fazem sexo com outros homens.

Esse mesmo estudo revela que há 137 casos de câncer anal, em cada 100 mil homens infectados pelo HIV, que fazem sexo com outros homens.

Um segundo estudo, publicado em 2020 no Journal of Coloproctology, confirmou que esse tipo de neoplasia é mais comum entre indivíduos com HIV e com aqueles que têm relação anal com outros homens, sem proteção.

“Isso acontece porque o HPV está diretamente envolvido no fato de o câncer anal poder ser transmitido pelo sexo anal desprotegido e em um contexto de imunossupressão. Assim, o vírus encontra ambiente favorável para levar a displasias intraepiteliais, que podem evoluir mais rapidamente para o câncer anal”, alerta a médica Fernanda Elias Rabelo, membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e uma das participantes do estudo.

O câncer anal, nos últimos 25 anos, aumentou sua incidência cerca de 50% em todo o mundo. Veja estudos recentes sobre o tema.

Alerta aos pacientes sobre câncer anal

É muito importante que os médicos alertem os seus pacientes para o fato do uso do preservativo não proteger 100% contra a transmissão pelo HPV.

“O vírus pode estar em regiões como bolsa escrotal e períneo. Então, é importante que pessoas do grupo de risco realizem a anuscopia de alta resolução periodicamente”, afirma Fernanda Rabelo.

O exame permite examinar região perianal, ânus, canal anal e a porção distal do reto. A frequência depende do resultado do exame. Para o adulto que não tem HPV, ser imunizado com a vacina é uma estratégia acertada.

Os pesquisadores perceberam que ainda há muito preconceito entre os pacientes para realização do exame de anuscopia e pouco conhecimento a respeito do rastreamento do câncer anal.

Mais uma vez, vale o alerta para que os médicos esclareçam os seus pacientes sobre a importância da realização dos exames preventivos contra o câncer anal.

Mulheres concentram maior número de casos

No sexo feminino, são considerados fatores de risco: infecção viral pelo HPV; prática de sexo anal; histórico de ISTs, ter mais de dez parceiros sexuais, câncer cervical, vulvar ou vaginal; imunossupressão após transplante de órgãos, infecção pelo HIV, uso prolongado de corticosteroides e tabagismo.

Apesar de ainda não haver um consenso para o fato de a incidência ser maior em mulheres, observa-se que o câncer anal aumentou cerca de três vezes mais no sexo feminino, quando comparado ao masculino.

“Acredito que dois fatores sejam importantes para essa estatística ser ligeiramente maior nas mulheres. A primeira é a maior susceptibilidade da mulher em ter infecção pelo HPV. A outra hipótese seria o autocuidado que a mulher tem em comparação com os homens e homossexuais, mas o diagnóstico é mais tardio nas mulheres, que são menos submetidas à anuscopia anal. Talvez por um fator cultural, pois muitas vezes elas não informam o médico sobre a prática do sexo anal receptivo”, conclui a médica Fernanda Rabelo.

Referências bibliográficas:

 

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