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Câncer de Próstata: vigilância ativa ou tratamento específico?

Tempo de leitura: 4 minutos.

Urologistas de todo mundo têm se debruçado sobre a melhor forma de conduzir o tratamento de pacientes com câncer de próstata. A partir do diagnóstico positivo, uma das estratégias adotadas nos casos de baixo risco é a vigilância ativa. Porém, ainda não há consenso sobre a efetividade desta estratégia para casos de pacientes com câncer de próstata de risco intermediário e a discussão é sobre qual estratégia deve ser adotada: vigilância ativa ou algum tratamento específico?

Acompanhamento do Câncer de Próstata

Essa questão foi apresentada durante o Congresso da Associação Americana de Urologia realizado em maio de 2019, em Chicago, nos Estados Unidos. Um estudo realizado por um grupo de pesquisadores canadenses fez o acompanhamento de 926 homens com câncer de próstata intermediário durante oito anos. Após cinco anos, 65% dos pacientes deixaram de ser acompanhados e foram submetidos a algum tipo de tratamento, por necessitar ou requerer terapia devido à evolução da doença para a forma mais intensa e/ou agressiva. Entre os pacientes que permaneceram em vigilância ativa, a mortalidade específica por câncer aos oito anos foi de 6%.

A sobrevida livre de tratamento, câncer específica e global foram estimadas com a utilização de métodos de função de incidência cumulativa. Fatores associados à sobrevida livre de tratamento e câncer específica foram avaliados com a utilização de modelos de riscos proporcionais a Cox, os quais se encaixavam às variáveis ao utilizar um processo de regressão progressiva passo a passo.

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A equipe concluiu que a vigilância ativa em casos de câncer intermediário pode ser uma opção para certos homens, mas não em todos os casos: o índice de mortalidade de 6% para os pacientes que permaneceram em vigilância ativa é alto. Além disso, mais de 65% dos homens que estavam em vigilância por cinco anos foram submetidos a algum tipo de tratamento.

“O estudo evidencia que é preciso avaliar cuidadosamente pacientes com câncer de próstata intermediário e, com certa preferência, indicar algum tratamento, porque há riscos de o tumor evoluir e levar o paciente ao óbito. Apenas em determinados casos, e quando muito bem avaliados, deve-se sugerir a vigilância ativa, sem tratamento”, diz o médico Marcelo Bendhack, doutor em Uro-oncologia pela Universidade de Düsseldorf, na Alemanha, um dos responsáveis pela avaliação do estudo apresentado pela equipe canadense no American Urological Association.
Principais desafios

O câncer de próstata ainda é a neoplasia mais comum e a segunda maior causa de óbito oncológico no sexo masculino no mundo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) foram 68.220 novos casos no país, em 2018. A incidência da doença ainda é alta no Brasil e em outros países. Além do óbito (25% dos pacientes com câncer de próstata), 20% dos homens, mesmo em estágio avançado, não recebem diagnóstico. E um número considerável de pacientes, mesmo após tratamento, voltam a desenvolver a enfermidade.

Tratamento do câncer de próstata

Na conferência anual da Federação Mundial de Uro-Oncologia (WUOF), realizada em outubro de 2018, em Seul (Coreia do Sul), urologistas e uro-oncologistas de todo mundo debateram sobre as opções de tratamento para o câncer de próstata. Como aponta o Global Cancer Observatory (GCO), o número estimado de casos de câncer de próstata, para todas as idades, em 2040, será de 2.293.818, ante 1.276.106, estimativa de 2018. Na faixa etária até 69 anos, a expectativa é de 963.398 casos em 2040, (estimativa para 2018 foi de 650.367 casos), enquanto que a incidência na faixa acima dos 70 anos a estimativa é de 1.330.420, em 2040, ou seja, mais de 100% em relação a 2018 (625.739 casos).

“Entre as medidas para o combate ao câncer de próstata, ganham destaque a prevenção, o diagnóstico precoce e a qualidade de vida do paciente, durante o tratamento e após”, destaca Marcelo Bendhack, que também é presidente da Sociedade Latino-Americana de Uro-Oncologia (UROLA) e especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Segundo o médico, no que se refere ao tratamento e à qualidade de vida, a Federação Mundial de Uro-Oncologia (WUOF) tem observado técnicas inovadoras. Neste sentido, cada vez mais centros médicos de diversos países, inclusive no Brasil, têm adotado o Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade (HIFU). A técnica é minimamente invasiva, sem a necessidade de introdução de instrumentos, agulhas ou sementes radioativas, e elimina também os riscos de transfusão sanguínea. As complicações cardiovasculares são praticamente inexistentes e o tempo de internação é menor, geralmente, de 12 a 24 horas.

“No que tange da qualidade de vida do paciente, o HIFU apresenta os menores efeitos colaterais, como incontinência urinária e disfunção erétil, em relação aos tratamentos convencionais, para o câncer de próstata localizado de baixo e médio risco. Os baixos índices de efeitos colaterais estão descritos na literatura médica, sendo de 0 a 2% para incontinência urinária e de 5 a 26% para disfunção erétil. Além disso, apresenta baixa taxa de mortalidade e alto índice de sobrevida livre de metástases aos dez anos, com taxas aceitáveis de morbidade”, conta Bendhack.

Conclusão

De acordo com estudos internacionais, o HIFU tem apresentado excelentes prognósticos, com taxa de sobrevida de 98-100% e livre de metástase em 94% dos casos, dez anos após o tratamento. No Brasil, o HIFU tem aprovação da Anvisa desde 2008, sendo realizado na rede particular desde 2011. Nos Estados Unidos, recebeu aprovação da FDA, em 2015.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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