Pebmed - Notícias e Atualizações em Medicina
Cadastre-se grátis
Home / Colunistas / Cannabis medicinal: precisamos desconstruir mitos
folhas de cannabis medicinal

Cannabis medicinal: precisamos desconstruir mitos

Quer acessar esse e outros conteúdos na íntegra?

Cadastrar Grátis

Faça seu login ou cadastre-se gratuitamente para ter acesso ilimitado a todos os artigos, casos clínicos e ferramentas do Portal PEBMED

O tratamento de diversas condições clínicas com medicamentos fitoterápicos à base de Cannabis sativa, popularmente conhecido como maconha no Brasil, é uma realidade desde tempos ancestrais. Vale dizer, que o tempo de uso da planta de forma medicinal é muito mais longo do que o seu período de proibição, que não passa de um século, quando comparado a sua história milenar.

Cannabis medicinal

Desde meados do século passado, vários estudos sérios foram desenvolvidos sobre cannabis medicinal, enfrentando os desafios de produzir ciência com uma planta criminalizada na maior parte do mundo e com políticas de proibição de interesse econômico e preconceito racial, responsáveis por difundir dados incorretos.

Quando o assunto é cannabis, faz-se necessário a desconstrução contínua de mitos difundidos sobre a planta como, por exemplo, esclarecer que ela não mata células nervosas e muito menos reduz a inteligência. A ciência aponta que seus efeitos, na realidade, são de promover crescimento e desenvolvimento de novas células nervosas.

Leia também: Cannabis medicinal para dor: quais as evidências científicas

Isso explica, por exemplo, os excelentes resultados descritos em pessoas idosas com doenças neurológicas. Além disso, o uso da cannabis não transforma a pessoa tornando-a violenta, pelo contrário, há estudos que relatam aumento da passividade e calma.

Os efeitos terapêuticos acontecem em função dos fitocanabinoides presentes na maconha, que agem nos receptores do sistema endocanabinoide presentes nas células dos nossos diferentes órgãos, responsáveis pela nossa homeostase. Portanto, o tratamento com cannabis deve sempre ser individualizado, já que cada pessoa tem um sistema endocanabinoide com um funcionamento peculiar.

Dessa forma, os profissionais que decidem prescrever a maconha necessitam desenvolver um guia de manejo para seguimento da dose e de sua resposta terapêutica. Faz-se necessário também trabalhar a desconstrução de mitos e dogmas sobre a planta e mudanças de estilo de vida, como atividade física, alimentação, atividades recreativas e artísticas. Visto que essas medidas em conjunto favorecem um melhor funcionamento do sistema endocanabinoide, promovendo melhores resultados terapêuticos.

Conclusões

Mesmo com tanta informação sobre essa erva multifacetada, a maioria da população atual permanece reticente sobre o uso medicinal desta planta, em função da criminalização da cannabis no Brasil e a falta de conhecimento sobre as circunstâncias que levaram à sua proibição, além da baixa aprovação pela comunidade médica.

Além disso, as informações confiáveis ainda são escassas nos diferentes meios de comunicação, quando comparado com a quantidade de mitos e equívocos difundidos ao longo de várias décadas. Portanto, é importante desmistificar dados errados e conhecer os verdadeiros fatos dessa incrível planta.

Quer saber mais? Faça sua pergunta aqui!

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Siebert A.The little book of cannabis. How marihuana can improve your life. Greystone Books – Vancouver/Berkeley.2018.
  • Uwe B. Cannabis Health Index: combine the science of medical marijuana with mindfulness techniques to heal 100 chronic symptoms and diseases. North Atlantic Books, US. 2015.
  • Yasmin L., et. al. Cannabis and the Developing Brain: Insights into Its Long-Lasting Effects.The journal of Neuroscience. 2019.
  • Baker D., et al.The therapeutic potential of cannabis. The lancet. 2003.
  • Reviewed in Galve- Roperh I. , et al. The Endocannabinoid System and Neurogenesis in Health and Disease. The Neuroscientist. 2007.
  • Matthew G. Quality of Life and Recreational Cannabis Use.The American Journal on Addictions. 2016.
    Benedikt F., et al. Lower-Risk Cannabis Use Guidelines: A Comprehensive Update of Evidence and Recommendations. Public Health Policy. 2017.

Um comentário

  1. Avatar
    Rodrigo Pimentel

    Faltou citar de maneira clara estudos com graus de evidência mais elevados. Todas as referências bibliográficas citadas são controversas, envolvem estudos com vieses importantes. Não se fala de dosagem, diferença entre princípios ativos diferentes contidos na planta, efeitos adversos e riscos potenciais.
    Para se desfazerem os mitos precisamos da ciência. E até o momento a ciência nos mostra que não há níveis seguros do uso da Cannabis como é comercializada atualmente, principalmente no Brasil, que tem uma cadeia de distribuição da planta vinculada ao descontrole logístico total típico do tráfico.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

×

Adicione o Portal PEBMED à tela inicial do seu celular: Clique em Salvar na Home Salvar na Home e "adicionar à tela de início".

Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.