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Chá verde, café e mortalidade

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Alguns componentes da dieta podem trazer benefício para a saúde cardiovascular e vários estudos já mostraram possíveis benefícios do consumo moderado de café na população em geral. Alguns estudos orientais vêm mostrando benefícios também do consumo de chá verde. Baseado nesta hipótese, foi publicado um estudo que avaliou se o consumo de chá verde e de café teria relação com mortalidade entre as pessoas com antecedente de infarto agudo do miocárdio (IAM) ou acidente vascular cerebral (AVC).

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Chá verde, café e mortalidade

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Método do estudo e população envolvida

As informações foram obtidas de um grande estudo de coorte japonês, que começou a coletar os dados entre 1988 e 1990 por meio de questionários. A partir das informações obtidas os participantes foram divididos em três grupos: história de IAM, história de AVC e sem história de IAM ou AVC. Foram excluídos os que não fornecerem dados em relação a ingestão de chá verde ou café e suas quantidades ou história de IAM ou AVC.

Foram obtidas informações em relação as quantidades habituais consumidas de cada bebida e dados de hábitos de vida como tabagismo, etilismo, atividade física, caminhadas, status mental e hábitos alimentares. A causa do óbito foi obtida por meio de revisão das certidões de óbito de cada região envolvida no estudo. O término do seguimento foi diferente para as diferentes regiões envolvidas no estudo, algumas com término em 1999, outras em 2003, 2008 e 2009. O desfecho foi mortalidade por todas as causas.

O seguimento foi realizado desde o preenchimento do questionário até a data do óbito, emigração ou término do período de estudo e foram feitos ajustes para idade, sexo, presença de hipertensão, diabetes, índice de massa corpórea, tabagismo, etilismo, horas de atividade física, horas de caminhada, nível de estresse mental, status de emprego, frequência de consumo de vegetais, peixe, frutas e soja.

Resultados

O total de participantes foi 46.213, sendo a maioria mulheres (60%). A média de seguimentos foi 18,5 anos e ocorreram no período 9.253 óbitos. Os principais achados foram os seguintes:

  • Pacientes que consumiam chá verde mais frequentemente tinham maior tendência de comer peixe, frutas e soja, independentemente de ter IAM ou AVC prévio. Pacientes com antecedente de IAM ou AVC tendiam a ter menos diabetes.
  • O consumo de chá verde foi associado a redução de mortalidade por todas as causas. Porém, após ajustes para os possíveis confundidores, este benefício não se manteve na população sem história de IAM ou AVC. Houve redução de mortalidade nas populações com antecedente de IAM e de AVC, sendo a redução maior para os com AVC. Além disso, o benefício parece aumentar com o aumento da quantidade de bebida ingerida.
  • Participantes que consumiam mais café geralmente eram mais jovens, fumavam e bebiam com mais frequência e tinham menos desemprego. Seu consumo frequente teve relação com menor prevalência de hipertensão e diabetes, maior nível de estresse mental, maior nível educacional, menor ingestão de peixe e caminhadas mais frequentes. Entre os que tiveram IAM relatado, os pacientes que tomavam mais café ingeriam menos vegetais e soja.
  • O consumo de café foi inversamente associado ao risco de mortalidade por todas as causas entre as pessoas sem história de IAM ou AVC e entre os com IAM prévio, principalmente às custas de redução de mortalidade cardiovascular. Esta associação não foi encontrada nos participantes com história de AVC.

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Mensagem Prática

Este estudo sugere que o chá verde e o café podem ser benéficos para pessoas com doença cardiovascular estabelecida, com redução de mortalidade. Na prática, o consumo leve a moderado destas bebidas por esta população pode ser realizado e muito provavelmente deva ser incentivado. Porém, mais estudos são necessários para entender melhor seus efeitos neuro e cardioprotetores.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Teramoto M, et al. Green Tea and Coffee Consumption and All-Cause Mortality Among Persons With and Without Stroke or Myocardial Infarction. Stroke. 2021;0. doi: 1161/STROKEAHA.120.032273

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