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grãos de café que possuem relação com câncer colorretal

O café pode estar associado à melhor sobrevida no câncer colorretal?

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Alguns estudos mostraram que os componentes do café possuem efeitos antineoplásicos, devido as suas características antioxidantes, anti-inflamatórios e sensibilizantes à insulina. Com relação ao câncer colorretal, dados demonstraram que a maior ingestão se relacionou com melhora da sobrevida em pacientes estágio III.

Para avaliação do câncer em estágio metastático e sua relação com a ingesta de café, um novo estudo prospectivo foi realizado e publicado recentemente no JAMA Oncology.

Café e câncer colorretal

A análise utilizou pacientes que participaram do ensaio clínico randomizado de fase três do estudo Câncer e Leucemia Grupo B (Alliance) / SWOG 80405. O ensaio comparava o uso adicional de cetuximabe e/ou bevacizumab à quimioterapia padrão.

Os participantes incluídos não tiveram nenhum tratamento prévio para doença avançada ou metastática, nem câncer concomitante conhecido; tinham hemogramas e função orgânica adequados, bom desempenho funcional e nenhuma contraindicação ao tratamento com bevacizumabe ou cetuximabe.

Na inscrição do ensaio clínico, os pacientes podiam optar pela inclusão em um estudo de acompanhamento de dieta e estilo de vida. Quem aceitou, respondeu um questionário sobre dieta e estilo de vida no primeiro mês.

No momento da inscrição no ensaio clínico, os pacientes tiveram a opção de inclusão no estudo de acompanhamento de dieta e estilo de vida. Os pacientes que consentiram em participar completaram uma pesquisa sobre dieta e estilo de vida no primeiro mês de inscrição.

Leia também: Café da manhã e o risco de infarto: o que dizem as evidências?

Como os resultados do ensaio clínico não demonstraram diferença significativa no uso de nenhum dos dois fármacos estudados, os pacientes que completaram o questionário da dieta foram incluídos em uma coorte prospectiva para análise da ingestão de café.

Foram excluídos aqueles que tinham uma ingesta calórica diária muito diferente (<600 ou >4200 kcal para homens; <500 ou >3500 kcal para mulheres) e os participantes que tiveram uma progressão do câncer ou morte em até 90 dias após a inscrição. Os dados foram coletados de 27 de outubro de 2005 a 18 de janeiro de 2018.

O desfecho primário foi sobrevida global, definido como tempo até a morte, e sobrevida livre de progressão, definido como tempo até a primeira progressão ou morte.

Resultados

No total, 1.171 pessoas com câncer avançado ou metastático participaram da análise, em sua maioria brancos (1.007; 86%). A mediana de idade dos pacientes foi de 59 (intervalo interquartil [IQR], 51-67) anos, com 694 homens (59%) e 477 mulheres (41%).

Quem mais bebia café eram geralmente brancos (≥4 xícaras por dia, 61 de 63 [97%]; nunca, 223 de 280 [80%]; P <0,001), do sexo masculino (≥4 xícaras por dia, 52 de 63 [83%]; nunca, 142 de 280 [51%]; P <0,001), e fumantes ou ex-fumantes (≥4 xícaras por dia, 50 de 62 [81%]; nunca, 107 de 277 [39%]; P <0,001). Essas pessoas também possuíam uma ingestão energética diária média mais alta (≥4 xícaras por dia , 2237 [variação, 791-4122] kcal por dia; nunca, 1729 [variação, 601-4038] kcal por dia; P <0,001) e tinham um consumo médio de álcool maior (≥ 4 xícaras por dia, 1 [intervalo, 0-29] g / d; nunca, 0 [intervalo, 0-9]; P <0,001).

Os bebedores frequentes de café eram mais prováveis de serem brancos (≥4 xícaras / d, 61 de 63 [97%]; nunca, 223 de 280 [80%]; P <0,001) e do sexo masculino (≥4 xícaras / d, 52 de 63 [83%]; nunca, 142 de 280 [51%]; P <0,001). Eles também eram mais propensos a serem fumantes atuais ou ex-fumantes (≥4 xícaras / d, 50 de 62 [81%]; nunca, 107 de 277 [39%]; P <0,001), para ter uma ingestão energética diária média mais alta (≥4 xícaras / d, 2237 [variação, 791-4122] kcal / d; nunca, 1729 [variação, 601-4038] kcal / d; P <0,001) e ter um consumo médio de álcool maior (≥ 4 xícaras / d, 1 [intervalo, 0-29] g / d; nunca, 0 [intervalo, 0-9]; P <0,001).

Veja mais: O rastreio do câncer colorretal pode salvar uma vida

O tempo médio de acompanhamento entre pacientes vivos foi de 5,4 anos (10º percentil, 1,3 anos; IQR, 3,2-6,3 anos). Um total de 1.092 pacientes (93%) morreram ou tiveram progressão da doença.

Nas análises multivariáveis, a maior ingestão total de café foi associada a uma melhora significativa na sobrevida global (razão de risco [HR] para incremento de 1 xícara/dia, 0,93; IC de 95%, 0,89-0,98; P = 0,004 para tendência). maior ingestão total de café também foi associada com melhor sobrevida livre de progressão (HR para incremento de 1 xícara/dia, 0,95; IC de 95%, 0,91-1,00; P = 0,04 para tendência).

Conclusões

Segundo os resultados do estudo, o consumo de café pode estar associado a uma redução no risco de progressão da doença e de morte, sendo associado à melhor sobrevida.

Porém, algumas limitações são importantes citar, como fatores confundidores que não foram excluídos por não terem sido capturados no questionário: hábitos de sono, emprego, atividade física não relacionada a exercícios, e mudanças no consumo de café após o diagnóstico de câncer.

São necessários mais estudos para compreender os reais efeitos do café no câncer colorretal.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referência bibliográfica:

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