Como identificar coronavírus na ultrassonografia pulmonar?

Tempo de leitura: 2 min.

Diante do avanço do coronavírus é preciso que as equipes médicas assistentes estejam atentos as mais variadas ferramentas diagnósticas que possam auxiliar no manejo clínico dos pacientes contaminados e/ou suspeitos. Nesse caminho, a ultrassonografia pulmonar se apresenta como uma alternativa na avaliação, principalmente, daqueles com quadro clínico mais crítico que necessitam de uma abordagem mais intensiva.

Além do mais, o ultrassom apresenta melhor aplicabilidade, pois é um método de fácil domínio, alta disponibilidade, baixo custo, não invasivo, possível de ser feito a beira leito e sem uso de radiação.

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Ultrassonografia e coronavírus

Primeiro, é necessário entender o mecanismo físico do ultrassom: as ondas sonoras são emitidas pela fonte, passam pelo meio de propagação, os ecos são captados e, a partir disso, uma imagem é formada. Entretanto, quando o meio de propagação é o ar, os ecos são distorcidos devido o fenômeno de reverberação, o que gera uma dificuldade enorme na avaliação do pulmão. Contudo, algumas técnicas desenvolvidas foram capazes de avaliar as imagens ultrassonográficas de forma indireta, através do estudo dos seus artefatos.

A técnica em questão baseia-se no fato de que as alterações patológicas que podem ocorrer no tórax reduzem, de forma geral, a quantidade de ar permitindo uma avaliação dessas estruturas. As patologias se comportam de forma diferente umas das outras, pois cada uma reduz a quantidade de ar de forma distinta.

Nos casos de derrame pleural, por exemplo, o espaço preenchido pelo derrame é demonstrado na imagem como líquido, pelas características anecoica ou hipoecoica. Semelhantemente, nos casos de atelectasia e consolidação pulmonar ocorre a perda da aeração tornando a área de parênquima pulmonar visível.

Leia também: Coronavírus: diferenças clínicas e tomográficas da Covid-19 em crianças e adultos

Coronavírus

No caso da Covid-19, onde temos uma patologia que cursa com edema pulmonar ou infiltrado intersticial, há formação de múltiplas imagens que chamamos de linhas B. Além disso, pode ser identificado espessamento pleural e broncograma aéreo, se houver. Não somente podemos avaliar o tórax pelo ultrassom no paciente crítico a beira leito, como ainda é possível também acompanhar sua melhora. Pesquisas demonstram a fidedignidade ao relacionar o sucesso dos tratamentos através das atenuações das alterações ecográficas.

Aproveito para reforçar que, mais importante do que acompanhar e tratar pacientes, é preciso cuidar de você. Assim sendo, enquanto realiza esse exame, utilize equipamentos de proteção individual (EPI) corretamente e tome as medidas preventivas adequadas.

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Publicado por
Dowglas Marques de Santana

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