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Como prevenir dermatite atópica em bebês com até 1 ano?

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Nem emolientes de pele nem alimentação complementar precoce reduziram o desenvolvimento de dermatite atópica aos 12 meses de idade, de acordo com o estudo Skin emollient and early complementary feeding to prevent infant atopic dermatitis (PreventADALL): a factorial, multicentre, cluster-randomised trial, publicado no jornal The Lancet.

Dermatite atópica

O Preventing Atopic Dermatitis and ALLergies in childhood (PreventADALL) é o primeiro grande ensaio clínico randomizado, pragmático e de base populacional, que combina duas intervenções, os emoliente da pele e a alimentação complementar precoce, com o objetivo de prevenir dermatite atópica aos 12 meses e alergia alimentar aos 36 meses.

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O presente artigo, conduzido por Skjerven e colaboradores, teve como objetivo principal determinar se emolientes de pele aplicados regularmente ou a alimentação complementar precoce poderiam prevenir dermatites atópicas aos 12 meses de idade na população infantil em geral. O ensaio foi efetuado nos seguintes hospitais: Oslo University Hospital e Østfold Hospital Trust, Oslo, Noruega; e Karolinska University Hospital, Estocolmo, Suécia. Este estudo foi realizado no ORAACLE (the Oslo Research Group of Asthma and Allergy in Childhood; the Lung and Environment).

Lactentes de mulheres recrutadas no período pré-natal em triagem de rotina de ultrassom às 18 semanas de idade gestacional, foram randomizados em cluster ao nascimento, para os seguintes grupos:

  • Controles sem aconselhamento específico sobre cuidados com a pele, embora aconselhados a seguir as diretrizes nacionais sobre nutrição infantil (grupo controle);
  • Emolientes de pele (aditivos de banho e creme facial; grupo de intervenção na pele);
  • Alimentação complementar precoce, contendo amendoim, leite de vaca, trigo e ovo (grupo de intervenção alimentar); ou
  • Intervenções combinadas de pele e de alimentos (grupo de intervenção combinada).

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Os participantes foram divididos aleatoriamente (1: 1: 1: 1) usando a randomização por cluster gerada por computador com base em 92 blocos de áreas geográficas, bem como oito blocos de tempo de três meses. Os cuidadores foram instruídos a aplicar as intervenções em, pelo menos, 4 dias por semana. Dermatite atópica aos 12 meses de idade foi o desfecho primário, com base em investigações clínicas aos 3, 6 e 12 meses por pesquisadores cegos para alocação de grupo.

A dermatite atópica foi avaliada após a conclusão das investigações de 12 meses e diagnosticada se um dos critérios do UK Working Party and Hanifin and Rajka (12 meses apenas) fosse atendido. As análises primárias de eficácia foram realizadas por intenção de tratar em todos os participantes designados aleatoriamente. Os resultados de alergia alimentar serão relatados assim que todas as investigações com três anos de idade forem concluídas em 2020.

Resultados

Skjerven e sua equipe descreveram os seguintes resultados:

  • Foram recrutadas 2.697 mulheres entre 9 de dezembro de 2014 e 31 de outubro de 2016;
  • 2397 recém-nascidos foram inscritos no período entre 14 de abril de 2015 a 11 de abril de 2017;

Dermatite atópica foi observada em:

  • 478 (8%) dos 596 bebês do grupo controle;
  • 64 (11%) de 575 no grupo de intervenção na pele;
  • 58 (9%) de 642 no grupo de intervenção alimentar;
  • 31 (5%) de 583 no grupo de intervenção combinada.

Nem emolientes de pele nem alimentação complementar precoce reduziram o desenvolvimento de dermatite atópica, com uma diferença de risco de 3,1% [Intervalo de confiança de 95% (IC95%) -0,3 a 6,5)] para intervenção cutânea, e 1,0% (IC95% -2,1 a 4,1) para intervenção alimentar, a favor do controle.

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Nenhuma preocupação de segurança com as intervenções foi identificada. Os sinais e sintomas de pele relatados (incluindo prurido, edema, exantema, pele seca e urticária) não foram mais frequentes nos grupos “intervenção de pele”, “intervenção alimentar” e “intervenção combinada” do que no grupo controle.

Conclusões

Nesse estudo, a terapia emoliente precoce da pele ou a alimentação complementar precoce não impediram o desenvolvimento de dermatite atópica até 1 ano de idade em bebês de uma população em geral. Os pesquisadores destacam que seus achados estão alinhados com o BEEP, um estudo de aprimoramento de barreira para prevenção de eczema, que não relatou nenhuma redução na dermatite atópica em dois anos entre 1394 crianças de alto risco que usavam emoliente diário em cremes no primeiro ano de vida.

Todavia, os autores enfatizam não poder recomendar essas intervenções como estratégias de prevenção primária. Além disso, o papel potencial das intervenções combinadas será mais investigado quando todas as crianças atingirem a idade de 36 meses, pois o desenho do estudo não incluiu análises intermediárias antes das principais avaliações de resultados.

Autora:

Referência bibliográfica:

  • Skjerven HO, Rehbinder EM, Vettukattil R, et al. Skin emollient and early complementary feeding to prevent infant atopic dermatitis (PreventADALL): a factorial, multicentre, cluster-randomised trial [published online ahead of print, 2020 Feb 19]. Lancet. 2020;S0140-6736(19)32983-6. doi:10.1016/S0140-6736(19)32983-6

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