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Confira 5 curiosidades sobre o câncer de pele melanoma

Tempo de leitura: 3 minutos.

O câncer de pele melanoma tem origem nos melanócitos, sendo mais frequente em adultos brancos. O melanoma pode aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas, na forma de manchas, pintas ou sinais. Nos indivíduos de pele negra, ele é mais comum nas áreas claras, como palmas das mãos e plantas dos pés.

Embora esse tipo de câncer de pele seja o mais comum no Brasil e corresponda a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país, o melanoma representa apenas 3% das neoplasias malignas do órgão. É o tipo mais grave, devido à alta possibilidade de provocar metástase.

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Nos últimos anos, houve grande melhora na sobrevida dos pacientes com melanoma, principalmente devido à detecção precoce do tumor e à introdução dos novos medicamentos imunoterápicos. Para saber mais sobre o câncer de pele melanoma, fique por dentro de 5 curiosidades sobre o tema:

1. Exposição solar desempenha papel importante no melanoma

Mais de 90% dos melanomas nos três subtipos genéticos mais comuns (BRAF, RAS, NF1) têm uma assinatura ultravioleta substancial. Clinicamente, os melanomas aparecem mais comumente em locais de exposição solar crônica (ou seja, facial, cervical) ou intermitente (tronco, pernas) como disseminação superficial, nodular ou lentigo maligno-melanoma

“O melanoma é um tumor que se desenvolve a partir da transformação maligna dos melanócitos, célula responsável pela produção da pigmentação da pele e cabelos. Um dos principais fatores de risco para o melanoma é a exposição solar intermitente e queimaduras solares na infância/adolescência”, explica Fernanda Seabra, dermatologista da Aliança Instituto de Oncologia.

2. Os melanomas também ocorrem em locais de exposição solar mínima

O sequenciamento do genoma do acral (nas palmas das mãos e das solas dos pés) e dos melanomas da mucosa mostrou que, embora a exposição ao sol possa ter um papel importante, não é o principal motivador mutacional. Esses melanomas podem compartilhar uma patogênese semelhante à de outras neoplasias não-cutâneas.

“Os melanomas também podem ser encontrados em áreas não fotoexpostas, como região oral e genitália, locais em que a exposição solar não foi certamente o principal fator de risco. Aproximadamente 70% dos melanomas surgem não associados a nevos (pintas), ou seja, são lesões novas e mais comuns no tronco nos homens e nas pernas nas mulheres”, diz a dermatologista.

3. A via da proteína quinase está implicada em quase todos os melanomas

Este caminho estimula o crescimento e a sobrevivência das células. As mutações BRAF, RAS e NF1 fazem parte dessa via e representam 50%, 25% e 15% de todos os melanomas, respectivamente. Estudos em todo o genoma ajudaram a identificar importantes marcadores imuno-histoquímicos para diagnóstico (por exemplo, morte celular anti programada 1 [anti-PD-1], proteína citotóxica anti-citotóxica [anti-CTLA4]), bem como imunoterapias adjuvantes e terapias direcionadas (isto é, inibidores de BRAF ou MEK) para melhorar a sobrevida de pacientes com melanoma avançado.

“De acordo com a literatura médica, muitos mecanismos moleculares têm sido estudados na patogenia do melanoma, dentre essas vias destaca-se a via MAPK (proteína quinase ativada por mitógeno). Essa via é apontada como principal cascata de sinalização envolvida no controle do crescimento, proliferação e migração celular, e tem sido relacionada com um papel importante no desenvolvimento e na progressão do melanoma”, destaca Seabra.

4. De todos os melanomas, 10% são amelanóticos ou hipopigmentados

Eles são mais comuns em pacientes com pele tipo I da escala de Fitzpatrick e com dano crônico ao sol (ceratoses actínicas), e estão localizados em locais expostos ao sol (por exemplo, face, pescoço, parte superior do braço, mãos).

O diagnóstico diferencial da evolução de máculas, placas ou nódulos vermelhos ou rosados ​​deve incluir o melanoma amelanótico, especialmente nos pacientes e em locais citados anteriormente. O KIT, um inibidor da tirosina quinase, é frequentemente mutado no melanoma amelanótico.

“As lesões cutâneas suspeitas apresentam ao exame dermatoscópico padrões que a identificam como melanoma. E é a partir da identificação desses padrões que a lesão suspeita será excisada e encaminhada para estudo anatomopatológico. O diagnóstico definitivo de melanoma é histopatológico”, explica a profissional de dermatologia.

5. Qualquer lesão suspeita de melanoma deve ser encaminhadas para dermatologia

Uma lesão pigmentada com qualquer um dos critérios ABCDE (Assimetria, Bordas irregulares, Cor: mais do que 2 cores, Diâmetro acima de 6 mm ou Evolução: lesão que está mudando) deve levantar suspeita de melanoma. A excisão ampla e local com margens apropriadas é o tratamento definitivo. Em áreas cosmeticamente sensíveis (por exemplo, face), a Cirurgia de Mohs, na qual camadas finas do tumor são sequencialmente removidas até restar somente tecido livre de câncer, pode ser preferida.

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“Um número pequeno de melanomas é hipomelanótico ou amelanótico. Mas mesmos os melanomas amelanóticos ou hipomelanóticos apresentam alterações à dermatoscopia, sendo identificado pelo dermatologista. Sabemos que mais de 60% dos melanomas são identificados pelo próprio paciente ou cônjuge. Por isso, toda é lesão suspeita: lesão de aparecimento recente, que coça, sangra, ou que preenche algum dos critérios do ABCDE deve ser examinada pelo dermatologista”, conclui Fernanda Seabra.

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Referências:

  • Robert Micieli and Kucy Pon CMAJ May 13, 2019 191 (19) E535; DOI: https://doi.org/10.1503/cmaj.181500

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