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duas taças de vinho no bar

Consumo de álcool e doenças cardiovasculares: o que dizem os estudos

Tempo de leitura: 2 minutos.

O consumo de álcool é um importante fator de risco para inúmeras doenças, bem como para acidentes de trânsito e mortes por causas violentas. Sua relação com doenças vasculares, em especial com doença coronariana, mantém-se, no entanto, um tema complexo e controverso.

Considera-se que o consumo moderado de álcool está associado com um risco reduzido de desenvolver doenças cardiovasculares em comparação com a abstinência ou o consumo em excesso.

Embora haja evidências de efeitos benéficos do uso moderado das bebidas alcoólicas, existem estudos mostrando um maior risco de doença coronariana associado ao padrão de uso excessivo do álcool.

Neste contexto, um estudo observacional foi realizado para investigar a associação entre o consumo de álcool e doenças cardiovasculares, examinando a apresentação inicial de 12 doenças cardíacas, cerebrovasculares, abdominais ou periféricas em categorias de consumo.

Consumo de álcool e doenças cardiovasculares

Durante o seguimento de 1997 a 2010 (mediana de acompanhamento de 6 anos), 114.859 indivíduos receberam o diagnóstico cardiovascular. A maioria dos participantes eram não-fumantes, tinham IMC dentro do intervalo normal e não tinham diabetes.

O não-consumo de álcool foi associado a um risco aumentado de angina instável (hazard ratio: 1,33; intervalo de confiança [IC] de 95%: 1,21 a 1,45), infarto do miocárdio (hazard ratio: 1,32; IC 95%: 1,24 a 1,41), morte coronariana (hazard ratio: 1,56; IC 95%: 1,38 a 1,76), insuficiência cardíaca (hazard ratio: 1,24; IC 95%: 1,11 a 1,38), acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI; hazard ratio: 1,12; IC 95%: 1,01 a 1,24), doença arterial periférica (hazard ratio: 1,22; IC 95%: 1,13 a 1,32) e aneurisma da aorta abdominal (hazard ratio: 1,32; IC 95%: 1,17 a 1,49) em comparação com consumo moderado (de acordo com as diretrizes britânicas semanais/diárias contemporâneas de 21/3 e 14/2 unidades para homens e mulheres, respectivamente).

Veja também: ‘Pesquisadores associam consumo de álcool a risco de câncer’

O consumo excessivo de álcool (excedendo as diretrizes) foi associado com um aumento do risco de apresentar morte coronariana (hazard ratio: 1,21; IC 95%: 1,08 a 1,35), insuficiência cardíaca (IC; hazard ratio: 1,22; IC 95%: 1,08 a 1,37), parada cardíaca (hazard ratio: 1,50; IC 95%: 1,26 a 1,77), ataque isquêmico transitório (hazard ratio: 1,11; IC 95%: 1,02 a 1,37), AVCI (hazard ratio: 1,33; IC 95%: 1,09 a 1,63), hemorragia intracerebral (hazard ratio: 1,37; IC 95%: 1,16 a 1,62) e doença arterial periférica (hazard ratio: 1,35; IC 95%: 1,23 a 1,48), porém menor risco de infarto do miocárdio (hazard ratio: 0,88; IC 95%: 0,79 a 1,00) ou angina estável (hazard ratio: 0,93; IC 95%: 0,86 a 1,00).

O estudo mostrou que existem associações heterogêneas entre o nível de consumo de álcool e a apresentação inicial de doenças cardiovasculares. Esses resultados possuem implicações no aconselhamento de pacientes, comunicação em saúde pública e pesquisa clínica, sugerindo uma abordagem diferenciada do papel do álcool na prevenção de doenças cardiovasculares.

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Referências:

  • Bell S, Daskalopoulou M, Rapsomaniki E, George J, Britton A, Bobak M, et al. Association between clinically recorded alcohol consumption and initial presentation of 12 cardiovascular diseases: population based cohort study using linked health records. Bmj [Internet]. 2017;356:j909. Available from: https://www.bmj.com/lookup/doi/10.1136/bmj.j909

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